Fora de Pauta

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31 comentários

  1. Por Fernando Siqueira

    Respondendo às contas falaciosas do Governo, do mutante Haroldo Lima, e dos convertidos Fernando Brito e Paulo Henrique Amorim

    Como dizia o grande filósofo Itamar Franco: “os números não mentem, mas o mentirosos manipulam os números”. Vejamos as contas com transparência e sem manipulações:
    O Custo de produção estimado para Libra está na faixa de 40 a 50 dólares por barril (Tupi é US$50)
    consideremos US$ 40. Então a União perde, de cara, US$ 40 para o custo de produção que vai para o consórcio, para remunerar os seus gastos em US$, mas ele recebe o bem mais valioso do mundo. Se o barril estiver a US$ 100, estes US$ 40 representam 40% da produção; 
    Restam então 60%. Destes, o consorcio fica com 15% para remunerar os royalties que ele paga em reais, MAS SE APROPRIA DO PETRÓLEO CORRESPONDENTE. Novamente ele despende moeda e fica com o bem precioso. 
    Assim sobram 45% para a partilha. Se o consórcio ganhar oferecendo 65% destes 45, a União receberá 29,25% do óleo total produzido, e o consorcio fica com 15,75%, que somados aos 40% do Custo de produção e os 15% do óleo referente aos royalties, dá um total de 40+15+15,75=70,75% do petróleo, o bem mais valioso do mundo, fica com o consórcio.
    Mas tem mais: O Governo Flexibilizou o percentual da União de forma que: Se as condições forem excepcionais (produção por poço acima de 25000 barris por dia e petróleo acima de US$ 160 o barril,
    o consórcio dá mais 3,91% do seu percentual para a União; mas quando as condições forem piores (a produção por poço cair abaixo de 4000 barris por dia, e o barril cair abaixo de US$ 60, a União abre mão de 31,72% do seu percentual para o consórcio. 
    Se forem considerados os 65% da hipótese do autor, a União fica com 65-31,72 = 33,28% a ser aplicado sobre os 45%, que levam à merreca de 14,976%. (ver tabela pag. 41 do edital)
    Neste caso a União ficaria com 14,976% do óleo produzido + 15% em dinheiro, dos royalties pagos e
    IR de 34% sobre 15,75 + 31,72 = 16%, em dinheiro. ESTA CONDIÇÃO DEVE OCORRER NA MAIORIA DO TEMPO.Ou seja, a União ficaria com cerca de 15% do petróleo + mais 31% em dinheiro
    No caso inverso, quando as condições forem excepcionais, a União receberia 68,91 65+3,91)% de 45% do óleo lucro = 31%
    Mas receberia 4,7% % de IR + 15% de roylties em dinheiro, cerca de 50%, mas ainda assim, 69% do petróleo fica com o consórcio. 
    Mesmo retirando 30% para a Petrobrás, a empresa estrangeira sem fazer nada, sem correr qualquer risco, pois a Petrobrás será a operadora, ficará com cerca de 50% do nosso petróleo. Gasta alguns dólares e leva o bem mais valioso do mundo. E O EXPORTA COM ISENÇAO DE 30% DE IMPOSTOS ALÉM DE GERAR EMPREGOS LÁ FORA PARA REFINAR O PETRÓLEO.
    Um exemplo da força geopolítica do petróleo: a Rússia fornece petróleo para a Europa e esta fornece toda a tecnologia que a Rússia quizer.
    Ou seja, o Governo Petista conseguiu fazer o contrato de partilha ficar igual ou pior do que o da concessão de FHC.
    Como Libra é uma reserva de mais de 15 bilhões de barris, estamos falando de uma riqueza da ordem de R$ 3 trilhões. È uma privatização que supera a Venda da Vale da Eletrobrás e de toda a privataria tucana. 
    Fernando Siqueira

    • O Saul Leblon, se manifesta

      O Saul Leblon, se manifesta diferente. 

      Libra não é só petróleo
      Em todo mundo o discurso conservador subsiste em estado comatoso. O empenho é para injetar sobrevida ao defunto, resistir e desgastar o anseio de mudança.
      Em todo o mundo o discurso conservador subsiste em estado comatoso desde o colapso da ordem neoliberal, em 2008. O empenho é para injetar sobrevida ao defunto, resistir e desgastar o anseio de mudança. Até que se generalize o descrédito nos partidos, na luta pelo desenvolvimento e no aprofundamento da democracia política e econômica, como instrumento de emancipação histórica e social.
      A ascensão da Frente Nacional Fascista na França é um sintoma (leia a reportagem de Eduardo Febbro; nesta pág). Outro, o poder de uma falange, como o Tea Party, de empurrar até perto do abismo fiscal a nação mais poderosa da terra. São manifestações mórbidas recorrentes. Que afrontam o anseio da mudança instalado no coração da sociedade pela maior crise capitalista desde 1929.
      Quando o extraordinário acontece, as lentes da rotina já não conseguem explicar a vida. A ‘redescoberta’ de Marx, analisada por Emir Sader nesta pág (leia o blog do Emir), é um sintoma do anseio por um novo foco. É mais que uma redescoberta intelectual. Essa é a hora em que o preconceito histórico inoculado contra o socialismo perde força. Até nos EUA.
      Uma pesquisa feita pela Pew Research, no final de 2011, tentou medir esse ponto de mutação. Os resultados foram significativos:

      a) na faixa etária entre 19 e 28 anos a menção ao ‘socialismo’ encontra receptividade favorável entre 49% dos jovens norte-americanos (entre 43% ela é negativa).

      b) entre a população negra – açoitada pela crise – os dados são ainda mais expressivos: respectivamente 55% de aprovação ; 36%, rejeição.

      c) a mesma medição, agora para ‘capitalismo’, obteve os seguintes percentuais nos grupos mencionados: 46% e 47%, entre os jovens; e 41% favorável e 51% negativo, entre os negros.

      A informação consta de um artigo de Michelle Goldberg, cuja íntegra será publicada nesta página. A liquefação da agenda neoliberal e do preconceito anti-socialista não amenizam a responsabilidade de se erguer linhas de passagem críveis ao passo seguinte da história. No caso brasileiro, a operação envolve agravantes de singularidade e circunstância.

      Em primeiro lugar, a responsabilidade de ser governo. Portanto, mais que nunca, de erguer pontes que partam da correlação de força existente para superá-las, sem risco de regressão.

      Em segundo lugar, os sinais de desgaste na confortável pista incremental, pela qual o país tem transitado para responder a desafios seculares com avanços específicos .

      Um terceiro agravante: o crepúsculo de um ciclo internacional de alta da liquidez e dos preços das commodities. A inflexão externa adiciona percalços à renovação do motor do desenvolvimento brasileiro.

      Quarto, os capitais e os grandes oligopólios não estão parados. O colapso financeiro acelerou a descentralização produtiva que define a nova morfologia da industrialização no mundo. Travada pelo câmbio desfavorável, a manufatura brasileira ficou de fora do novo arranjo global das cadeias de tecnologia e suprimento.

      O país não resgatará sua competitividade sem recuperar o terreno perdido nessa área. A flacidez industrial rebaixa a produtividade sistêmica da sua economia. Com efeitos regressivos na geração dos excedentes indispensáveis à convergência da riqueza . É nesse horizonte de mutações e desafios que deve ser analisado um acontecimentos que divide o campo progressista brasileiro. O leilão de Libra.

      A mega-reserva do pré-sal, capaz de conter acumulações equivalentes a até 13 bilhões de barris de petróleo e gás, deve ser leiloada na próxima 2ª feira (21). Democratas e nacionalistas sinceros divergem. Petroleiros vão à greve.

      Defende-se que a Petrobrás assuma sozinha a tarefa de extrair uma riqueza guardada no fundo do oceano que pode conter até 100 bilhões de barris.

      A Petrobras tem o domínio da tecnologia para fazê-lo. É quem foi mais longe nessa expertise em todo o mundo.

      Mas não dispõe dos recursos financeiros para acionar esse trunfo na escala e no tempo imperativo. Paradoxalmente, em boa parte, porque cumpriu seu papel de estatal na luta pelo desenvolvimento. Os preços dos combustíveis no Brasil foram congelados pelo governo como instrumento de controle da inflação. Durante anos. Sob protesto da república dos acionistas , cuja pátria é o dividendo. E nada mais.

      Secundariamente, o leilão será feito porque o governo necessita também de recursos para mitigar a conta fiscal de 2013. Ademais do peso dos juros no orçamento federal – exaustivamente criticado por Carta Maior – o Estado, de fato, realizou pesados dispêndios este ano e nos anteriores.

      Em ações contracíclicas para impedir a internalização da crise mundial no Brasil. O conservadorismo reprova acidamente essas escolhas. Solertes entreguistas, súbito, pintam-se de verde-amarelo em defesa da estatal criada por Vargas. A emissão conservadora alveja o que chama de ‘ uso político da Petrobras e da receita pública’ para financiar ‘ações populistas’ , que não corrigem as questões estruturais do país. A alternativa martelada é a ‘purga’ saneadora.

      Contra a inflação, choque de juros (muito superior ao que se assiste). Contra o desequilíbrio fiscal, cortes impiedosos na ‘gastança’. Qual? Qualquer gasto público destinado a fomentar o desenvolvimento, financiar a demanda, reduzir a pobreza e combater a desigualdade. O ponto é: sem agir a contrapelo dos interditos conservadores, desde 2008, o Brasil teria hoje um governo progressista?
      Subsistiria ao cerco de 2010 contra Lula e Dilma? Ou da terra ‘semeada’ pela recessão e o desemprego emergiria a colheita devastadora? José Serra, que, ato contínuo, reverteria a regulação soberana do pré-sal, como, aliás, prometera à Chevron. O governo fez a escolha oposta. O resto é a história dos dias que correm.

      Ao decidir pelo leilão de Libra está dobrando a aposta. Qual seja: mais importante que adiar Libra para um futuro de hipotética autossuficiência exploratória, é aceitar a participação de terceiros, mas preservar e colher, antes, o essencial. O essencial são os impulsos industrializantes embutidos na regulação soberana das maiores reservas descobertas neste século em todo o planeta.

      Um exemplo resume todos os demais. O Brasil hospeda a maior concentração de plataformas submarinas do mundo. Uma em cada cinco unidades existentes está a serviço da Petrobrás. Em dez anos, essa proporção vai dobrar. Assim como dobra a produção prevista de petróleo em sete anos: dos atuais 2 milhões de barris/dia para 4,5 milhões b/d.

      Entre uma ponta e outra repousa a chance de a industrialização brasileira engatar um salto tecnológico e de escala, ancorado nas encomendas e encadeamentos do pré-sal. Emprego, produtividade, salários e direitos sociais estão em jogo nesse salto. A convergência sonhada entre a democracia política, a democracia social e a democracia econômica depende, em parte, do êxito desse aggiornamento industrializante da economia brasileira.

      O leilão do dia 21 é um pedaço dessa aposta. Que tem a torcida adversa daqueles que não enxergam nenhuma outra urgência no horizonte do desenvolvimento brasileiro, em plena agonia da ordem neoliberal. Exceto recitar mantras do defunto. Na esperança de ganhar tempo para que o desalento faça o serviço sujo: desmoralizar a política e interceptar o salto histórico do discernimento social brasileiro.

      Uma retração econômica redentora cuidaria do resto, injetando disciplina nas contas fiscais e ordem no xadrez político. Para, enfim, providenciar aquilo que as urnas sonegam: devolver a hegemonia do país a quem sabe dar ao ‘progresso’ o sentido excludente e genuflexo que ele sempre teve por aqui.
      por: Saul Leblon

  2. Fontes eólica e solar lideram inscrições no leilão A-3/2013

    —“Com a queda que vem se verificando nos preços dos painéis fotovoltaicos, a geração solar tende a ganhar espaço na matriz elétrica brasileira”—

    —–O Custo Marginal de Referência (CMR) será de R$126,00 MWh. O preço inicial do Produto Quantidade e o preço inicial do Produto Disponibilidade são de R$126,00/MWh. Pela primeira vez poderão participar do leilão empreendimentos de geração solar, na modalidade por disponibilidade, cuja potência seja igual ou maior que 5 MW e Custo Variável Unitário (CVU) igual a zero.—

    As fontes eólica e solar registraram o maior número de inscrições de empreendimentos de geração para o Leilão de Energia A-3/2013, que será realizado pelo Governo Federal em 18 de novembro visando à contratação de eletricidade para abastecer o mercado consumidor do país no ano de 2016. Cadastrou-se junto à Empresa de Pesquisa Energética – EPE um total de 784 projetos, somando capacidade instalada de 19.413 megawatts (MW).

    Para ler mais, clique aqui.(pdf)

    Leilão de Energia A-3 / 2013

    Fontes eólica e solar lideram inscrições no leilão de energia para o ano de 2016
    Rio de Janeiro, 05/09/2013—INFORME À IMPRENSA—Empresa de Pesquisa Energética – EPE
    As fontes eólica e solar registraram o maior número de inscrições de empreendimentos de geração para o Leilão de Energia A-3/2013, que será realizado pelo Governo Federal em 18 de novembro visando à contratação de eletricidade para abastecer o mercado consumidor do país no ano de 2016.
     
    Cadastrou-se junto à Empresa de Pesquisa Energética – EPE um total de 784 projetos, somando capacidade instalada de 19.413 megawatts (MW).
    O resultado do cadastramento reflete o aquecimento do mercado de energia eólica no Brasil:  foram 629 parques geradores e uma oferta de 15.042 MW inscritos na EPE.
    Pela primeira vez participando dos leilões públicos de energia promovidos pelo Governo Federal, a geração solar totaliza 109 projetos do tipo fotovoltaico, somando potência instalada de 2.729 MW;
    e 10 empreendimentos do tipo heliotérmico, com 290 MW.
    Outras renováveis, como biomassa e PCH, registraram boa oferta de energia.

    De acordo com o presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, o número expressivo de projetos solares inscritos no Leilão A-3/2013 mostra o grande interesse por parte dos investidores nesta fonte. “Com a queda que vem se verificando nos preços dos painéis fotovoltaicos, a geração solar tende a ganhar espaço na matriz elétrica brasileira”, avalia. Ele considera ainda que a grande oferta de projetos eólicos garante, desde já, o sucesso do Leilão, em razão dos preços competitivos dos últimos certames.

    URL:

    http://www.epe.gov.br/leiloes/Paginas/Leil%C3%A3o%20de%20Energia%20A-3%2

    Publicado o edital do Leilão de Energia A-3/2013, o primeiro a incluir energia solar

    18-10-2013—Empresa de Pesquisa Energética – EPE

    A Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel publicou no dia 17 de outubro, no Diário Oficial da União (DOU), o aviso de licitação referente ao Leilão de Energia A-3/2013, destinado à compra de energia de novos empreendimentos de geração eólica, solar e termelétrica a biomassa ou a gás natural em ciclo combinado com início de suprimento a partir de 1º/01/2016. O leilão ocorrerrá no dia 18/11/2013. Acesse o edital e outros documentos referentes ao Leilão clicando aqui.

    O Custo Marginal de Referência (CMR) será de R$126,00 MWh. O preço inicial do Produto Quantidade e o preço inicial do Produto Disponibilidade são de R$126,00/MWh. Pela primeira vez poderão participar do leilão empreendimentos de geração solar, na modalidade por disponibilidade, cuja potência seja igual ou maior que 5 MW e Custo Variável Unitário (CVU) igual a zero.

    Uma alteração em relação aos editais anteriores diz respeito à diretriz estabelecida no art. 14 da Portaria MME 226/2013: no caso de indisponibilidade, na data de início de suprimento, das instalações de transmissão necessárias para o escoamento da energia produzida pelo vendedor, existe a obrigação de reconstituição de lastro de venda para o vendedor, ainda que a usina seja considerada apta a entrar em operação comercial. Com isso, previnem-se descompassos entre a geração e a transmissão de energia elétrica.

    As informações são da Assessoria de Comunicação e Imprensa da Aneel

    URL:

    http://www.epe.gov.br/leiloes/Paginas/Leil%C3%A3o%20de%20Energia%20A-3%2

  3. A China e o campo de Libra
             

    A China e o campo de Libra

    19 de outubro de 2013 | 13:48

    O jornalista Paulo Nogueira toca num ponto que já foi abordado pelo Tijolaço algumas vezes, com outro enfoque. A presença da China na parceria com a Petrobrás, explorando o Campo de Libra, é mais vantajosa para o Brasil do que a norte-americana ou britânica. No artigo, Nogueira cita uma economista zambiana que tem abordado as diferenças entre China, Europa e EUA no tratamento dos problemas do continente africano.

    Enquanto Europa e EUA sempre se caracterizaram pela exploração predatória, temperada por um assistencialismo de ongs, a China tem gerado empregos, indústrias e empreendedorismo na África. Nogueira, ao final do texto, dá uma estocada no nacionalismo hipócrita e demagógico de Serra, flagrado pelo Wikileaks prometendo dar o pré-sal a Chevron, petroleira norte-americana.

    *

    Por que é bom torcer para que a China ganhe o leilão de Libra

    Por Paulo Nogueira, no Diario do Centro do Mundo

    Uma questão tem sido virtualmente ignorada — ou deliberadamente distorcida — no controvertido leilão do campo de libra: a presença da China.

    É a chamada boa notícia.

    Torcemos para que a China ganhe. É o melhor parceiro que se pode ter hoje. Em seu excelente livro “The Winner Take All”, que relata a corrida organizada e bem-sucedida chinesa em busca de recursos naturais que garantam seu futuro, a economista Dambisa Moyo mostra como a China rompeu o paradigma ocidental nessa área.

    Tradicionalmente, o ocidente promoveu guerras para tomar posse de áreas ricas em recursos naturais. Por meio das bombas, estabeleceu relações que eram absurdamente desfavoráveis para os países plenos de recursos. Veja o que os Estados Unidos fazem há anos no Oriente Médio, por exemplo, para assegurar petróleo.

    A China, por ter uma natureza diferente, foi por outro caminho, demonstra Dambisa. Busca recursos naturais tendo por base uma relação em que ambas as partes ganhem. (Na brilhante definição do intelectual britânico Bertrand Russell, feita há cerca de um século depois de uma temporada na China, é um ‘país artista’, não feito para guerras.)

    O papel da China na África ilustra perfeitamente isso. Dambisa, economista de prestígio internacional, está familiarizada com o quadro: é natural da Zâmbia.

    Em 2002, conta ela, a China deu 1,8 bilhão de dólares para países pobres africanos. O dinheiro foi empregado em coisas como o treinamento de 15 000 profissionais africanos, a construção de 30 hospitais e 100 escolas e o aumento de bolsas de estudo para estudantes. “Dois anos antes, a China perdoara dívidas de 1,2 bilhão de dólares de países africanos”, narra Dambisa. “Em 2003, perdoou mais 750 milhões de dólares.”

    O comércio bilateral entre a China e a África subiu de 10 bilhões de dólares em 2000 para 90 bilhões em 2009.

    “A China oferece uma alternativa à África ao assistencialismo”, disse Dambisa numa entrevista recente à revista Época. “Estimula o comércio e o empreendedorismo, e cria empregos nas regiões em que está presente. É uma troca ou simbiose. A China é muito melhor para a África do que os Estados Unidos ou a Europa.”


    Dambisa

    Não é à toa que os países africanos, como mostram pesquisas, prefiram amplamente as parcerias com a China, e não com os americanos ou as potências europeias.

    No Brasil, como se vê no livro de Dambisa, a China já é também um parceiro fundamental. Nos seis primeiros meses de 2010, a China multiplicou por 10 seus investimentos no Brasil e os elevou para 20 bilhões de dólares. Com isso, os chineses se tornaram os principais investidores internacionais no Brasil, à frente dos Estados Unidos. A China é hoje, além disso, o principal parceiro comercial do Brasil.

    Faltam ao Brasil recursos para explorar rapidamente o petróleo de Libra? Pena. Que se busquem parceiros, e entre estes não poderia haver ninguém melhor que os chineses.

    É patética, obtusa e demagógica a reação de líderes como Serra. “Agora vamos ficar numa relação de uma quase colônia da China, um neocolonialismo do Brasil em relação aos chineses, o que me parece incrível”, disse Serra esta semana.

    O que diria ele se a parceria estivesse prestes a ser travada com os americanos? Você pode imaginar. Incrível mesmo é alguém ainda dar ouvidos para o bestialógico neonacionalista de Serra.

    Por: Miguel do Rosário

     

  4. Cartas entre Drummond e Jorge de Sena vêm a público

    Foto: Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) no Ministério da Educação e Saúde, no Rio, em 1942

    MAFALDA DE AVELAR
    Colaboração para a Folha, de Lisboa – 19/10/2013

    A 8 de junho de 1978, Carlos Drummond de Andrade publicou, neste jornal, um texto intitulado “Jorge de Sena, também brasileiro”, dando conta de que o poeta português era cidadão brasileiro.

    Hoje toda a correspondência conhecida entre Drummond (1902-1987) e Sena (1919-1978) vem a público, na segunda edição da revista “Granta”, em Portugal.

    A Folha teve acesso a esses inéditos. No total, são três cartas de Drummond e sete cartas de Sena, mais duas mensagens. Juntam-se ainda aos inéditos, uma carta da viúva Mécia de Sena, a respectiva resposta de Drummond e a proposta que Sena faz de Drummond ao prêmio Books Abroad, em 1972, hoje denominado Neustadt Prize.

    “Proposta até hoje inédita e, como tal, praticamente desconhecida”, afirma Jorge Fazenda Lourenço, investigador de Sena há 30 anos e o organizador da publicação destes inéditos, em entrevista à Folha, em Lisboa.

    “Que a brevidade pode ser bela, eis o que esta correspondência vem mostrar”, diz ele, que venceu neste ano o prêmio Jorge de Sena por “Matéria Cúmplice – Cinco Aberturas e um Prelúdio para Jorge de Sena” (2012).

    Como explica o estudioso, apesar de termos “tão poucas cartas, num espaço de tempo tão dilatado –de 1949 (a primeira, de Drummond) a 1975 (última, de Sena)– podemos avaliar uma grande intensidade e admiração na correspondência entre os dois”.

    Drummond deixou, segundo Fazenda Lourenço, um grande lastro na poesia portuguesa do século 20. “Drummond, tal como Manuel Bandeira, desempenhou um papel muito importante no desenvolvimento do modernismo em Portugal. É por isso essa admiração que nós lemos aqui nas cartas”, diz.”Há que ler Sena e Drummond e ver se há mais pontes nos próprios textos um do outro, nos próprios poemas.”

    A viúva Mécia de Sena, com quem o poeta teve nove filhos –dois deles nascidos no Brasil–, diz ter guardadas ainda muitas correspondências do marido com intelectuais, alguns brasileiros. “Ele tinha muitos bons amigos brasileiros”, diz ela em entrevista por telefone em sua casa em Santa Barbara, na Califórnia.

    O tema da revista “Granta” em que as cartas sairão é poder. Para Carlos Vaz Marques, diretor da publicação, o assunto se destaca na proposta de Sena para o Books Abroad.

    “Mostra as questões de poder no mundo literário, nomeadamente quando Sena se refere com alguma acidez aos jogos de influências para a atribuição do prêmio que, naquela altura, era uma espécie de antecâmara do Nobel”.

    A questão do poder da língua portuguesa e da necessidade de reconhecer um escritor da dimensão de Drummond são, sem dúvida, dois dos marcos da mensagem “Apresentação de Carlos Drummond de Andrade” ao prêmio Books Abroad, escrita por Sena. Ligações fortes entre escritores formidáveis.

    GRANTA (PORTUGAL) OUT.2013
    EDITORA Tinta-da-China
    QUANTO € 18 (R$ 53, 299 págs.)

  5. O Zorra Total da Globo

    O programa Zorra Total do sábado 19/10 foi  feito sob medida para desmoralizar a classe política de uma maneira geral, e a Dilma e o ex-presidente Lula de uma maneira particular. Um primor de confusão intencional, ora mostrando a Dilma como uma governante que cede à vigarice dos políticos para governar, ora mostrando uma Dilma autoritária, mas que contribui para que tudo acabe em pizza. Tudo isto num clima de muito achincalhamento e derrespeito para com uma governanta incorruptível, mas com o grave defeito, digo eu, de não ter a coragem e muito menos o apoio da classe política para enfrentar o esquema de  sonegação fiscal que corroi as contas públicas brasileiras e que grava, portanto, os contribuintes mais pobres, esquema este capitaneado de maneira ostensiva pela Rede Globo de Televisão, o câncer que impera e emperra o país na concisa avaliação do saudoso Leonel Briozola. Até quando, nem Deus sabe.

  6. Vinicius de Moraes e o golpe militar

    (Vinicius por seu filho Pedro de Moraes)

    Nos 100 anos de Vinicius de Moraes, republico a investigação do jornalista Marcelo Bortoloti sobre um episódio até hoje nebuloso: a demissão do poeta, diplomata de carreira, do Itamaraty durante a ditadura militar. O texto foi originalmente publicado em maio deste ano no blog do Instituto Moreira Salles (link aqui).

    Para reparar a injustiça, em 2010 o presidente Lula sancionou a lei que concedeu a Vinicius o título de embaixador, em promoção póstuma.

    ***

    Por Marcelo Bortoloti*

    A expulsão de Vinicius de Moraes do Itamaraty é um episódio que sempre se prestou a especulações e lendas. Pelo menos duas versões podem ser contadas sobre o caso. Na mais folclórica e difundida, o poeta teria sido exonerado através de um memorando em que o presidente Arthur da Costa e Silva o chamava de vagabundo. No livro Chega de saudade, Ruy Castro conta que em fins de 1968 Vinicius recebeu o comunicado mergulhado em sua banheira e caiu em prantos, pois adorava o Itamaraty.

    Uma segunda versão, baseada em documentos da ditadura, assegura que ele foi vítima da Comissão de Investigação Sumária, que em 1969 expurgou diplomatas de carreira sob acusação de serem boêmios ou homossexuais. Foi publicada em reportagem do jornal O Globo e também no livro Vinicius de Moraes, produzido pelo Instituto Cultural Cravo Albin. Nesta versão, o algoz do poeta seria o embaixador Antonio Cândido da Câmara Canto, que presidiu a tal comissão inquisidora, e o motivo alegado foi alcoolismo.

    Para quem se interessa pelo tema, nos últimos anos essas duas versões ganharam credibilidade diferente. A primeira ficou sendo a mais anedótica, e a segunda a mais séria e correta. Recentemente, tive oportunidade de vasculhar os maços pessoais de Vinicius no Itamaraty, os documentos do SNI no Arquivo Nacional, o fundo das polícias políticas no Arquivo do Estado do Rio e os acervos privados de diplomatas no CPDOC da Fundação Getúlio Vargas.

    Sobre o episódio específico não restou uma documentação conclusiva. Mas as pistas deixadas levam a acreditar mais na culpa do marechal Costa e Silva do que na do embaixador Câmara Canto. Ao que tudo indica, a exoneração foi ordenada em instâncias superiores e não pela comissão do Itamaraty, e o que mais incomodou os militares foi a suposta falta de assiduidade ao trabalho, e não a postura política ou o comportamento boêmio do poeta.

    Guardiões do Itamaraty

    As restrições quanto ao comportamento boêmio e namorador de Vinicius começaram a surgir dentro do próprio Itamaraty, antes mesmo da ditadura militar. Em 1963, ainda no governo João Goulart, um diplomata de carreira enviou carta ao ministro das Relações Exteriores, João Augusto Araújo Castro, em que chamava a atenção para o que considerava um fato grave.

    Segundo o delator, que assina como Carlos Pourlon, o embaixador Paulo Carneiro foi abordado no aeroporto do Galeão pelos pais de uma jovem de 18 anos que o poeta havia levado para Paris. Estavam preocupados com o destino da moça. Era Nelita de Abreu, quinta esposa de Vinicius. “Os velhos, chorando, imploraram ao embaixador Carneiro que ajudasse sua filha, agora vivendo em companhia de tal indivíduo”, escreveu. Continuava a carta dizendo que não era a primeira jovem a cair em suas mãos, já que, pouco tempo antes, o poeta “traiu miseravelmente um seu amigo Jorge Vargas de Andrade, casado com uma senhora da família Proença”. Era a quarta esposa de Vinicius, Lúcia Proença, de fato subtraída ao amigo.

    (Vinicius e Lúcia Proença)

    O missivista questionava sua designação para trabalhar na Unesco: “Não compreendo como um funcionário possuidor de tão sórdido caráter consegue designação para a Unesco – Paris”. E continuava com uma acusação aparentemente contraditória: “Dizem agora que o tal ‘gênio’ bossa nova virou homossexual…”. O autor lamentava a má influência desse tipo de comportamento sobre os jovens diplomatas e sugeria uma limpeza no Itamaraty, com expurgo dos pederastas e dos amigados, que não tinham casamento formal: “uns amigados com pessoas discretas, outros, mal amigados, afrontando despudoradamente a opinião pública”.

    Não houve consequências maiores. A carta foi parar na mesa do chefe do departamento de administração do ministério, Azeredo da Silveira, que era amigo de Vinícius. O filho do ministro Araújo Castro, Luiz Augusto, diz que seu pai também era amigo e admirador do poeta e que esta carta “mesquinha e odiosa” pode nem ter chegado às mãos dele. Para o embaixador Marcos Azambuja, estudioso da história do Itamaraty, o autor da carta deve ser algum funcionário do ministério, já que está cheia de jargões da diplomacia e é formatada como um memorando interno. Mas avalia que o autor usou um pseudônimo, já que não havia funcionários com este nome na época, e pelo uso da ortografia antiga e a incidência de erros de português, provavelmente seria alguém mais velho e pertencente aos quadros subalternos do Itamaraty.

    O fato é que este tipo de manifestação ganharia força nos anos seguintes. Em janeiro de 1966, já durante a ditadura militar, o embaixador Manoel Pio Corrêa assumiu o cargo de secretário geral do ministério, adotando uma postura pouco tolerante com comportamentos que considerava impróprios. Em seu livro de memórias, O mundo em que vivi, ele diz que, na época, chamou seu chefe de gabinete para lhe dar a seguinte orientação: “Não gosto de diplomatas pederastas; não gosto de diplomatas vagabundos; não gosto de diplomatas bêbados. Quem não se enquadrar em qualquer dessas três categorias nada tem a recear de mim, mesmo por suas opiniões políticas”. No mesmo livro, o embaixador, que não era militar, assume a culpa por ter colocado Vinicius em licença não remunerada, ainda em 1966, como se verá adiante.

    Dois anos depois, com o governo Costa e Silva, o decreto do AI-5 e o consequente acirramento do regime, foi criada a Comissão de Investigação Sumária, medida saneadora proposta pelos militares, que instituíram comissões semelhantes em outros ministérios. No Itamaraty, o objetivo era expurgar funcionários com conduta incompatível com o que se entendiam ser as responsabilidades e o decoro da diplomacia brasileira. A coordenação dos trabalhos coube a Câmara Canto.

    O embaixador se presta facilmente ao papel de vilão, por ter sido um diplomata linha-dura e posteriormente, no Chile, muito próximo do ditador Augusto Pinochet. Mas o relatório final que entregou no dia 7 de março de 1969, com rubrica do ministro das Relações Exteriores, Magalhães Pinto, não reflete plenamente esse sentimento que já borbulhava na casa e que foi reforçado pelo governo militar. Pode-se dizer que ele foi brando em relação ao que os militares esperavam. Isso fica evidente na maneira com que Vinicius foi tratado: “Considerando que a conduta do primeiro secretário Vinicius de Moraes é incompatível com as exigências e o decoro da carreira diplomática, mas em atenção a seus méritos de homem de letras e artista consagrado, cujo valor não se desconhece, a Comissão propõe o seu aproveitamento no Ministério da Educação e Cultura”. De acordo com a comissão, ele deveria ser transferido, e não exonerado.

    (O diplomata Vinicius em Los Angeles)

    Tão esclarecedor quanto esse relatório final é um outro, produzido 20 dias mais tarde pelo departamento de inteligência da Aeronáutica, também acessível no Arquivo Nacional. O autor não se identifica, mas pelas referências trata-se de um coronel da Aeronáutica infiltrado em alguma embaixada brasileira.

    Segundo ele, o decreto que ordenava a criação da Comissão de Investigação Sumária foi, de início, motivo de muita apreensão por boa parte dos diplomatas, que consideravam o AI-5 “um golpe dos gorilas”. Mas o militar diz que a tranquilidade voltou a reinar no Itamaraty quando se soube que a comissão seria criada no âmbito do próprio ministério e presidida por um embaixador. Nesse texto, fica nítida a divisão entre os militares e o pessoal do Itamaraty. Por mais que vigorasse dentro da casa uma rejeição aos boêmios e homossexuais desde o governo João Goulart, o sentimento de grupo falou mais alto na ocasião de caça às bruxas promovida pelos militares. No relatório, o coronel afirma textualmente que o código de honra vigente entre os diplomatas ajudou a “neutralizar a comissão”, diminuindo o tamanho do expurgo. Diz que o ministro Magalhães Pinto teria reduzido o número de processos de 34 para 17 – na verdade, o relatório final da comissão pede exoneração de apenas 15 diplomatas (e 33 funcionários subalternos) e sugere a transferência de Vinicius para o MEC.

    No final do relato, o militar anexou uma lista mais ampla com 86 nomes que deveriam ser investigados, incluindo o do poeta João Cabral de Melo Neto, visto como comunista. E acrescentou: “De par com a necessidade de eliminar do serviço público os elementos improbos ou de conduta irregular, empenha-se por igual o Governo da Revolução em aliviá-lo dos ociosos (…) como era o caso do primeiro secretário Gilberto Chateaubriand, há poucos dias demitido a pedido, ou é ainda o caso do não menos notório primeiro secretário Vinicius de Moraes”.

    Não há documentação que mostre o que aconteceu depois disso: o coronel parece ter sido ouvido apenas parcialmente. No dia 30 de abril de 1969, o Diário Oficial publicou a lista dos diplomatas a serem afastados. Era muito parecida com a relação final de Câmara Canto. Três diplomatas “acusados” de homossexualismo e “insanidade mental” foram absolvidos. E Vinicius foi o único caso de funcionário poupado na lista do embaixador Canto, mas exonerado no decreto oficial.

    Na biografia O poeta da paixão, José Castello também menciona a transferência de Vinicius, mas diz que a incompatibilidade de cargos e funções entre o Ministério das Relações Exteriores e o outro seria o motivo alegado para que ela não fosse aceita. Ocorre que, em 1957, o ministro da Educação e Cultura, Clóvis Salgado, já havia pedido a transferência do poeta, para trabalhar em uma comissão de cinema. O pedido foi negado pelo embaixador José Carlos de Macedo Soares sob a alegação de que Vinicius estava lotado em Paris, e recebia salário pela Delegacia do Tesouro Brasileiro no Exterior. Na mesma resposta, diz que a transferência poderia ser feita quando o poeta fosse removido para a Secretaria de Estado, local onde ele servia no momento da exoneração.

     

    (Vinicius e o poeta João Cabral de Melo Neto em Paris)

    Altas esferas do poder

    Notícia do Correio da Manhã em março de 1969 informava que os nomes apontados na Comissão de Investigação Sumária do Itamaraty seriam submetidos ao Conselho de Segurança Nacional. Este conselho militar daria a palavra final, o que poderia justificar a mudança de punição em relação a Vinicius. Mas o caso dele não aparece na ata da reunião de 29 de abril, que deu origem às cassações do dia 30, e onde não consta nenhum diplomata. Só que no princípio da sessão, o presidente Costa e Silva informou que fez uma triagem nos nomes que seriam submetidos ao conselho naquele dia. A situação de Vinicius pode ter sido analisada pelo próprio presidente ou pelo seu gabinete. “A história que eu sempre ouvi falar em casa é que a ordem partiu realmente de Costa e Silva”, diz a filha do poeta, Georgiana de Moraes.

    Em sintonia com a tese de que o pedido de exoneração veio do andar de cima, o general João Baptista Figueiredo, em entrevista ao jornalista Orlando Brito, publicada na revista Veja, afirmou sobre Vinicius: “Ele até diz que muita gente do Itamaraty foi cassada ou por corrupção ou por pederastia. É verdade. Mas no caso dele foi por vagabundagem mesmo. Eu era o chefe da Agência Central do SNI e recebíamos constantemente informes de que ele, servindo no consulado brasileiro de Montevidéu, ganhando 6 mil dólares por mês, não aparecia por lá havia três meses. Consultamos o Ministério das Relações Exteriores, que nos confirmou a acusação. Checamos e verificamos que ele não saía dos botequins do Rio de Janeiro, tocando violão, se apresentando por aí, com copo de uísque do lado. Nem pestanejamos. Mandamos brasa”.

    A memória do general não estava boa na ocasião da entrevista. Vinicius trabalhou em Montevidéu entre agosto de 1957 e março de 1960, período em que Figueiredo era chefe do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas em Brasília. O general foi chefe da Agência Central do SNI entre 1974 e 1978, bem depois da exoneração do poeta. Na época do episódio, ele não tinha nem assumido o Gabinete Militar da Presidência da República. Não poderia, portanto, estar envolvido no caso.

    Mas Figueiredo estava bem informado quanto às acusações que pesavam sobre Vinicius no meio militar. De fato, ele ficou afastado por três meses do consulado de Montevidéu. Mas essa ausência é justificada em sua ficha pessoal pelo então ministro Horário Lafer em razão de atividades culturais que estava desenvolvendo no Rio de Janeiro. A segunda acusação, de não sair dos botequins do Rio, tem a ver com outro caso já contado pelo embaixador Manoel Pio Corrêa.

    (Foto: Pedro de Moraes)

    No livro O mundo em que vivi, Corrêa diz que, quando assumiu a Secretaria Geral, em 1966, notou que Vinicius praticamente não aparecia no trabalho. Mas que se apresentava todas as noites na boite Zum-zum, tomando vários copos de uísque. Decidiu convocar o poeta, num horário propositalmente cedo, em que ele não costumava estar acordado.

    Escreve o embaixador: “Apresentou-se pontualíssimamente, corretíssimamente vestido de traje escuro e gravata discreta – soube depois que desde mais de um ano ele não havia usado paletó e gravata – com a face escanhoada na qual um corte testemunhava a pressa com que se havia barbeado”.

    Corrêa diz que colocou o poeta em uma poltrona confortável, explicou que era seu fã, mas que o regulamento da casa impedia ao funcionário ter outra atividade remunerada. Com isto, ele deveria escolher o Itamaraty ou uma licença não remunerada para tratar de assuntos particulares. Vinicius teria escolhido a segunda opção.

    Um fato desses deveria estar registrado em sua ficha pessoal no Itamaraty. Não está. Mas, como a documentação referente ao período militar praticamente desapareceu, esse atestado pode ter sido também extraviado da pasta. Pio Corrêa, ainda vivo, mas muito adoentado, não pôde dar entrevista para confirmar a história.

    (Elizeth Cardoso, Vinicius e Baden Powell. Foto: Pedro de Moraes)

    Na biografia O poeta da paixão, José Castello diz que, nessa época, Vinicius se colocou voluntariamente à disposição da Fundação Ouro Preto, ligada ao governo de Minas. Mas, acabado o prazo da licença não remunerada, bateu várias vezes à porta de Pio Corrêa para voltar às atividades, sem conseguir qualquer resposta do embaixador. Segundo a irmã do poeta, Laetitia, ele não tinha mesa nem cadeira, e se recusava a ficar vagando pelos corredores. Justamente neste período veio o AI-5 e a Comissão de Investigação Sumária.

    A imagem de vagabundo que Vinicius mantinha entre os militares estava associada a esses dois episódios. O primeiro, dos três meses de ausência em Montevidéu, justificado em sua ficha. O segundo forçado pela intransigência do secretário geral. Mas foi essa imagem, provavelmente, que o levou à exoneração, ordenada em alguma instância superior do governo, talvez pelo próprio presidente da República. Fosse pela comissão que expurgou homossexuais e alcoólatras do Itamaraty, ele teria chegado até a aposentadoria como funcionário do Ministério da Cultura.

    * Marcelo Bortoloti, jornalista, é mestre em Artes e doutorando em Literatura pela UFRJ. Este texto foi originalmente publicado no blog do Instituto Moreira Salles.

    http://socialistamorena.cartacapital.com.br/vinicius-de-moraes-e-o-golpe-militar/

  7. A Casa da música de Vinicius de Moraes existe de verdade

    Por Juliana Ferreira

    “Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada”. Essa música foi escrita pelo poeta brasileiro Vinícius de Moraes em 1980. Mas ele não inventou essa casa: ela existe de verdade.

    Ela se parece com um grande castelo branco à beira-mar e se chama Casapueblo. Fica no Uruguai, um país que faz fronteira com o sul do Brasil.

    A obra começou a ser construída pelo artista Carlos Vilaró, 89, em 1958. No início, era um pequeno quarto feito com latas. Vilaró conta que fez a casa ladrilho por ladrilho e demorou trinta anos para deixá-la como é hoje.

    “Se um pássaro com um bico constrói sua própria casa, por que não me animar a fazer a minha com minhas próprias mãos?”, diz ele.

     Wesley Santos/Folhapress Vista da Casapueblo, no Uruguai

    Vilaró ainda se lembra de quando Vinicius de Moraes visitava a Casapueblo.

    Cada vez que Vinicius ia ao local, encontrava uma casa diferente, metade construída e metade em escombros. Por isso, Vilaró não tem dúvidas de que o amigo brasileiro fez a música sobre sua construção.

    Vilaró diz que Vinícius cantou a música pela primeira vez lá em sua casa: “Era uma casa muito engraçada, não tinha portas, não tinha nada, era uma casa de pororó, era a casa de Vilaró”. A canção foi um presente para as filhas do uruguaio, Agó e Beba.

    “Essa vez ficou marcada para sempre na minha memória. Talvez, colocando meu nome na letra, quis me homenagear”. Vilaró conta que o poeta brasileiro passava as tardes na casa tocando seu violão.

    Hoje, Casapueblo é um museu, uma galeria de arte e um hotel. Os quartos têm nomes de hóspedes famosos, como o do compositor e cantor Toquinho.

    Toquinho foi convidado por Vinícius para transformar poemas em músicas e participou da produção do disco em que foi gravada a música “A Casa”.

    “A casa é bem diferente, à beira de um penhasco, parece levitar ao pôr-do-sol. Fica a imagem de uma casa engraçada. Sem teto, sem chão, sem parede. Eis a magia da poesia de Vinicius”, diz Toquinho. 

    http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2013/10/1358732-casa-muito-engracada-da-musica-de-vinicius-de-moraes-existe-de-verdade.shtml

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=ipjly96rzxA align:center]

  8. Eleição não é matéria simples

    Carta Maior

     

    19/10/2013 

    Eleições, números e blá, blá, blás

    Eleição não é matéria simples. Aparente platitude antes que as campanhas comecem; é dura realidade quando o dia da votação se aproxima.

     

     

    Wanderley Guilherme dos Santos

     

    Ganhar eleição não é fácil para quem está no governo. E é muito difícil para quem deseja desalojá-los. Em suma: eleição não é matéria simples. Aparente platitude antes que as campanhas comecem; é dura realidade quando o dia da votação se aproxima.

    Com toda fúria de que o vendaval Collor parecia dotado não ultrapassou os 53% do total de votos válidos no segundo turno, em 1989. Aboletado nas conquistas reais e também propagandísticas do Plano Real que o levaram à vitória no primeiro turno, ainda assim Fernando Henrique Cardoso não descolou, em 1994, mais do que 54% dos votos válidos. Com o dístico de que quem acabou com a inflação iria acabar com o desemprego, viria a se reeleger, em 1998, com os mesmos 54% dos votos válidos no primeiro turno.

    É com Lula, em 2002, que a barreira dos 50 e poucos por cento é ultrapassada, destinando-se a ele 61,3% dos votos válidos no segundo turno. Em 2006, novo segundo turno, e outra vez  a maioria dos votos válidos ao vencedor, Lula, alcança 60,9, ou seja, 61% dos votos válidos. Com Dilma, em 2010, não obstante a folgada vantagem que manteve nas pesquisas durante a campanha , a vitória final, no segundo turno, voltou à casa dos 56%.

    Pesquisas são boas e todos gostam delas. Animam ou estimulam o redobrar de esforços dos candidatos. Outra coisa é o núcleo duro do conservadorismo, somado à reação que, na hora h, sempre volta a seu leito principal. Quem diria, meados de 2010, que a candidatura Serra iria tomar o rumo devastadoramente reacionário que perfilhou, e pior, que conquistaria seguidores ao contrário de assustá-los? Bom não esquecer que, para um conservador liberal costuma ser o caso, de nove em dez vezes, de optar por um reacionário ainda mais à sua direita do que arriscar vitória de um candidato de esquerda liberal. É esse movimento, que vale para o lado esquerdo do espectro ideológico, que alimenta a radicalização e afunilamento das campanhas em suas semanas finais. Nesses dias elétricos é que os eleitores flutuantes, que votam menos estrategicamente,  atendendo a seus interesses imediatos, são ganhos ou perdidos e, com eles, vai-se às vezes uma vitória tida por conquistada.

    Um eleitor ideologicamente morno considera o retrospecto dos candidatos e compara seus currículos. Ao escolher o que considera melhor não sabe que deverá compará-lo, proximamente, não a currículos de adversários, mas de acusações secundárias relativas a hábitos de vida, crenças em geral, opiniões aparentemente sem sentido prático mas que, dependendo do contexto, transformam-se em questões candentes e definitivas. Por exemplo: na eventualidade de que se descubram minérios relevantes no subsolo lunar devem ser considerados patrimônios da humanidade ou do país que os tenha descoberto.

    Parece insensato mas muitas das críticas ambientalistas à exploração petrolífera em águas profundas tem a mesma lógica. O emblema da Petrobrás, sem dúvida, faz parte dos resignificados identitários amaldiçoados que freqüentam, nômades, alguns discursos contemporâneos.

    Em linguagem menos pedante, o resignificado identitário significa simplesmente “virar a casaca”. Como muitos e muitas já viraram. É essa mudança de casaca, assim como a escolha da casaca errada por parte dos indecisos, que a competição eleitoral progressista deve evitar, sejam as mensagens das pesquisas as mais alvissareiras que forem. O que ganha eleição são votos. Ponto.

    http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Eleicoes-numeros-e-bla-bla-blas/4/29245

     

  9. Venho alertando aqui no blog

    Venho alertando aqui no blog que o mundo se tornou um barril de pólvora. As manifestações estão acontecendo em todos lugares e a violência ocorre por parte dos manifestantes e da polícia. Os motivos são os mais diversos possíveis. Segue vídeos de algumas manifestações apenas em 2013.

    Na Alemanha:

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=nCGqRDW9C7U%5D

    No Chile:

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=ex4v8mV5waQ%5D

    Na Espanha:

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=MbXTsMsqsMg%5D

    Na Colômbia:

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=C50BnnkrpBg%5D

    No Canadá:

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=JF8Sg-kaRjk%5D

    No México:

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=k67s3fjCMyA%5D

    Na Rússia:

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=dByFUicLMyQ%5D

    Na China:

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=OEzYdXyRdkE%5D

    Na Inglaterra:

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=L1ir_7vgdKg%5D

    Nos EUA:

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=uLHJ6JxKgrk%5D

    Na Argentina:

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=HV7K2D0kGoM%5D

    Na França:

    [video:http://www.youtube.com/watch?v=Cr6XG0-6USs%5D

     

     

  10. França: de polo progressista a conservador na Europa

    França: de polo progressista a conservador na Europa

    Num dos seus mais extraordinários ensaios (O pensamento morno, London Review of Books, setembro de 2004),Perry Anderson traça o percurso intelectual e cultural da França, de polo progressista a bastião conservador na Europa. Afinal a França foi considerada, por Engels, como o laboratório de experiências politicas, o berço das grandes lutas emancipatórias contemporâneas, de 1789, passando por 1848 e pela Comuna de 1871, até chegar ao governo de Frente Popular e às barricadas de 1968.

    Aí terminou o ciclo progressista da França,  que começou um processo de direitização em todos os níveis – do intelectual e ideológico ao social e ao politico. Fator fundamental foi a passagem da classe operaria francesa, de classe que se representava essencialmente nos partidos comunista e socialista, a classe que passou, já há décadas, a votar pela extrema direita, primeiro partido na classe trabalhadora francesa.

    Como foi possível essa mudança radical da classe operária francesa, da esquerda à extrema direita?
     
    Dois fatores foram fundamentais: um, o desenlace da guerra fria, com o fim da URSS e seus efeitos sobre o PCF, com seu enfraquecimento como partido. Ao mesmo tempo, o PSF, depois do primeiro ano do governo de François Mitterrand, deu uma guinada e se somou à globalização neoliberal, de maneira subordinada ao eixo EUA-Grã Bretanha, dirigidos por Reagan e pela Thatcher. Como corolário, se rompeu a aliança histórica entre socialistas e comunistas, com a virada ideológica daquele e o isolamento deste. Assim, o eixo que atraia aos trabalhadores franceses se desfez, com consequências para a representação politica da classe operaria.
     
    Por outro lado, a extrema direita passou a explorar, de forma intensa e efetiva, a imigracao, incentivando as tendências chovinistas e até mesmo racistas dos trabalhadores franceses. Se o primeiro fator foi importante, porque afetou a identidade politica dos trabalhadores, este outro foi decisivo para que outra identidade assumisse aquele vazio. Diminuiu ainda mais o nível de sindicalização dos trabalhadores, para consolidar essa tendencia
     
    Há algumas décadas já que o partido majoritário na classe operaria francesa é a Frente Nacional, o partido da extrema direita, dirigida por Le Pen e agora pela sua filha. Uma mudança de proporções históricas e trágicas para a esquerda francesa e para a esquerda europeia e mundial, pelo que a França tinha representado ao longo do tempo e das grandes lutas que tiveram esse país como palco.

    Agora, pela primeira vez, a extrema direita aparece como o partido mais forte nas pesquisas, seguido pela direita tradicional, com os socialistas em terceiro. As próximas eleições podem repetir – de maneira piorada – o cenário eleitoral de há dez anos, quando o primeiro ministro socialista, Leonel Jospin, ficou em terceiro lugar e a esquerda – tanto socialistas, como comunistas – votaram por Jacques Chirac, pela direita tradicional, no segundo turno, para impedir o triunfo da extrema direita.

    http://www.cartamaior.com.br/?/Blog/Blog-do-Emir/Franca-de-polo-progressista-a-conservador-na-Europa/2/29206

  11. Mesmo com reforço na segurança,

    Mesmo com reforço na segurança, petroleiros prometem ato contra leilão do Campo de Libra

    Douglas Corrêa
    Repórter da Agência Brasil

    Rio de Janeiro – Com a adesão dos petroleiros do Campo de Pargo, sobe para 40 o número de plataformas em greve na Bacia de Campos, no norte fluminense. Dessas, 21 estão sendo operadas por equipes de contingência da Petrobras e duas não aderiram à greve, iniciada na quinta-feira (17), por tempo indeterminado.

    De acordo com o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antonio Moraes, a paralisação na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense, também está com a troca de turno suspensa, mas o abastecimento de gasolina e diesel para os postos de combustíveis não está prejudicado, porque os dutos da refinaria distribuem os derivados de petróleo direto para os tanques das distribuidoras. O mesmo acontece com o gás distribuído pela Companhia de Gás (CEG), que também recebe o produto direto por dutos. O fornecimento para as residências está normal.

    Moraes disse que o uso das tropas federais para garantir a realização do leilão do Campo de Libra, que será no Hotel Windsor Barra, na segunda-feira (21), não impedirá que os petroleiros façam um ato público contra a privatização do campo do pré-sal da Bacia de Santos. “Nós vamos participar do ato, com apoio dos movimentos sociais, mas o mais importante para nós é a manutenção da greve.”

    Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial de 16,53%. A Petrobras oferece aumento de 6,09% (IPCA) no salário-base, além de 7,68% na Remuneração Mínima por Nível e Regime (RMNR), e um abono equivalente a uma remuneração ou R$ 4 mil, o que for maior.

    A Petrobras informa que não dará opinião sobre os motivos da greve dos funcionários e mantém as informações da nota divulgada na quinta-feira. A empresa disse ter adotado medidas para garantir a normalidade das operações “de modo a não haver qualquer prejuízo às atividades da empresa e ao abastecimento do mercado, sendo mantidas as condições de segurança dos trabalhadores e das instalações da companhia”.

    A segurança da região da Barra da Tijuca onde ocorrerá o leilão será feita pelo Exército, com reforço da Marinha, da Força Nacional e da Polícia Militar, a partir da madrugada de domingo (20), com patrulhamento ostensivo na faixa do litoral e nas vias do entorno do Hotel Windsor. A área de atuação das forças de segurança está delimitada pelas avenidas Lúcio Costa, Érico Verissímo, Armando Lombardi, Afonso Arinos de Melo Franco e o Canal de Marapendi.

    O efetivo total empregado na operação terá cerca de 1.100 homens, entre militares e policiais federais e estaduais, policiais civis, guardas municipais e funcionários públicos. Em nota, o Comando Militar do Leste (CML) pede aos motoristas que evitem a região entre o domingo e a segunda-feira, por causa de retenções no tráfego nas vias próximas ao hotel.

    Por determinação da Presidência da República, a prefeitura do Rio vai implantar um esquema especial de trânsito e de transporte na Barra da Tijuca. Em função de pontos de bloqueio estabelecidos pelo governo federal, haverá interdições de vias e alterações nos itinerários de ônibus. As mudanças começarão à 0h de segunda-feira (21) e vão durar até o fim do evento.

    A Avenida Lúcio Costa será interditada no trecho entre as ruas John Kennedy e Deputado José da Rocha Ribas. As autoridades federais recomendam que os moradores devem levar um comprovante de residência e para circular pela área. Os ônibus que passam pela Avenida Lúcio Costa circularão pelas avenidas das Américas, Armando Lombardi e Ministro Ivan Lins.

    Cinquenta agentes, entre guardas municipais e controladores da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio), vão atuar na região orientando os motoristas. Quinze painéis móveis darão informações e orientações sobre as condições do tráfego. O Centro de Operações Rio (COR) vai monitorar a área do evento com câmeras e técnicos da CET-Rio implantarão ajustes na programação dos semáforos, sempre que necessário, com o objetivo de garantir a fluidez do trânsito.

    http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-10-19/mesmo-com-reforco-na-seguranca-petroleiros-prometem-ato-contra-leilao-do-campo-de-libra

  12. Coalizão aumenta pressão por

    Coalizão aumenta pressão por reforma política popular e democrática

    Movimento, que conta com adesão de OAB, CNBB, CUT e UNE, entre outros, quer fim do financiamento privado nas campanhas e a instituição do voto em lista para o parlamento

    Descontentes com as propostas de reforma política até aqui apresentadas pelo Congresso Nacional – com medidas consideradas superficiais – algumas das maiores entidades sociais do país pretendem aumentar a pressão em favor do projeto de iniciativa popular que prevê mudanças profundas no sistema, como o fim do financiamento privado de campanhas eleitorais e do voto uninominal para o parlamento, pontos considerados fundamentais para o combate à corrupção no país.

    Integrantes desse movimento, batizado de “Coalizão Democrática pela Reforma Política e Eleições Limpas”, reúnem-se na próxima quarta-feira (23), em Brasília, para debater as estratégias de mobilização. Fazem parte do grupo a OAB, a CNBB, a UNE, a CUT, o MST e a Contag, entre outras entidades de trabalhadores e movimentos populares.

    Eles irão discutir os rumos da campanha pela coleta de assinaturas para a apresentação do projeto de lei de iniciativa popular, de forma a promover mudanças “que realmente façam a diferença”, conforme destacaram seus coordenadores.

    A mobilização – a mesma que trabalhou pela aprovação da Lei da Ficha Limpa – conseguiu 300 mil assinaturas de apoio popular ao projeto. Para o encaminhamento da matéria ao Congresso e sua consequente formalização, são necessárias 1,5 milhão de assinaturas.

    A proposta para reforma política defendida pelas entidades prevê o fim do financiamento empresarial das campanhas eleitorais. A sugestão é de que passe a ser permitida a contribuição individual no valor máximo de R$ 700 por eleitor e sem ultrapassar o limite de 40% dos recursos públicos recebidos pelos partidos nas eleições.

    Um dos principais motivos da reunião de quarta-feira é o fato de a minirreforma eleitoral aprovada nesta semana no Congresso ter sido considerada mínima em seu conteúdo pelas entidades sociais, que também criticam o trabalho do grupo técnico da reforma política em atuação na Câmara.

    Para o fundador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), o juiz Marlon Reis, a reforma política precisa ser incluída logo na pauta prioritária do país. Reis tem destacado a falta de transparência no sistema eleitoral e a necessidade de se discutir melhor o financiamento de campanhas.

    “Nosso sistema eleitoral está comprometido pela falta de transparência. Peca por não dar ao eleitor uma ideia clara sobre a forma como ele vota. Ninguém entende nosso sistema caótico, que não permite ao eleitor ter uma clara noção das consequências do seu voto. Isso faz o voto outorgado a um candidato beneficiar outro, muitas vezes indesejado”, afirma. Reis lembra como exemplo o que ocorreu em 2010, quando o palhaço Tiririca, hoje deputado federal pelo PR de São Paulo, foi convidado pelo partido para se candidatar como puxador de votos.

    A coalizão sugere, dentre os vários pontos abordados, a extinção do sistema de voto dado ao candidato individualmente, como hoje é adotado para as eleições de vereador, deputado estadual e federal e, em seu lugar, o sistema eleitoral do voto dado em listas pré-ordenadas, democraticamente formadas pelos partidos e submetidas a dois turnos de votação.

    Financiamento obscuro

    Segundo o juiz, essa falta de transparência também afeta o atual modelo de financiamento de campanhas.

    “Ninguém sabe quem doa e quanto doa. Os candidatos não são obrigados a revelar durante a campanha de onde está vindo o dinheiro que a sustenta e isso é muito sério. Viola a Constituição e os compromissos internacionais do Brasil em matéria de direitos humanos. Além disso, não há limites para as doações e muitas empresas participam do processo como forma de participar de licitações fraudulentas no futuro”, colocou.

    O movimento por “Eleições Limpas” conta com o apoio direto da CNBB, cujo presidente, dom Raimundo Damasceno, afirmou no começo do mês durante solenidade que a democracia precisa ser participativa.

    “É preciso regulamentar mecanismos de participação popular, como o referendo, e fazer com que as camadas da sociedade, todas elas, tenham representatividade política”, enfatizou o cardeal na ocasião, também defensor da tese de que os partidos tenham programas sistemáticos de governo.

    Já a OAB tem articulado mobilizações nos estados por meio das suas seccionais. O presidente da comissão criada dentro da Ordem para esse trabalho, o ex-presidente nacional Cesar Britto, destacou que considera o projeto Eleições Limpas “fundamental”.

    “Consiste numa iniciativa de defesa do aprimoramento da democracia e da participação da sociedade. Fazer essa reforma é deixar de estimular o caixa dois, é adotar um novo modelo político e novas regras de financiamentos de campanhas”, frisou.

    Na UNE, que também se prepara para encaminhar representantes para a reunião de quarta-feira, os dirigentes destacam pesquisa feita em junho passado dentro do estudo Agenda Juventude Brasil 2013.

    O levantamento, que tem o propósito de traçar um diagnóstico sobre como pensa a juventude brasileira, mostrou que, de uma lista de problemas que mais incomodam os jovens brasileiros com idade entre 15 e 29 anos, 67% responderam que era a corrupção, sendo este item citado em primeiro lugar por 36% destas pessoas.

    “Defendemos o financiamento público de campanha porque, de fato, empresa não vota. O titular do voto é o cidadão. É fundamental debater o sistema de financiamento”, ressaltou o diretor da entidade Thiago José Aguiar da Silva.

    http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2013/10/entidades-da-sociedade-civil-intensificam-luta-pela-reforma-politica-na-proxima-quarta-feira-1456.html

  13. OMBUDSMAN CONFIRMA ERRO DA

    OMBUDSMAN CONFIRMA ERRO DA FOLHA 

     

     

     

    Jornalista Suzana Singer condena duramente a reportagem que acusava o governo federal de entregar residências do Minha Casa, Minha Vida sem água e sem luz na Bahia; só não havia eletricidade porque os novos moradores ainda não haviam pedido a ligação junto à Coelba, empresa de energia do estado; “Bastava ler o “outro lado” para concluir que a acusação não fazia sentido (…) cabia ao beneficiário do programa pedir a ligação dos serviços (…) acontece o mesmo com quem compra um imóvel sem ajuda federal: é a pessoa que, depois de receber as chaves, aciona o fornecimento de água, luz, gás, telefone”, disse ela; sobre esse erro, Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, também publicou uma análise demolidora sobre o que chamou de “fraude” cometida pelo jornal de Otávio Frias Filho

     

    20 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 08:43

     

    247 – Um erro ou uma fraude jornalística? Neste domingo, a jornalista Suzana Singer, ombudsman da Folha, condena duramente uma reportagem da Folha, publicada na semana passada, que acusou o governo federal de entregar casas sem água e sem luz no âmbito do programa “Minha Casa, Minha Vida”. Era uma mentira, uma vez que as ligações estavam disponíveis e só podem ser ligadas a pedido dos novos moradores – como, aliás, ocorre também na compra de imóveis de luxo.

    “Bastava ler o “outro lado” para concluir que a acusação não fazia sentido. O Ministério das Cidades explicou que as casas foram entregues com instalações elétricas e hidráulicas e que cabia ao beneficiário do programa pedir a ligação dos serviços às empresas de distribuição do Estado. Acontece o mesmo com quem compra um imóvel sem ajuda federal: é a pessoa que, depois de receber as chaves, aciona o fornecimento de água, luz, gás, telefone”, diz Suzana.

    Ao se debruçar sobre o tema, Eduardo Guimarães, titular do Blog da Cidadania e colunista do 247, viu mais do que um simples erro. Apontou uma “fraude” cometida pelo jornal de Otávio Frias Filho. “A fraude, porém, cumpriu seu objetivo. No mesmo dia, na “blogosfera” instalada nos grandes portais, a “denúncia” foi repercutida exatamente sob o viés que a Folha pretendeu dar – acusando a presidente de ‘inaugurar obra inacabada'”, disse ele (leia aqui a íntegra).

    Abaixo, o texto de Suzana Singer, que condena duramente a reportagem da Folha:

    NO ESCURO E A SECO

    A Folha acusou a presidente Dilma de entregar casas sem água nem luz no interior da Bahia. O jornal mostrou, na quarta-feira, que parte das moradias inauguradas em Vitória da Conquista, no programa Minha Casa Minha Vida, estavam no escuro e a seco. Os moradores usavam velas à noite e enchiam baldes nas casas dos vizinhos.

    Bastava ler o “outro lado” para concluir que a acusação não fazia sentido. O Ministério das Cidades explicou que as casas foram entregues com instalações elétricas e hidráulicas e que cabia ao beneficiário do programa pedir a ligação dos serviços às empresas de distribuição do Estado.

    Acontece o mesmo com quem compra um imóvel sem ajuda federal: é a pessoa que, depois de receber as chaves, aciona o fornecimento de água, luz, gás, telefone.

    Os casos relatados indicavam que nem havia um problema exagerado de demora na entrega desses serviços. Apenas uma dona de casa esperava a instalação de luz havia oito dias, três a mais que o prazo dado pela companhia elétrica.

    Diante das explicações dadas pelo governo e pelas concessionárias de serviços estaduais, o jornal deveria ter derrubado a reportagem. Não adianta registrar burocraticamente o “outro lado”, como prega o “Manual da Redação”, mas insistir numa acusação vazia.

    A Redação não concorda. “A informação de que as casas foram entregues sem água nem luz é relevante por mostrar a pressa com que o governo tem organizado essas inaugurações, por motivos obviamente eleitorais. O objetivo da reportagem era mostrar isso e não culpar a presidente pela falta de água e luz”, diz a editoria Poder.

    Se era assim, por que o título dizia “Dilma multiplica viagens e entrega casas sem água e luz”? Em plena campanha (alguém duvida que já começou?), é preciso ser mais rigoroso com as denúncias envolvendo qualquer um dos candidatos. Do contrário, o jornal estará apenas fornecendo matéria-prima para os programas eleitorais de 2014.

     

  14. Quando os protestos não se

    Quando os protestos não se dirigem a quem é de direito.

    S manchetes podem ser chamativas mas os pequenos detalhes das notícias passam desapercebidas. O resultado são acusações contra o Governo Federal. Se um percentual mínimo de quem reclama- e protesta- do governo lessem um mínimo, mudariam o foco de seus protestos e cobrariam mais , e mais facilmente, dos responsáveis.

     Saiu no UOL:

    Auditorias descobrem rombo de mais de R$ 500 milhões no SUS

    E o detalhe mais embaixo:

    A maior parte dos desvios foi constatada em auditorias cuja principal responsável pela gestão dos recursos era a prefeitura (73% do valor), seguido dos Estados (15%). O restante é dividido em clínicas particulares, instituições beneficentes e farmácias.

    Agora, vá falar com quem só quer descer a lenha, para pesquisar um pouco mais.

  15. Publicado no site do

    Publicado no site do SIDIPETRONF:

     

    “Petroleiros de P-33 enviam carta aberta aos presidentes

    19/10/2013 – 20:19

    Leia a integra do documento que protesta contra a venda do campo de Libra enviada pelos grevistas em cárcere privado a bordo de P-33 

    Plataforma Petrobras XXXIII – P-33, 19 de outubro de 2013 

    Ao nosso leitor:

    Os petroleiros da P-33 se dirigem a você para relatar que a algum tempo, nos ensinaram que o futuro do Brasil se faria com lutas. Naquele tempo, estas lutas não passaram de sonhos, mas hoje, se transformam em pesadelo. Um dia me chamaram para derrubar FHC. Um dia me chamaram para combater a corrupção. Um dia me chamaram para fazer feliz o povo brasileiro. Também houve um dia, que me chamaram para defender a Petrobras.

    O PETRÓLEO É NOSSO! Bradavam nosso lema. E hoje estes mesmos senhores que nos inspiravam com belos ideais, colocam tanques de guerra nas ruas numa inversão de valores que não cabe em nossas consciências. 

    À Presidente Dilma Rousseff:

    Nós petroleiros da P-33 viemos te pedir, te implorar, que honre seu passado. Passado que foi passado à limpo, não com um rolo de papel higiênico, mas com torturas dentro do regime militar, defendendo a liberdade social e de expressão, que com força truculenta as polícias do exército tentam nos calar. A senhora hoje está fazendo justamente o contrário que nos ensinou. Nós, os petroleiros, fomos punidos por FHC, pelos tribunais de instancias trabalhistas, e hoje muitos de nós com 30, 40 anos de Petrobras, nos assombramos em ver estas cenas se repetindo nos dias atuais.

    Não seja o algoz dos brasileiros, entregando nossa fortuna em mãos de estrangeiros. Imagine a senhora, quando nossos filhos nos perguntarem: Pai, é esta mulher que um dia você me disse que foi torturada, presa pela ditadura militar defendendo os ideais de luta pelo Brasil? Aquela que combateu os tanques de guerra do FHC na luta pela defesa de Petrobras? Quando eu era pequeno vi o senhor chorando emocionado em frente da TV nos discursos do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, era esta senhora que estava ao lado dele? Quando meu filho me encarar nos olhos, terei a hombridade de dizer que sim, mas que nunca imaginei que a traição chegaria a tal ponto. Irei para as ruas defendendo aquilo que é o seu futuro e o futuro do Brasil. Sra. presidente Dilma, coloque a mão na consciência. Não venda o campo de Libra!

    Ao Sr. Ex-Presidente Luís Inácio Lula da Silva:

    Não faça do povo brasileiro e dos petroleiros massa de manobra! Não nos venda para o capital estrangeiro. E que se transforme no espelho que um dia transformou nossas vidas, balizado também em seu passado. Entre também Sr. Presidente com uma ação de liminar em nome do PT e mostre o que o Sr. nos ensinou. Não jogue na lixeira das consciências de quem um dia acreditou no seu projeto para o Brasil. 

     À Presidente Dilma Rousseff:

    Nós petroleiros da P-33 viemos te pedir, te implorar, que honre seu passado. Passado que foi passado à limpo, não com um rolo de papel higiênico, mas com torturas dentro do regime militar, defendendo a liberdade social e de expressão, que com força truculenta as polícias do exército tentam nos calar. A senhora hoje está fazendo justamente o contrário que nos ensinou. Nós, os petroleiros, fomos punidos por FHC, pelos tribunais de instancias trabalhistas, e hoje muitos de nós com 30, 40 anos de Petrobras, nos assombramos em ver estas cenas se repetindo nos dias atuais.

    Não seja o algoz dos brasileiros, entregando nossa fortuna em mãos de estrangeiros. Imagine a senhora, quando nossos filhos nos perguntarem: Pai, é esta mulher que um dia você me disse que foi torturada, presa pela ditadura militar defendendo os ideais de luta pelo Brasil? Aquela que combateu os tanques de guerra do FHC na luta pela defesa de Petrobras? Quando eu era pequeno vi o senhor chorando emocionado em frente da TV nos discursos do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, era esta senhora que estava ao lado dele? Quando meu filho me encarar nos olhos, terei a hombridade de dizer que sim, mas que nunca imaginei que a traição chegaria a tal ponto. Irei para as ruas defendendo aquilo que é o seu futuro e o futuro do Brasil. Sra. presidente Dilma, coloque a mão na consciência. Não venda o campo de Libra!

    Ao Sr. Ex-Presidente Luís Inácio Lula da Silva:

    Não faça do povo brasileiro e dos petroleiros massa de manobra! Não nos venda para o capital estrangeiro. E que se transforme no espelho que um dia transformou nossas vidas, balizado também em seu passado. Entre também Sr. Presidente com uma ação de liminar em nome do PT e mostre o que o Sr. nos ensinou. Não jogue na lixeira das consciências de quem um dia acreditou no seu projeto para o Brasil. 18 de outubro de 2013 Página 2

    Sra. Presidente Graça Foster:

    A Sra. nos faz lembrar um passado recente, onde a categoria petroleira, defendendo um patrimônio público nacional. Nossa categoria enfrentou os canhões e revólveres na Av. República do Chile, quando FHC assaltou o 12º andar da Petrobras, roubando todos os dados de estudos e mapeamentos geológicos que a Petrobras detinha, alegando precisar de subsídios para a fundação da Agencia Nacional de Petróleo. Hoje, estes mesmos canhões se encontram nas ruas direcionados para nossas cabeças, direcionados para as cabeças do povo brasileiro, impondo grande prejuízo à nação como nas grandes ditaduras dos países de terceiro mundo. A Sra. presidente deveria ter ao menos hombridade, e a qualquer custo, até mesmo com sacrifício que nós petroleiros temos a capacidade de realizar, ou utilizando o lucro acumulado da Petrobras, e recompre aquilo que já é nosso. A Sra. tem a oportunidade de entrar para a história como uma das maiores empreendedoras que esta companhia já teve. Mostre que a Petrobras tem corpo técnico capaz de desenvolver o campo de libra. Devemos utilizar a riqueza que pertence ao povo brasileiro, e mostrar nosso orgulho de ter uma presidente empreendedora capaz de utilizar o orçamento de uma empresa para possibilitar a transformação de um país.

    Ao senhor José Eduardo Dutra:

    Sabemos que o Sr. é o conselheiro da presidência da Petrobras. Sabemos de suas lutas dentro do PT pelos ideais da soberania nacional. O Sr. conhece muito bem os mecanismos que regem o sistema BR. Nosso passado de luta que o Sr. mesmo reconheceu quando readmitiu aqueles perseguidos por FHC, anistiando os petroleiros da grande greve de enfrentamento de 1995. Por conhecer sua história, nós petroleiros te pedimos mais um favor: Interceda no ato da venda do Campo de Libra, para que o mesmo fique nas mãos da Petrobras. Mostre a nós petroleiros, filiados ou não ao PT, que aqueles ideais que vocês nos ensinaram ainda estão vivos. Estamos perplexos com o rumo que o governo tem dado a situação, ficando anestesiados a ponto de não reagirmos.

    Não ficaremos calados! A resposta virá em breve.” 

    _______________________________________________________________

    Traídos e profundamente desapontados.

    É exatamente assim que nós, os petroleiros, estamos nos sentindo nesse momento: covardemente traídos e apunhalados pelas costas por Lula e por Dilma Rousseff, ele por não se pronunciar sobre esse crime que se está cometendo com relação ao Campo de Libra (quantos e quais mais no futuro?), ela por está desdizendo tudo aquilo que afirmava até pouco tempo, a noção e defesa da soberania brasileira jogadas no ralo das desculpas esfarrapadas da necessidade de pressa na operação dos campos, implicitamente dizendo ao povo que nós e a Petrobrás não temos condições técnicas e humanas de colocá-los pra funcionar adequadamente e no prazo que o Brasil requer, numa palavra, esse governo está dizendo que nós, os petroleiros brasileiros, somos, num certo sentido, incompetentes.

    É duro constatar isso Sr Luis Inácio e Sra Dilma Rousseff, mas lembrem-se, a História é um dos juízes mais pacientes e implacáveis que existem e não costuma premiar a traição dos povos.

      

  16. Esnobada na ONU

    Organizações Unidas do Faz de Contas

    Sauditas rejeitam assento no Conselho de Segurança para protestar contra as suas falhas 

    A ação de Riad foi um voto de desconfiança nos membros permanentes: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.

    Eleito como um dos 10 membros não permanentes do Conselho de Segurança, a Arábia Saudita rejeitou o assento em protesto contra o fracasso do órgão da ONU para resolver a questão Síria e de outras crises do Oriente Médio, incluindo o conflito entre Israel e a Palestina.

    “O reino saudita percebe que o método, o mecanismo de trabalho e os padrões duplos exercidos pela ONU, impedem  que o Conselho de Segurança possa arcar adequadamente com as suas responsabilidades com a paz mundial”, disse o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado divulgado pela agência de notícias estatal SPA.

  17. Não sei se já foi publicado

    Não sei se já foi publicado aqui, mas, para todo efeito, é válido disponibilizar a crítica da ombudsman da Folha de São Paulo, Suzana Singer, à reportagem da Folha que acusava o Governo Federal de entregar casas do Minha Casa Minha Vida sem água e sem luz. A crítica da ombudsman se direciona ao óbvio: nenhuma residência, seja popular seja de luxo, é entregue com água e luz pelas contrutoras, haja visto que a responsabilidade de solicitar estes serviços é do proprietário do imóvel junto às empresas competentes.

    NO ESCURO E A SECO / Suzana Singer (Ombudsman da Folha de São Paulo)A Folha acusou a presidente Dilma de entregar casas sem água nem luz no interior da Bahia. O jornal mostrou, na quarta-feira, que parte das moradias inauguradas em Vitória da Conquista, no programa Minha Casa Minha Vida, estavam no escuro e a seco. Os moradores usavam velas à noite e enchiam baldes nas casas dos vizinhos.Bastava ler o “outro lado” para concluir que a acusação não fazia sentido. O Ministério das Cidades explicou que as casas foram entregues com instalações elétricas e hidráulicas e que cabia ao beneficiário do programa pedir a ligação dos serviços às empresas de distribuição do Estado.Acontece o mesmo com quem compra um imóvel sem ajuda federal: é a pessoa que, depois de receber as chaves, aciona o fornecimento de água, luz, gás, telefone.Os casos relatados indicavam que nem havia um problema exagerado de demora na entrega desses serviços. Apenas uma dona de casa esperava a instalação de luz havia oito dias, três a mais que o prazo dado pela companhia elétrica.Diante das explicações dadas pelo governo e pelas concessionárias de serviços estaduais, o jornal deveria ter derrubado a reportagem. Não adianta registrar burocraticamente o “outro lado”, como prega o “Manual da Redação”, mas insistir numa acusação vazia.A Redação não concorda. “A informação de que as casas foram entregues sem água nem luz é relevante por mostrar a pressa com que o governo tem organizado essas inaugurações, por motivos obviamente eleitorais. O objetivo da reportagem era mostrar isso e não culpar a presidente pela falta de água e luz”, diz a editoria Poder.Se era assim, por que o título dizia “Dilma multiplica viagens e entrega casas sem água e luz”? Em plena campanha (alguém duvida que já começou?), é preciso ser mais rigoroso com as denúncias envolvendo qualquer um dos candidatos. Do contrário, o jornal estará apenas fornecendo matéria-prima para os programas eleitorais de 2014.

  18. TV tenta sair da crise

    TV aberta tenta evitar crise turbinando atrações nas redes sociais

    PUBLICIDADE

      

    NELSON DE SÁ
    DE SÃO PAULO

    A audiência de TV só faz cair. Executivos passaram a defender o negócio destacando o “buzz”, a conversa que seus programas provocam. Mas é uma conversa em outra plataforma, tanto de audiência quanto de publicidade: as redes sociais. Para sobreviver, a TV olha esperançosamente para Twitter e Facebook, a “segunda tela”.

    As duas redes sociais olham de volta, interessadas principalmente nas transmissões ao vivo. Como nos Estados Unidos, onde ambas vêm disputando parcerias com as emissoras, a corrida já começou no Brasil. O Twitter saltou na frente e fechou seu primeiro acordo com a Globosat, programadora de TV paga da Globo, para as transmissões do Rock in Rio.

    A ferramenta usada foi o Amplify, recém-lançado pelo Twitter. “É o nome do serviço que é levado ao mercado publicitário, em parceria com a TV”, diz Carlos Moreira Jr. –executivo também recém-contratado pelo Twitter Brasil, vindo de empresas de entretenimento ao vivo como Geo, da mesma Globo, e Esporte Interativo.

    Danilo Bandeira/Editoria de Arte/Folhapress

    “Você cria uma oportunidade para o anunciante, que pode recortar um pedaço do conteúdo e entregar para a audiência que está conversando sobre aquele conteúdo, no Twitter”, explica. No caso, tuítes com vídeos do Rock in Rio, tirados do Multishow, da Globosat, foram “promovidos” pela empresa Garnier (marca Fructis).

    Seja por influência desses tuítes publicitários ou não, o segundo fim de semana do festival conseguiu liderar a conversa sobre TV paga no Twitter brasileiro –de acordo com o ranking TTV, do Tuilux, um serviço de análise de TV social. Metallica e Bon Jovi fizeram as apresentações de maior “buzz”.

    Mal terminou a parceria do Twitter com a Globosat, no Rock in Rio, e o Facebook fechou seu primeiro acordo do gênero –com o Esporte Interativo, empresa brasileira que é ligada à programadora Turner e negocia direitos de transmissão de futebol, montando também seus canais próprios de TV paga.

    Questionado sobre a movimentação do concorrente, Moreira declarou que “o que diferencia o Twitter dos outros ‘players’ é sua plataforma aberta, que está no seu DNA”. Segundo ele, “qualquer outra plataforma tem dificuldade”, por restrições de tecnologia e privacidade, para as conversas em torno de conteúdo público.

    Procurado, o Facebook se negou a comentar, “desta vez”, mesmo sendo alertado sobre as críticas.

    NOVELA E FUTEBOL

    Não começou agora a atenção com a “segunda tela”. No ano passado, o Laboratório de Estudos sobre Internet e Cibercultura (Labic), da Federal do Espírito Santo, já realizou a “cartografia” –o mapa com as interações no Twitter– do final da novela “Avenida Brasil” e depois da final do Mundial interclubes, com o Corinthians.

    Os mapas resultaram “densos” de tuítes. “Sem dúvida, novela e jogo dão tuíte para caramba”, diz Fabio Malini, coordenador do Labic e fã de futebol. “Já virou vício meu acompanhar o [locutor] Silvio Luiz no Twitter quando tem jogo. Ele comenta, ‘grita’ gol. Quando é ao vivo, é muito mais interessante.”

    Malini diz que a repercussão é maior no Twitter “porque o usuário do Facebook não gosta de pessoas que ficam publicando vários posts”. Mas anota que o fenômeno já chegou ao aplicativo WhatsApp, serviço de mensagens curtas em smartphones. “Agora tem comunidades inteiras no WhatsApp para a hora da novela.”

    Raquel Recuero, que coordena outro centro de referência nos estudos de redes sociais no Brasil, na PUC de Pelotas (RS), também já montou mapas sobre a “segunda tela” e confirma: “É um fenômeno que a gente observa direto, direto”. Mas não chega a ser uma novidade, na internet brasileira.

    “As pessoas já falavam no Orkut sobre o que estavam vendo na TV”, diz ela, levantando dúvidas quanto ao modelo de negócios que vem sendo buscado agora por Twitter e Facebook. “Na verdade, o único modelo de negócios que a gente tem até hoje na internet é publicidade. Mas como fazer publicidade sem ferir os usuários?”

    Para Recuero, “essa apropriação do que as pessoas falam dos programas tem que ser tratada com cuidado, porque a forma de monetizar pode não ser bem aceita”.

     

  19. EM BUSCA DOS JOVENS

    Campanha eleitoral virá com discurso jovem e fórmula velha de fazer política, dizem especialistas

    Marqueteiros traçam estratégias para entender grito das ruas e conquistar 55 milhões de votos

    Texto: -A +A

    Juliana Zorzato, do R7

    Presidenciáveis estão de olho na fatia jovem do eleitoradoMontagem/R7

    Empolgados com a oportunidade de abocanhar a parcela de jovens eleitores insatisfeitos com a situação política atual, os pré-candidatos a cargos eletivos em 2014 já mudaram o discurso nos programas partidários na TV. 

    A forte rejeição aos partidos políticos em geral, observada nas ruas durante as manifestações de junho, se tornou munição para os marqueteiros políticos.

    Com base no grito das ruas, eles querem alavancar a propaganda pessoal dos candidatos, de acordo com especialistas ouvidos pelo R7.

    Para as eleições do ano que vem, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mais de 140 milhões de brasileiros devem ir às urnas. Deste total, quase 55 milhões são eleitores com idades entre 16 e 34 anos, ou seja, os jovens e adultos jovens (ver gráfico abaixo). É justamente essa fatia do eleitorado a que mais se manifesta nas redes sociais, com linguagem e agilidade próprias. Por isso, ganharam posição central no radar dos políticos brasileiros.

    Alternativa à TV e ao rádio, redes sociais prometem esquentar debate político nas eleições de 2014

    Ativo no Facebook, Anonymous assume liderança das manifestações pelo Brasil

    O coordenador do MBA em marketing político da USP (Universidade de São Paulo), Victor Aquino, afirma que, apesar da expectativa de uma mudança de atitude para as próximas eleições, tudo ficará apenas no discurso. Aquino diz que não há sinceridade na política, somente marketing.

    — A tendência é pensar que as coisas vão mudar por causa das passeatas, então todos os partidos e os políticos vão usar um tipo de linguagem para se colocar ao lado das manifestações. Mas só em princípio. Porque o modo de fazer política no Brasil é antigo, é meramente marketing, não há sinceridade. Após as eleições, o político brasileiro vai continuar sendo exatamente o que é.

    A professora de marketing político e campanhas eleitorais da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) Rosemary Segurado vai além. Ela acredita que ganhar uma eleição pode até “ser fácil” com uma boa campanha publicitária, mas não garante que a gestão será satisfatória.

    — As manifestações organizadas pelas redes sociais, mesmo desorganizadas, foram legítimas, e surtiram efeito, dando um susto no político antigo e antiquado. Mas ainda é muito pouco para estabelecer uma mudança efetiva. Não dá para avaliar se na próxima eleição elas [as manifestações] estarão maduras o suficiente para termos resultado, uma consequência dessa participação política por rede social. Mas pode ser um caminho, uma porta de entrada para que aconteça a mudança.

    Redes sociais

    Para a professora da PUC-SP, as redes sociais devem ter um papel fundamental na Eleição 2014, principalmente como meio de interação entre usuários interessados em contrapor os meios de informações tradicionais.  

    — As redes sociais servirão principalmente para fazer a contraposição com os grandes meios, a cobertura eleitoral deles não é neutra, eles têm preferências e as privilegia.

    Outro ponto a favor do ambiente virtual que a professora destaca são os debates de temas polêmicos, diz Rosemary.

    — As redes sociais vão trabalhar com debates “subterrâneos” no campo da política. Nos já vimos isso na última eleição, inclusive, com temas polêmicos como aborto sendo discutidos num ambiente no qual a visibilidade é grande, mas onde você consegue se esconder, diferente da TV, que mostra quem você é.

    Quarta manifestação contra aumento da tarifa de ônibus em SP é marcada por tumulto e detenções

    Leia mais sobre Eleições 2014 no R7

    Para Aquino, o problema dessas redes é a desorganização, a falta de permanência e o esquecimento. Para ele, mesmo legítimo, nem tudo que circula no universo virtual é confiável e duradouro. Por isso, acaba beneficiando os políticos.

    — A política foi transformada em profissão, e os políticos estão há muito tempo nisso. Alguns há mais de 15, 20 anos. E eles percebem intuitivamente a desorganização dessas manifestações em massa e passam a querer dominá-las. Eles sabem que a insatisfação tem data para acabar e se beneficiam disso. É isso que vai acontecer, eles vão focar nos jovens, mas, no final, só vai ficar no que a gente chama de discurso.      

     

  20. o tiro pela culatra

    Armas avançadas dos EUA foram roubadas e vendidas no exterior

    World Tribune | 17 Outubro 2013

    A comunidade de inteligência americana descobriu que uma enorme quantidade de armas da Líbia foi transferida para a Irmandade Muçulmana e insurgentes alinhados com a Al Qaeda do Egito.

    Ironicamente, o equipamento foi enviado pelos Estados Unidos para treinar o exército libanês e garantir a segurança interna do país.

     

    Autoridades disseram que os equipamentos de visão noturna e até mesmo veículos blindados  foram roubados de bases do exército líbio e desviados para a Irmandade Muçulmana.

    Autoridades do Ministério da Defesa egípcio, de acordo com informações compartilhadas com o Departamento de Defesa dos EUA, afirmaram que “há evidências de que a Irmandade Muçulmana comprou alguns dos equipamentos”.

    Os relatórios informam que peças do armamento americano foram capturadas nos ataques da fraternidade e das milícias ligadas à Al Qaeda na Península do Sinai e no continente Africano,

    “Todos os equipamentos que os EUA trouxe ao longo dos últimos meses foram roubados e vendidos no exterior”, disse um funcionário. 

    O Egito encontrou as evidências de que os insurgentes já estavam usando óculos de visão noturna para ataques a infraestrutura crítica, incluindo o Canal de Suez.

    Em 5 de outubro, as autoridades egípcias anunciaram a prisão de um suspeito em um ataque com granadas-foguete em uma instalação satélite estatal no Cairo. 

    Em setembro, a rede Fox News dos EUA informou que dezenas de veículos blindados da GMV, equipados com avançados sistemas de navegação e lançadores de granadas de fumaça, desapareceram da Líbia.

    “Junto com os blindados da GMV, centenas de armas estão agora desaparecidas, incluindo cerca de 100 pistolas Glock e mais de 100 fuzis M-4”, informou a Fox no dia 2 de setembro.

    “Mais preocupante, de acordo com as fontes, é que parece que quase todos os óculos de visão noturna também foram levados. Esta é uma tecnologia avançada que dá a poucos combatentes uma grande vantagem no campo de batalha”.

    Autoridades disseram que os militares dos EUA perderam o controle da maior parte de seus equipamentos na Líbia. 

    Eles reconheceram que militares e pessoal de segurança foram retirados da Líbia em meio a ataques das milícias aliadas da Al Qaeda, em Benghazi e em outras partes do país.

    O equipamento americano roubado da Líbia era para ter sido usado para treinamento de integrantes do Comando de Forças Especiais dos EUA. 

    “Ironicamente, todo esse equipamento foi trazido para ajudar a treinar o exército líbio e, em vez disso, ele está indo para o nosso maior inimigo e poderia desestabilizar o vizinho Egito e a Tunísia.”

    Imagens:

    A charge: http://righttruth.typepad.com/right_truth/2013/09/hundreds-of-us-guns-stolen-in-libya-in-militias-hands.html

    O blindado: http://therealrevo.com/blog/?p=105242) e a char

  21. O Espião Alado

    Hezbollah afirma ter capturado águia usada para espionagem israelense

    A rede Al-Manar TV, afiliada ao Hezbollah, transmitindo a partir de Beirute, no Líbano, mostrou as imagens de uma águia, supostamente, armada com equipamentos de espionagem com a inscrição da palavra ‘Israel’ em uma das pernas.

    de acordo com as informações, a suposta ave espiã foi capturada na cidade libanesa de Achkout por caçadores amadores que perceberam os equipamentos de transmissão ligados à sua perna, indicando a sua ligação com a Universidade de Tel Aviv.

    [video:http://youtu.be/ZzhOAsSk2hY%5D

    O ornitólogo israelita Yossi Leshem disse, na quinta-feira, que ele estava seguindo o pássaro para uma pesquisa e que ficou ‘incrivelmente frustrado’ com o prejuízo causado pela captura da ave.

    Leshem, um professor da Universidade de Tel Aviv, especializou-se nos estudos da águia de Bonelli ao longo de décadas e disse que elas estão em grande perigo, com apenas nove pares em idade de acasalamento em Israel.

     

    • Como eu sempre disse. Esse

      Como eu sempre disse. Esse negócio de povo na rua sempre é para promover desgraça. Não por acaso que sempre que mais de três pessoas branco se encontram em alguma praça cubana os guardas tem ordem de sentar o porrete

  22. Nassif, cometi o erro de uma

    Nassif, cometi o erro de uma única vez selecionar a caixa “recebermail para comentários” ao fazer um comentário.

    Agora essa caixa vem marcada por padrão ad eternum e para cada comentário eu tenho que desmarcar a caixa.

     

    Em nome de Jesus Cristo, alguém me ajude.

     

    PS. Sou ateu.

  23. será que esse cara entende de petróleo?

    o da foto sabemos que não entende nada de nada.

    é o outro:

    http://www.viomundo.com.br/denuncias/gabrielli-modelo-adotado-em-libra-parece-o-de-fhc.html

    Denúncias

    Gabrielli: Modelo adotado em Libra parece o de FHC

    publicado em 20 de outubro de 2013 às 16:24

    Gabrielli, ex-presidente da Petrobrás: leiloar Libra vai na contramão da lei da partilha



    Volta a modelo de concessão impede que Estado tenha a maior parcela do óleo e viola a lei aprovada em 2010

    Por: Carlos Lopes/Hora do Povo, via CUT, via Maria Frô, sugerido pelo FrancoAtirador

    25/07/2013

    Armadilha do bônus de R$ 15 bilhões feita pela ANP prejudica a estatal e está “mais próximo da concessão de FHC do que da partilha”

    A entrevista de Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobrás no governo Lula, ao jornalista Paulo Henrique Amorim, sobre o leilão do campo de Libra, no pré-sal, é uma fundamentada denúncia – ainda que com a forma educada que caracteriza o entrevistado – de que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Ministério das Minas e Energia (MME), para entregar às multinacionais a maior reserva do mundo, estão, premeditadamente, “contornando”, eludindo, trapaceando a nova lei do petróleo, assinada por Lula em 2010.

    Como diz Gabrielli, “quando houve a transformação do regime regulatório do petróleo no Brasil, em 2010, essa mudança ocorreu porque, com a descoberta do pré-sal, os riscos de exploração passaram a ser pequenos. (…) O regime anterior, o regime de concessão [lei nº 9.478, de 1997]era adequado para áreas de alto risco exploratório. Esse regime exige, na entrada, um bônus alto, porque o concessionário passa a ser o proprietário do petróleo a ser explorado – e, portanto, ele vai definir a priori quanto vai dar ao Estado”.

    Realmente, o que motivou a lei de Lula foi, exatamente, que as imensas reservas petrolíferas do pré-sal não ficassem submetidas à lei das concessões de Fernando Henrique, que entrega todo o petróleo a quem o extrair, em leilões cuja disputa se concentra no “bônus de assinatura” – uma espécie de “luva”, paga em dinheiro.

    O suposto fundamento dessa lei estava em que o vencedor do leilão não sabia se ia – ou não – encontrar petróleo.

    Mas o pré-sal é um oceano subterrâneo de petróleo. Que sentido há nas multinacionais pagarem alguns caraminguás para procurar petróleo em um oceano de petróleo?

    Com a nova lei (lei nº 12.351 de 2010), que instituiu o regime de partilha de produção para o pré-sal, ressalta Gabrielli, “a lógica da competição é outra. Como diminui o risco de exploração – ou seja, se vai ou não encontrar petróleo – o grande elemento a definir passa a ser como partilhar o lucro futuro. Então, o grande elemento deve ser a participação no lucro-óleo que deverá voltar ao Estado”.

    HISTÓRIA


    Nas palavras do ex-presidente da Petrobrás, “Libra é realmente um caso excepcional. Libra é realmente um prospecto extraordinário. A Petrobrás, contratada pela ANP, fez a descoberta. Fez as perfurações exploratórias iniciais, já tem uma cubagem mais ou menos conhecida com volume e potencial já conhecidos, e ele é hoje não só o maior campo do mundo, mas da História. Se você pensar em um preço de valor adicionado (preço de exploração) de 10 dólares o barril, vezes, por baixo, 10 bilhões de barris, são 100 bilhões de dólares”.

    A rigor, pela nova lei, que rege o pré-sal, o campo de Libra é uma “área estratégica” (artigo 2º, inciso V da lei nº 12.351) e, como consequência, é caso em que “a Petrobras será contratada diretamente pela União para a exploração e produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos sob o regime de partilha de produção” (artigo 12 da mesma lei).

    No entanto, a ANP e o MME não somente passaram por cima desse artigo da lei, como estão tratando Libra como se estivesse sob o antigo regime de concessão.

    No regime de partilha de produção, o pagamento inicial, o “bônus de assinatura”, perde importância – aliás, nem deveria existir –, pois a disputa, como diz o nome, é em torno da partilha.

    A fixação do “bônus de assinatura” em R$ 15 bilhões, obviamente colocou a ênfase neste – como é característica da lei das concessões de Fernando Henrique – e não na partilha da produção.

    Como aponta Gabrielli, “à medida que você coloca um bônus muito alto, a partilha do lucro no futuro é menor. Ao fixar o bônus alto, você tem uma visão de curto prazo, na exploração e no desenvolvimento de um recurso que já tem o grau de confirmação muito alto – não há dúvida de que tem petróleo lá (…). Mesmo com a certeza de que lá tem petróleo, você submete todo o ganho potencial futuro do Estado a uma parcela menor – o que é ruim, no novo conceito de partilha. Nessa operação de R$ 15 bilhões, o governo vai receber de imediato, mas a consequência disso é que, no lucro do futuro, o governo vai ficar com uma fatia menor”.

    Obviamente, num campo com tal reserva, o lucro do futuro é muito – mas muito mesmo – maior que esses R$ 15 bilhões, que, a curto prazo, servem para beneficiar quem tem maior poder financeiro.

    Com efeito, toda a lógica da nova lei está em garantir:

    1º) Que as áreas estratégicas – definidas como as de “interesse nacional” – sejam não apenas operadas, mas exploradas pela Petrobrás, dispensado qualquer leilão.

    2º) Que nos casos em que houver leilão, a definição do consórcio ganhador seja em função da maior quantidade de petróleo (ou gás e outros hidrocarbonetos) para a União. Essa é a essência do regime de partilha de produção: definir a maior parte possível em óleo para o país.

    PRIVILÉGIO


    No momento atual, a Petrobrás está desenvolvendo os campos do pré-sal que a lei reserva a ela sob “cessão onerosa” (campos pagos à União com ações da Petrobrás): “ela tem quase 15 bilhões de barris de reserva, adquiriu o direito de produzir mais 5 bilhões através da cessão onerosa, portanto, tem 20 bilhões de barris para desenvolver”, nota Gabrielli.

    Nessa situação, o “bônus de assinatura” de R$ 15 bilhões privilegia quem tem maior poder financeiro – ou seja, as multinacionais.

    Pois, além dos 20 bilhões de barris que a Petrobrás tem para desenvolver, pela nova lei, a empresa é a operadora única no pré-sal, com um mínimo de 30% de qualquer consórcio: “Então, ela vai ser a operadora do campo de Libra, tendo ou não aumentada sua participação de 30%. Como ela vai entrar com 30% do campo, ela vai ter que pagar 4,5 bilhões – 30% de 15 bilhões é 4,5 bilhões. Isso é um dreno importante no caixa da Petrobrás, nesse momento. Porque Libra é um campo a mais de um portfólio já bastante robusto que a Petrobrás tem hoje, talvez um dos melhores portfólios de desenvolvimento e produção do mundo”, diz Gabrielli.

    A política do governo, no entanto, é entregar o “maior campo da História” a um preço irrisório para o total da reserva – o bônus de assinatura mais, nos próximos 35 anos, apenas 40% do óleo – contentando-se com a engorda de um superávit primário (reserva para juros) apetitoso para os bancos.

    “Eu me vejo na situação de fazer uma comparação com o processo de privatização do governo Fernando Henrique, que acelerou ou depreciou os valores de venda no processo de privatização para fazer caixa e segurar a moeda”, comentou o ex-presidente da Petrobrás.

    Há, correlacionado com este, outro problema – e estratégico, por definição.

    A lei de Lula sobre o pré-sal evita o privilégio às multinacionais, estabelecendo, em caso de leilão, a disputa em torno de quantidades de óleo para a União, e não de pagamentos em dinheiro.

    Evidentemente, para o país, ter o petróleo é muito mais inteligente e vantajoso que receber uns trocados e ficar sem petróleo.

    No entanto, a ANP e o MME estabeleceram, para o pré-sal, um valor para o barril (entre US$ 100,1 e US$ 120) e, com base nesse preço, um ridículo percentual mínimo de 41,65% para a União.

    Para que estabelecer – num contrato de 35 anos! – um valor para o barril, se a partilha é do petróleo, ou seja, em óleo?

    Só existe uma razão: porque a ANP e o MME pretendem ceder o petróleo ao “consórcio” vencedor em troca de algum pagamento, ao invés de manter a parcela em petróleo, para que seja usada em prol do país.

    A conclusão de Gabrielli, portanto, é precisa:
“… o bônus de R$ 15 bilhões vai na contramão da ideia de que é preciso ter a maior parcela do lucro-óleo de volta para o Estado. Porque [esse bônus] é uma aproximação, do ponto de vista do efeito econômico, do modelo de concessão [de Fernando Henrique]. Mais próximo da concessão que da partilha”.

     

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