2 comentários

  1. Talvez o que pretenda Bolsonaro é tornar o país ingovernável.
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    Talvez o mais importante que todos não estão notando é que Bolsonaro de uma forma ou de outra pretende tornar o país ingovernável, simplesmente para ter como única saída um governo Bonapartista.
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    ara quem não sabe o Bonapartismo pode ser expresso por dois imperadores da família Bonaparte, Napoleão Bonaparte que no golpe do 18 de brumário do ano VIII do calendário da revolução francesa correspondia à 9 de novembro de 1799 do calendário Gregoriano, começou a sua tomada de poder pela queda do Diretório que fazia parte do processo de degeneração da Revolução Francesa, processo este que iniciou com a queda dos jacobinos quatro anos antes. Com a queda do Diretório foi introduzido o chamado Consulado que Napoleão Bonaparte era o primeiro-cônsul e pouco a pouco chegou a ser o Imperador da França.
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    Todos falam que a queda da Revolução Francesa foi devido ao Terror, que levou a uma boa quantidade de execuções mas totalmente incomparável com a verdadeira carnificina das guerra Napoleônicas, os historiadores tem certa dificuldade em dar valores exatos das perdas desta guerras num período que durou de 1804 até 1815, mas as estimativas mais conservadoras são de 3,5 milhões de mortos e as mais ousadas 6,5 milhões. Na França a morte de jovens que deve ter ultrapassado a quantia de 1,5 milhão, provocou um vazio populacional naquele país. Não só na França, Napoleão provocou uma grande mortandade, na Espanha dados mais precisos estima-se algo entre 730 mil mortos e 590 mil, ou seja, Napoleão Bonaparte foi o grande carniceiro da Europa.
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    Luis Bonaparte, sobrinho do Napoleão I, também aplicou um golpe semelhante ao de seu tio, primeiro foi eleito presidente da França durante a Segunda República e quando não conseguiu se reeleger deu um golpe apoiado pela grande burguesia francesa e se tornou imperador Napoleão III em 1852. Em 1871 Luis Napoleão foi deposto pela perda da guerra Franco-Prussiana.
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    Como se pode ver que o balanço dos dois golpes, o primeiro uma imensa tragédia e o segundo mais no nível de farsa, deu origem a famosa frase de Marx no livro que retrata o reinado de Napoleão III: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa.”. O livro leva o sugestivo nome do “O 18 de brumário de Luís Bonaparte”, onde a figura de Napoleão III é tratada por Marx como alguém desprezível, da mesma forma que o resto da intelectualidade tratava.
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    Visto isto, as idas e vindas de Bolsonaro, mais tumultuando o país do que dando a solução para qualquer problema, cercado com um bando de patéticos e bizarros ministros civis e outros ministros militares, generais reformados, provavelmente Bolsonaro procura estabelecer um tal nível de ingovernabilidade que ele espera que a população o proclame ditador do Brasil, ou até, para garantir o futuro dos seus filhos, Imperador do Brasil.
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    O problema principal de toda esta hipótese de um plano Bonapartista do atual ocupante do cargo de presidente, é que diferentemente das épocas napoleônicas, a sociedade se tornou mais complexa, os meios de informação mais rápidos e a maior parte do tumulto que for produzido no país será atribuído ao próprio auto conspirador, além de tudo isto há a figura do vice presidente, que apesar de parecer não contar com muita simpatia dos próprios militares reformados no poder, não pode ser descartado como um caroço de uma manga chupada sem causar mais tumulto e mesmo divisões importantes nas forças armadas, principalmente naqueles que não estão gozando os confortos do poder. Além do fator militar, há a mobilização popular, que começa de forma tímida, porém resoluta a se manifestar.
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    Outro grande problema para dar um golpe do tipo Bonapartista está no tempo que este vai demorar, se começar muito cedo, enquanto a desordem ainda não está perfeitamente estabelecida, vários setores das oligarquias locais, que começam a ser atingidos pelos desmandos e pela política predatória de Bolsonaro, podem reagir. Por outro lado, se este golpe demorar muito, será identificado claramente a origem do tumulto e o vice poderá atuar como uma solução institucional.
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    Porém talvez o pior que se pode ter numa tentativa de golpe Bonapartista, é a desordem que se encontra a base de apoio para o golpe, pois assim como Napoleão III utilizou o que chamamos de “Proletariado Lumpen”, que no caso de Bolsonaro seria composto pela união de setores desempregados, milícias urbanas e categorias inferiores da polícias militares e do exército, poderiam levar no lugar de garantir o golpe, no agravamento da desordem pública. Esta análise deve estar sendo feita não só pelos militares que compõe o governo, mas também pela grande burguesia associada ao capital internacional e as oligarquias tradicionais.
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    Este último fator, que pode levar a qualquer coisa em termos de dissolução de toda a institucionalidade em que se apoia a burguesia brasileira, provocando o despertar de lutas populares que simplesmente destruirão de forma definitiva toda a superestrutura de domínio das classes dirigentes, inclusive as forças armadas.

  2. Quem tem o poder militar é Bolsonaro e não os generais.
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    Muitas pessoas não entendem, porém, os generais sabem muito bem, eles são reféns de Bolsonaro.
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    A norma geral de qualquer país civilizado é que militarmente quem manda são as forças armadas do país, simplesmente porque as mesmas tem armamentos mais efetivos, tem marinha e aeronáutica, porém o Brasil neste ponto tem uma característica muito sui generis, em termo de forças armadas terrestre o exército brasileiro devido o pouco caso que sempre teve o comando desta arma, as tropas são mal treinadas e pior o domínio do comando é exercido pelos suboficiais (cabos e sargentos) e estes são leais mais ao atual ocupante da cadeira da presidência da república do que pelo estado maior das forças armadas.
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    O generalato brasileiro armou uma armadilha para eles mesmo e provavelmente a falta de capacidade de ação das forças armadas na ocupação militar no Rio de Janeiro, tornou isto tudo evidente. Sem o apoio da polícia militar e sem o apoio dos suboficiais, que na verdade institucionalmente podem alegar ser seu verdadeiro comandante em chefe quem ocupa a cadeira de presidente, o alto comando do exército está totalmente com as mãos amarradas para dar um golpe para assumir o poder.
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    Não adianta as caras fechadas e sem diálogo dos generais brasileiros, pois na verdade esta postura que pousa de enigmática está encobrindo uma sensação de impotência. Os generais achavam que um capitão não poderia comandar um exército, entretanto esquecem que na Alemanha um cabo comandou com mão de ferro um dos exércitos mais poderosos do mundo, colocando os generais e até os marechais ao seu comando e a humilhações que se sucediam conforme o seu humor.
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    Trocando um pouco o nome dos atores vemos muita semelhança entre a situação brasileira e a situação alemã no início da década de trinta, temos o cabo sendo substituindo o capitão, temos as polícias militares e as milícias substituindo a SA, temos o PSL substituindo o NSDAP, temos o Imperialismo norte-americano substituindo o grande capital alemão, temos os partidos tradicionais de direita substituindo os sociais democratas alemãs, porém não temos duas coisas que não substituem similares alemães, a SS e o povo alemão, e devido a estas duas ausências há duas saídas possíveis, a primeira que foi tentada por parte do exército alemão algumas vezes mas foi impedida pela SS (não esqueçam que SS é a sigla para Schutzstaffel traduzida para o português significa “Tropa de Proteção” do líder) e a segunda saída, o uso do povo (oposição ao governo) seria a mais viável, porém a mais desmoralizante para o alto-comando.
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    Realmente o que se vê no Brasil, é uma direita tradicional, a que se alia parte do alto comando do exército vendo na enrascada que se meteu, pensando que a incapacidade de traçar uma linha estratégica do atual ocupante da cadeira da presidência da república, não poderia ser substituída pelo ingerência externa na definição desta, e deu no que deu, de sequestradores da república viraram reféns do poder. Os donativos que o atual governo brasileiro está fazendo para o grande capital norte-americano não é nada mais nada menos o pagamento pelos serviços prestados.

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