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  1. Em 2008 uma das manias no STF eram citações de textos jurídicos em alemão. Dizia-se até que Gilmar Mendes se doutorou lá na Alemanha, e mencionava-se o título do trabalho dele na língua de lá. Foi então que fiz esse pequeno texto, publicado no blog do Nassif:

    Era uma tarde bela e ensolarada, e para desfrutá-la em todo o seu esplendor estava eu no sítio a colher guabirobas, mangas e pitangas, quando pela estrada ao lado da cerca passa de bicicleta uma moça com cara de turista extasiada, que pára, me olha, e exclama:

    – Que linda Constituição que vocês têm!

    Interrompi a colheita, reconheci seu país de origem pelo sotaque e lhe disse:

    – Estou feliz que você aprecie a nossa Constituição, Fräulein.

    (Leitora, leitor: o que eu disse foi “Frróiláinn”, como devia ser, para quem, como eu, lê Kant, Goethe e Freud no original desde criancinha – eu e, aliás, qualquer brasileiro que venha acompanhando ultimamente o caso Dantas. Dura Lex, sed lex).

    E continuei: mas temos um problema com as cláusulas pétreas, se entendermos que elas contêm uma proibição de ruptura de determinados princípios constitucionais.

    Ela me olhou com jeito de quem não entendeu e eu pensei,
    “pétreas” e “rupturas”. Só pode ser. Costumam engasgar qualquer cristão mais distraído.

    Resolvi arriscar um vôo mais profundo:

    – Verfassungsprinzipiendurchbrechungsverbot. Entendeu agora?

    (ouçam, pausadamente eu disse Ferfáçungs, Printçípien, Durx (xis de xadrez), Bréxungs, Fêrbôt, e não tossi nenhuma vez. Eu treinara a leitura desta arrojada expressão no blog do Nassif dias atrás).

    Então ela me disse com o olhar um pouco mais distante, “Ah.” E trouxe a bike para dentro do sítio.

    A brisa balouçava suavemente as folhas dos arvoredos.

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