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5 comentários

  1. NOVO PRESIDENTE DA CAPES, BENEDITO AGUIAR, E O DESIGNE INTELIGENTE COMO DISCURSO DE LUNÁTICO PARA LUNÁTICOS
    Benedito Aguiar, o novo presidente de uma das mais importantes instituição de fomento científico do Brasil, a CAPES, é defensor do designe inteligente. Fui ver uns vídeos dos defensores desta pseudoteoria científica e faço aqui breves ponderações. Primeiro, o designe inteligente não é teoria científica e já foi proibido de ser tratado como tal em universidades ou no sistema educacional dos EUA, Inglaterra e países desenvolvidos. Segundo, o designe inteligente tem como maior propagador no Brasil o Marcos Eberlin, que é um dos porta-vozes destes tempos de obscurantismo nos quais o Brasil está imerso. Eberlin faz o jogo de um bom charlatão religioso: manipula retoricamente o discurso científico para pregar meias verdades e enganar desinformados. Nas aulas de epistemologia aprendemos que a Ciência é um conhecimento crítico por ser um conhecimento fundamentado. E os fundamentos da Ciência são: prova, empiria, método, lógica, falseabilidade, história e causalidade. Começa aqui o desmonte do charlatanismo: diferentemente do conhecimento científico, é absolutamente impossível comprovar a existência de “uma mente inteligente por trás de tudo”. Essa “mente inteligente” não pode ser provada empiricamente, e isso porque: um, a tal da “mente ” não possui substâncias com atributos observáveis; dois, não existe uma cadeia de eventos empíricos, substanciais e observáveis que resultem necessariamente nesta “mente” como um evento igualmente empírico, substancial e observável; e, três, consequentemente, este discurso não possui lógica, pois a lógica é produto do encadeamento de ideias de acordo com o encadeamento de fatos e fenômenos observáveis. Segue que, se não há empiria, não há prova e não há lógica, então, não há possibilidade de falsear o discurso do designe inteligente, o que o localiza na mesma dimensão dos discursos retóricos do senso comum, com 50% de possibilidade de estar certo e 50% de estar errado, isto é, uma fraude científica inadmissível. Deste modo, a relação de causalidade que o “químico” tenta criar é mero recurso de retórica: não se pode afirmar que uma conclusão dedutiva está correta quando o resultado de uma cadeia de eventos empíricos, indutivamente processados, não é empiricamente o conteúdo desta conclusão. Assim, a “complexidade dedutível” a que ele recorre, simplesmente, não existe, é mera fantasia e delírio, pregação de lunático para lunáticos. Em fim, Eberlin é portador de um discurso irracional, ilógico, vazio, voltado para ludibriar gente desinformada ou mal-formada a fim, provavelmente, de tirar dividendos econômicos e políticos. O fato da CAPES ser tocada por alguém que compactua com este lunatismo reflete um ataque sem precedentes à Ciência no Brasil.

  2. https://youtu.be/6PP8gE4kySY

    Discordo de muito do que ele fala mas ele aponta algumas verdades obvias ainda não ditas de forma explicita:

    – os sócios de qualquer cidade-estado sào: os humanos, os animais – do virus aos finossauros -, e as pessoas juridicas, das igrejas aos supermercados. Cabe ao Poder Curador cuja cuja cura nao se restringe a medicina, dar suoorte e garantia para que cada um dos tres socios da cidade possa expor , para curar , toda e qualquer contradiçào: é assim que a vida pode permaner neste planeta : quem fala pelos rios, quem grita por eles : qual o lugar da arte?

    O q +

  3. Drauzio Varella
    Quando vi pela 1ª vez João de Deus, disse a minha mulher: é bandido

    Em pleno século 21, como podem crer em curas mirabolantes e em personagens tão bizarros quanto esse senhor?
    2.fev.2020 às 2h00

    Se aprendi alguma coisa em 30 anos frequentando cadeias, foi a reconhecer marginais. Podem disfarçar os modos, o jeito de andar, o palavreado, os gestos, mas o olhar os trai.

    Anos atrás, quando vi pela primeira vez na TV o cidadão que se intitulava João de Deus, não hesitei em dizer para minha mulher, ao lado: é bandido.

    A televisão tem o dom de entregar os olhos do personagem e, como diz o povo, eles espelham a alma. É por isso que, mesmo sem saber por quê, o espectador percebe quando o entrevistado mente, por mais razoáveis que pareçam os argumentos evocados por ele.

    O tal João que apregoava incorporar o espírito de um médico do além-túmulo, que lhe trazia a capacidade de curar enfermos, tinha o olhar em desencontro com a expressão piedosa que a fisionomia se esforçava para transmitir, fugidio, arisco, incapaz de se fixar nos olhos da repórter que o entrevistava.

    Nessa época, o homem que eu julgava safado já atraía multidões. Caravanas de crédulos do país inteiro e do exterior viajavam para Abadiânia, no interior de Goiás, em busca das proezas circenses que corriam de boca em boca, reforçadas por reportagens sensacionalistas que exaltavam seus vínculos extraterrenos.

    O prestidigitador que dizia curar doenças malignas com passes de mágica, que raspava córneas com o lado cego da lâmina do mesmo bisturi usado nos simulacros de cirurgias, transmitiu por décadas os vírus das hepatites B e C e sabe lá quantas infecções para os incautos, sem que a Vigilância Sanitária se dignasse a molestá-lo.
    Acreditaram que suas habilidades mediúnicas se estendiam aos vírus e às bactérias?

    No auge da fama, o número de visitantes chegou a 2.000 por dia. A cidadezinha prosperou —tinha 80 pousadas que cobravam diárias de até R$ 200, restaurantes, lanchonetes, lojas que vendiam roupas brancas para os fiéis, imagens religiosas e suvenires bentos pelo santo que me passava a convicção de ser bandido.

    Oncologista a vida inteira, vi surgirem vários tipos como esse, curandeiros que apregoavam trazer a saúde de volta aos desenganados, graças à intervenção de entidades extraterrenas que reencarnavam em seus corpos bem aventurados. Com a esperteza para enganar tanta gente por tanto tempo como esse tal João, entretanto, não soube de outro.
    Não faço ideia de quantos de meus pacientes caíram nesse engodo. Entendo que não se sentissem à vontade para contar ao médico descrente.
    Dos que admitiam ter ido boa parte se dizia decepcionada pela evidência dos interesses comerciais envolvidos no atendimento, enquanto outros se consideravam beneficiados pela paz emanada nas bênçãos e pela névoa de espiritualidade que acreditavam envolver o ambiente.
    O argumento de que personalidades estrangeiras, artistas de renome, intelectuais, políticos, juristas e até médicos também consultavam o benzedor travestido de médium ajudou a consolidar a fama e dar credibilidade ao golpista.

    Como é inevitável na carreira dos meliantes, no entanto, um dia a casa caiu. O jornalista Pedro Bial entrevistou mulheres que afirmavam ter sido molestadas pelo espertalhão.
    A essas delações se juntaram centenas de outras. O ex-emissário de Deus não passava de um homem desprezível que se valia de sua posição para atacar mulheres fragilizadas por tragédias pessoais e dramas familiares.

    A credulidade, entretanto, é tão irracional que ainda há quem defenda separar o joio do trigo: de um lado, o homem e as fraquezas da carne, de outro, os poderes transcendentais das entidades que ele garantia encarnar.

    Depois de condenado a mais de 50 anos de cadeia por pequena parte de seus crimes, há devotas que teimam em visitar a hoje decadente Abadiânia, na esperança de captar eflúvios energéticos remanescentes nas instalações em que o vigarista as abençoava.

    Não me choco com a boa-fé das pessoas simplórias ludibriadas por vigaristas desse tipo, mas com os crédulos que desfrutaram o privilégio de estudar em boas escolas.

    Em pleno século 21, como podem crer em milagres, em curas mirabolantes e em personagens tão bizarros quanto esse senhor?

    O presidiário João Teixeira, já condenado por uma fração dos estupros cometidos, ainda é tratado pela imprensa como o “médium João de Deus”.

    Médium? De Deus? Como assim? De onde vem tanta complacência com os que se aproveitam da religiosidade do povo para explorá-lo em nome de Deus?

    Drauzio Varella
    Médico cancerologista, autor de “Estação Carandiru”.

    • Supondo ou até sabendo que o sujeito, lá atrás, já era “bandido”, é de se perguntar por que ele, o Drauzio, não deu a cara a tapa? Ele poderia ter evitado MUITOS abusos, estupros, corrupção… Sugiro esse brevíssimo depoimento (entre milhares, ou milhões), do especialista Padre Quevedo (1930-2019), a respeito de João de Deus (entre outros), exatamente no dia 25/08/2000, portanto, já há 20 anos: https://youtu.be/D7-ynoVhNyU (aos 2 minutos e 40 segundos).

  4. Supondo ou até sabendo que o sujeito, lá atrás, já era “bandido”, é de se perguntar por que ele, o Drauzio, não deu a cara a tapa? Ele poderia ter evitado MUITOS abusos, estupros, corrupção… Sugiro esse brevíssimo depoimento (entre milhares, ou milhões), do especialista Padre Quevedo (1930-2019), a respeito de João de Deus (entre outros), exatamente no dia 25/08/2000, portanto, já há 20 anos: https://youtu.be/D7-ynoVhNyU (aos 2 minutos e 40 segundos).

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