Conceituada historiadora da universidade de Oxford, autora do premiado livro ‘The War that Ended Peace’ (A Guerra que Acabou com a Paz), Margaret MacMillan falou ao DN sobre o estado do mundo 100 anos após a I Guerra Mundial. O tiro de partida foi dado, em Sarajevo, por Gravilo Princip, que a 28 de junho de 1914 matou o arquiduque Francisco Fernando. Um mês depois, a 28 de julho, deu-se a invasão austro-húngara da Sérvia.
A I Guerra Mundial é por vezes referida como uma guerra para acabar com todas as guerras. Escreveu um livro intitulado ‘A guerra que acabou com a paz”.
Acha que é justo dizer que esta foi uma guerra que esteve na origem de outras?
É uma boa pergunta. Acho que a I Guerra Mundial não levou diretamente à II Guerra Mundial. Houve 20 anos entre as duas e muitas decisões foram tomadas – ou não – mas o que a I Guerra Mundial fez foi criar as condições para tornar possível a II Guerra Mundial. E deixou uma Europa mal, deixou instabilidade na Europa Central, deixou uma Alemanha, uma Itália, uma Hungria ressentidas e uma França desiludida. Acho que o que a I Guerra Mundial fez foi ajudar a criar a possibilidade de uma II Guerra Mundial, mas muitas outras coisas contribuíram para isso. Por exemplo, no final dos anos 20, houve a Grande Depressão, que não é um resultado da I Guerra Mundial, mas que certamente conduziu à II Guerra Mundial.
Olhando para a realidade à nossa volta, hoje em dia, no mundo, vê os mesmos tipos de elementos que conduziram à I Guerra Mundial?
Bem, há semelhanças, mas também grandes diferenças. As semelhanças são que nós temos, nalgumas partes do mundo, alguns movimentos nacionalistas fortes, por vezes hostis a outras nacionalidades e isso não é bom. Temos ideologias revolucionárias, que começaram a perturbar a cena internacional, antes da I Guerra Mundial era o anarquismo, terrorismo, socialismo revolucionário e hoje em dia são mais ideologias inspiradas pela religião.
Então, sim, acho que temos semelhanças, mas também grandes diferenças.
É um mundo com uma ordem internacional muito maior, hoje em dia, antes de 1914 não havia Nações Unidas, por exemplo.
Em que parte do mundo vê maiores semelhanças?
Bem, uma semelhança é que temos partes do mundo com conflitos internos, nos quais temos grandes potências a envolverem-se eventualmente, então o Médio Oriente é sempre potencialmente perigoso, em parte por causa dos conflitos dentro do Médio Oriente, mas também porque há potências exteriores envolvidas, quer seja a Rússia, os EUA, a Turquia, o Irão etc… Também diria que o mar do sul da China e que o mar oriental da China são potencialmente perigosas, porque existem conflitos locais lá, mas também a possibilidade de outras potências se envolverem lá.
E sobre o que se passa no Iraque. Inclui-lo-ia nesta situação do Médio Oriente, que descreveu?
Sim. O Iraque é muito, muito perigoso porque não é só um Estado que corre o risco de se desintegrar, o que seria brutal para as pessoas que vivem lá, porque seria um Estado no qual seria muito, muito difícil viver lá. Já estão a ir para lá combatentes vindos da Síria, poderá influenciar a Turquia, porque os turcos estão muito preocupados com o que acontece nas suas fronteiras, também o Irão, os EUA poderão, possivelmente, envolver-se mais. Então, sim, eu penso que esta é uma situação muito perigosa.
É um pouco irónico um certo desejo de cooperação entre o Irão e os EUA agora por causa do que se passa no Iraque.
É curioso. Porque, durante tempo, no entender dos EUA o Irão foi um grande inimigo no Médio Oriente e claro que, no Irão, os EUA são o “grande satã”. E claro que eles tendem de demonizar-se uns aos outros, encararem-se uns aos outros como poderes perigosos, mas acho que o que estão a perceber agora é que ambos têm muito a perder se o Iraque se desintegrar. Os EUA não querem ver uma turbulência completa no Médio Oriente, com conflitos a espalharem-se por todo o lado. E o Irão certamente que também não quer ver o Iraque desintegrar-se nas suas fronteiras. Então acho que eles estão a reconhecer que têm interesses em comum. Acho que, se houver alguns desenvolvimentos nesta situação terrível no Iraque, este é um deles.
Vimos um artigo escrito pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, afirmando que o que se passa no Iraque não é culpa da invasão de 2003. Concorda com ele?
Não. Ele procura confortar-se a ele próprio ao pensar isso. Mas eu acho que aconteceu com a invasão e a ocupação do Iraque foi a criação de uma situação instável. Muitas pessoas, incluindo eu, ficaram satisfeitos pelo facto de Saddam Hussein ter saído do poder, mas foram cometidos erros nessa altura – como a dissolução do partido Baas e a dissolução do Exército iraquiano – sem que se tivessem apercebido do preço que se iria pagar por isso. As pessoas do Iraque é que estão a pagar o preço. Não sabemos quantos iraquianos foram mortos, mas todos os dias estão a ser mortos. É uma situação altamente instável e eu penso que devido à invasão, tanto os EUA como a Grã-Bretanha, têm uma grande responsabilidade nisso.
Quando olhamos para a abordagem do atual Presidente dos EUA, Barack Obama, vemos algumas diferenças em relação a George W. Bush. Ele tem evitado intervir diretamente em vários cenários, como sejam a Síria, a Ucrânia ou o Iraque. Acha que é porque ele aprendeu a lição – dada pela I Guerra Mundial – de que não há guerras rápidas?
Acho que aprenderam, mas a principal questão é que eles não querem ter tropas no terreno. Não estão preparados para colocar recursos nisso. O que penso é que eles perceberam as dificuldades de construção de uma Nação. Mas também há uma tendência dos EUA para usarem a tecnologia, isso data já do início do século XX. Acho que eles estão a apostar em tecnologia, como por exemplo os drones, mas isso não se está a revelar muito bem sucedido. Está a causar problemas aos EUA, porque usar mortes dirigidas a pessoas de que eles não gostam. Muitas vezes sem um processo próprio. E isso, no final, vai causar problemas aos EUA. Os americanos estão a apostar muito na tecnologia porque eles não querem pôr tropas no terreno. Mas, na realidade, acho que estão a arranjar problemas para si próprios.
Quando olhamos para a I Guerra Mundial percebemos que não foi uma guerra curta. Mas o que a causou? A ação de Gravilo Pincip é o única a culpar? Ou havia já um contexto?
O contexto é muito importante porque é preciso saber porque é que as Nações reagiram da forma que reagiram. Áustria-Hungria tinha uma preocupação crescente em relação à Sérvia, como uma ameaça e um foco de problemas para a sua população eslava. A Áustria-Hungria tinha muitos sérvios, croatas e eslovenos a viver no seu território. Então eles viam a Sérvia como uma ameaça real. Apenas estavam à espera de uma desculpa para fazer qualquer coisa em relação a isso. Então quando o assassínio aconteceu, foi a desculpa perfeita. Mas se não tivessem tido essa desculpa, quem sabe. Se Gravilo Princip tivesse falhado ou se o arquiduque [Francisco Fernando] não tivesse ido a Sarajevo, talvez a Europa não tivesse tido uma crise no verão de 1914. Talvez em 1915 o contexto internacional já fosse diferente. Mas quem sabe. Nunca saberemos. É uma combinação do contexto com o incidente, que fez com que se tornasse mortífero.
E em relação à personagem de Gravilo Princip, propriamente dita.
Ele ainda causa grandes divisões nos Balcãs, hoje em dia…
Sim, sim. Acho que na parte sérvia da Bósnia, República Srpska, ergueram-lhe uma estátua. Aí, ele é visto como um herói. E entre os nacionalistas sérvios ele é visto não como terrorista, mas como um combatente da liberdade. Embora eu ache que nem todos os sérvios o veem desta forma. As opiniões dividem-se muito sobre isto. No meu entender, ele é alguém que era muito jovem, que se radicalizou, e pensou que um ato de terror era a maneira de fazer cair toda a estrutura. Eram ideias terroristas revolucionárias na altura. Não acho que ele pensou noutras formas pacíficas de provar a mudança. Ele só pensou em matar o opressor e que, de alguma forma, tudo iria mudar. Isso era comum nessa altura. Houve vários assassínios de altas figuras por anarquistas e revolucionários.
Alguns historiadores dizem que Gravilo não agiu como sendo apenas sérvio, mas em defesa do povo eslavo, qualquer que fosse a sua religião.
Não se sabe o suficiente sobre ele. Mas parece que o que pretendia não era tanto uma “grande Sérvia”, mas um Estado eslavo, foi daí que surgiu o sonho da Jugoslávia. Das pessoas com quem ele trabalhava, um era muçulmano, outro croata, então estes grupos de radicais, na Bósnia, incluíam não-sérvios. Claro que o apoio veio da Sérvia, foi onde arranjaram as armas, foi onde tiveram treino, foi de onde entraram na Bósnia.
Olhando para a ordem mundial de hoje,quão importantes foram os 14 pontos de Wodrow Wilson, a Conferência de Paris a a Liga das Nações?
Essas ideias de Wilson já existiam, não foram propriamente dele, mas ele era um grande orador, muito eloquente. Ele pegou em ideias como a do desarmamento, resolução de conflitos entre nações, livre-comércio entre países, autodeterminação das nações, levou-as para o debate internacional e daí nunca mais saíram. A Liga das Nações, que foi entendida como um fracasso porque não conseguiu prevenir a II Guerra Mundial, introduziu, apesar de tudo, um conceito internacional em que todos somos responsáveis uns pelos outros e de que devemos trabalhar juntos para tornar o mundo melhor. Muito do que se fez foi continuado depois nas Nações Unidas. A Organização Internacional do Trabalho foi levada para a ONU e ainda hoje existe. Foi um passo em frente muito importante.
Mas o facto de existirem as Nações Unidas não evitou muitas guerras. Qual é o problema? É a constituição do Conselho de Segurança da ONU?
Não acho que seja. Bem, não me parece bem a ideia de ter um Conselho de Segurança que reflete as potências que que saíram da II Guerra Mundial e não as grandes potências como elas são hoje em dia. Temos a Grã-Bretanha e a França como membros separados, quando deviam integrar um único lugar para a UE. E depois não estão representados países como a Índia e o Brasil.
O problema é a forma como o Conselho de Segurança está desenhado.
Porque continua a haver mais e mais guerras?
A resposta simples é porque há algo de errado na natureza humana. De alguma forma ainda achamos que se usarmos a violência uns contra os outros isso, de alguma maneira, irá resultar. Há grupos de pessoas preparadas para usar a violência para os seus próprios fins. Há áreas do mundo em que o poder do Governo central é fraco. Um dos desenvolvimentos nas sociedades da Europa foi o monopólio da violência nas mãos dos governos. Podemos não gostar disso, mas permite estabilidade. Mas também há Estados falhados e partes de cidades no mundo desenvolvido onde a polícia não entra e quem manda são os gangues organizados. Também há líderes políticos oportunistas que estão preparados para usar a guerra.
Concorda que algumas das guerras atuais são resultado da divisão que foi feita no mundo após a I Guerra Mundial?
É fácil culpar a divisão do mundo que foi feita após a I Guerra Mundial.
Temos que lembrar que muita dessa divisão estava já feita quando a conferência de paz se reuniu. O império austro-húngaro já se tinha desfeito em pedaços e já tínhamos a Polónia, a Checoslováquia e a Jugoslávia a criarem-se a si próprias. Isso não foi criado em Paris, foi criado no terreno. As fronteiras no Médio Oriente foram desenhadas. Pode-se criticar essas fronteiras, mas é difícil dizer agora o que teria sido melhor e teria resultado melhor. Acho que outras coisas contribuíram para as guerras, não poria toda a culpa da conferência de Paris. O problema real foi que, após a I Guerra Mundial, as condições para uma paz duradoura não foram asseguradas ou não existiam. Havia um assunto pendente com a Alemanha, grande parte da população alemã apoiava a ideia de vingança, havia a Rússia que, de alguma forma, estava excluída da ordem internacional. Não foi um altura fácil para se fazer a paz. A pergunta é: Olhando para trás, como teríamos feito melhor? E a resposta a essa pergunta não é nada fácil.
Selecionamos 25 coisas que só pobre faz, com certeza você já fez 1 delas.
Abrir tubo de pasta de dente com tesoura para aproveitar o restinho que sobrou.Andar de carro com vidro fechado no maior calor só para pensarem que você tem ar condicionado.Aproveitar garrafa plástica de refrigerante prá botar água na geladeira.Chorar no último capítulo da novela.Chupar os dentes (p/ não usar palito)Colocar arranjo de fruta de plástico na mesa da sala.Colocar esponja de aço(bombril, assolan) na antena da televisão.Comprar carro novo e não tirar o plástico dos bancos, para todos saberem que é novo.Convidar os amigos para o churrasco de seu aniversário e pedir para cada um trazer uma coisa (carvão, espeto, carne, etc.).Correr a casa inteira com o chinelo na mão atrás da barata.Dar caixa de chocolates para o amigo-secreto.Embrulhar caixa de fósforo com papel de presente para pendurar em árvore de natal.Entrar de loja em loja perguntando os preços e dizer pro vendedor:”Só tô dando uma olhadinha, qualquer coisa volto mais tarde”.Entrar em loja de R$ 1.99 e querer achar um presente legal.Esquentar a ponta da caneta prá ver se ela volta a escrever.Esticar a língua para lamber o fundo do copo de iogurte.Molhar a ponta da borracha com a língua para apagar erro.Mascar chicletes 3 horas seguidas até ficar branco e sem gosto.Passar cuspe ao cotovelo ressecado para amaciar.Passar o fio dental e depois cheirar para ver se o dente está podre.Receber visita e mostrar toda a casa.Colocar roupa pra secar atrás da geladeira.Tirar cera do ouvido com chave do carro ou tampa de caneta.Tomar cerveja em copo de extrato de tomate.Usar sacola plástica de supermercado para botar lixo.
E tomar banho de bacia, fala a verdade, você já tomou ?
Por que a Globo tornou novela o processo Kafkiano contra ativistas do Rio
Por Renato Rovai julho 29, 2014 22:55
Há uma narrativa em curso que vem sendo construída pela TV Globo e que busca catalizar a opinião pública contra um grupo de ativistas que foi acusado de formação de quadrilha e ação criminosa pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. A investigação é repleta de inconsistências e de diz-que-diz. Leva em consideração desde P2 que acha que Bakunin é um black bloc , até acusações de quem declaradamente afirma fazê-lo por vingança.
Mas então por que cargas d´água que a Rede Globo decidiu fazer um novelão usando desde o Jornal Nacional até o Fantástico para contar essa história? Por que de repente aqueles que num primeiro momento eram vilões do Merval, do Jabor e do Willian Wack e depois se tornaram heróis, agora voltaram a ser mais do que vilões, mas criminosos que precisam ser presos e se possíveis amargar longos anos na cadeia. Mesmo sem que haja provas contundentes contra quase todos eles.
Em primeiro lugar, a Globo não perdoa.
Ela percebeu que uma das palavras de ordem mais mobilizadoras das ruas em 2013 foi contra a emissora. E mais do que isso, ficou irritadíssima porque seus repórteres tiveram de sair disfarçados para trabalhar. Quem ousasse ir com microfone da emissora ou qualquer coisa que identificasse que trabalhava na empresa dos Marinhos, corria riscos. Este blogueiro, ao escrever isso, não está saboreando este tipo de ação. Sempre foi e continuará sendo contra qualquer tipo de violência. É humanista e pacifista e não liga a mínima de ser chamado de babaca por conta disso.
Em segundo lugar, a Globo sabe fazer contas.
A direção da emissora percebeu que criminalizar as Jornadas de Junho e torná-la em algo historicamente relacionado à esquerda e ao crime pode ser uma boa estratégia eleitoral no curto e no médio prazo. Tanto que depois das matérias da Globo, o PSDB soltou uma nota pedindo a prisão daqueles manifestantes que foram parar em Bangu. Aliás, no mesmo dia em que esse pessoal foi preso, também foram presas pessoas acusadas de atuar contra Aécio na internet. Os mandados de prisão por duas investigações que não tinham nenhuma relação foram expedidos no mesmo dia.
Em terceiro lugar, porque a Globo não tem limites.
Quando se coloca numa batalha, ela só enxerga os objetivos. Não se preocupa com o que terá de fazer para atingi-los. A emissora apoiou incondicionalmente a ditadura militar e não deu um pio enquanto centenas de jovens eram torturados e assassinados. Ela tinha claro que a parceria com aquele regime lhe tornaria um império. Agora, a Globo sentiu que amadurece um projeto de democratização das comunicações e mesmo que ele tenha sido retirado do plano de governo de Dilma que foi ao TSE, o PT e Lula estão convencidos de que é algo urgente. Por isso, a direção da emissora vai apostar tudo em Aécio Neves. Talvez mais do que apostou em outras oportunidades em Serra e Alckmin.
Além disso, ela também percebeu que há riscos de ser derrotada em casa. No no Rio de Janeiro, onde talvez vá se dar a disputa ao governo mais renhida, com quatro candidaturas relativamente embolas e com chances de vitória (Garotinho, Crivella, Pezão e Lindberg), a emissora só tem um candidato em que pode confiar plenamente, Pezão.
Garotinho se comporta como um inimigo da emissora, Crivella é da IURD e por consequência da Record e Lindberg é do PT. A narrativa que criminaliza ativistas no Rio também busca um efeito local. A tentativa é fazer crer que só o atual governo tem condições e pulso para lidar com esse “grupo de vândalos”.
Se para atingir seus objetivos a Globo tiver de fazer essas pessoas apodrecerem na cadeia, não titubeará. E por isso, essa ação contra eles ainda está longe de ser um caso encerrado.
Mais do que isso. Pode ser como o assassinato do príncipe Francisco Ferdinando, do império austro-húngaro, durante sua visita a Saravejo. O que parecia algo menor, levou à 1ª Guerra Mundial. Este processo Kafkiano que está sendo contado como uma novela das nove não é o fim de uma história. Tá mais com cara de ser o começo. Com um governo menos permeável às críticas pela esquerda, isso pode ser a regra e não exceção.
A Globo também sabe disso. E por isso está investindo tanto nesta história.
Foi com grande surpresa que vi o nome da minha pesquisa de mestrado na lista de “grupos organizados” no inquérito da Operação Firewall, que investiga os protestos desde junho de 2013. Desenvolvido na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), sob orientação da professora doutora Alita Sá Rego, o Rebaixada pesquisa a atuação da mídia alternativa nos megaeventos do Rio de Janeiro (Copa do Mundo, JMJ, Olimpíadas…).
O portal Rebaixada é um laboratório que experimenta tecnologias usadas pelos midiativistas durantes as recentes manifestações: mapas, wikis, games, agregadores, streaming, tradução, entre outras. Foi desenvolvido em software livre com código aberto. Sua principal funcionalidade é o Web Scraping, ou seja armazenar todas as informações produzidas pelas mídias alternativas para avaliação. Isso porque o Facebook é um “walled garden“, um sistema fechado, o que acaba dificultando a pesquisa acadêmica. Tal experimento também é realizado por iniciativas como o BRnasRuas e o AGREGA.LA.
Algumas experiências do Rebaixada ganharam destaque internacional de instituições como a UNESCO.
Um pouco do que já saiu sobre o projeto Rebaixada em todo o mundo:
Relatório internacional de 2011 detalha o comércio entres os países; mestrando em História também resgatou acordos, entre eles, o firmado com a empresa Global Shield que forneceu veículos utilizados na Copa do Mundo pelo BOPE e o CORE-RJ
30/07/2014
Da Redação
A condenação do governo brasileiro aos ataques de Israel à Faixa de Gaza iniciado em 8 de julho e que, até ontem (29), já causou a morte de 1.296 palestinos, além de deixar mais de 7 mil feridos, resultou na declaração do porta voz do governo de Israel, Yiagal Palmor, que chamou o Brasil de “anão diplomático”. A resposta israelense – que parece ter estremecido as relações diplomáticas entre os dois países -, no entanto, pode ocultar a parceria econômica entre as duas nações.
Segundo relatório da organização Stop The Wall, em 2011, contratos entre os dois países chegou a movimentar bilhões de dólares. Neste período, o documento aponta que o Brasil chegou a ser o quinto maior importador de armas israelenses e que, somente entre 2005 e 2010, esse comércio superou a marca de US$ 1 bilhão.
O relatório também apontou inúmeras situações que embasam o apoio do Brasil à indústria armamentista israelense: a abertura do escritório da FAB em Tel Aviv em 2003; um acordo de cooperação de segurança para facilitar a cooperação e contratos militares com Israel e a ajuda das autoridades brasileiras no contato de empresas israelenses de armas com outros países latino-americanos.
Duas empresas citadas no documento, a Elbit Systems e a Israel Aircraft Industries (IAI), que forneciam equipamentos para o Muro da Cisjordânia ou “Muro do Apartheid”, mantinham relações com o governo brasileiro. O muro começou a ser erguido no governo Ariel Sharon para cercar os territórios disputados entre palestinos e israelenses, com o propósito de “proteger” Israel da infiltração de terroristas. Porém, em 2004, o Tribunal Internacional de Justiça de Haia declarou a construção ilegal, pois corta terras palestinas e isola cerca de 450 mil pessoas.
“Os governos estrangeiros que adquirem armas israelenses não estão apenas comprando os frutos da ocupação, mas também garantindo que a indústria israelense de armas possa continuar produzindo armas cada vez mais sofisticadas para reprimir e matar os palestinos”, conclui o relatório.
Israel e Copa do Mundo
Em artigo publicado no site Desacato (http://desacato.info/), o mestrando em História, Alexandre Arienti Ramos, traça uma análise atualizada dos contratos entre os dois países. Entre outros acordos, Ramos resgatou o acordo do Brasil com a empresa israelense Global Shield, que, em 2013, forneceu veículos blindados para o Batalhão de Operações Especiais (BOPE) e para a Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) do Rio de Janeiro. Os armamentos foram vendidos 70% abaixo do preço de tabela para serem usados na Copa do Mundo e nos Jogos Olímpicos em 2016.
30/7/2014 às 10p4 (Atualizado em 30/7/2014 às 10p1)
Quase metade dos detentos no País aguarda julgamento, diz ONU
Documento mostra que cadeias brasileiras têm 200 mil presos a mais que a capacidade
As cadeias brasileiras têm quase 200 mil detentos a mais que a capacidade e 44% dos detentos — 217 mil — ainda aguardam julgamento.
A denúncia é da ONU (Organização das Nações Unidas) que, em um informe que será apresentado em setembro a governos de todo o mundo, acusa o Judiciário de “ineficiente” e alerta para a “superlotação endêmica” das cadeias.
O documento, preparado por um Grupo de Trabalho da ONU que visitou o País em março, será levado a debate a partir de 8 de setembro, em Genebra, durante a reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Uma versão preliminar do informe, obtida pelo Estado, revela um raio X alarmante.
O Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo e os peritos da ONU acusam diretamente o sistema judicial. De acordo com o informe, uma parte desses prisioneiros pode esperar “meses e até anos” para ser julgada.
— Durante esse período, os detentos frequentemente nem sabem o status de seu caso.
“A presunção de inocência que consta da Constituição parece que na prática foi abandonada por juízes”, declara o informe da ONU. A entidade também alerta que a “pressão da opinião pública” tem levado juízes a manter suspeitos detidos.
A ONU também denuncia a superlotação das prisões. Segundo a entidade, existem hoje no Brasil quatro prisões federais e 1.100 estaduais. Se a capacidade é para 355 mil detentos, o que se vê é a presença oficial de 549 mil. “Políticas públicas de mostrar firmeza contra o crime levaram a uma tendência de encarceramento em massa.”
Assistência
Outra crítica da ONU se refere à falta de assistência legal a milhares de detentos no Brasil. Segundo ela, parte importante dos detentos não tem como pagar um advogado.
— A maioria das pessoas na prisão é jovem, indígena, afrodescendente ou pobre.
A ONU apela ao governo federal e administrações estaduais que implementem penas alternativas e alerta que, apesar das emendas feitas ao Código Penal em 2011, não houve redução substancial de prisões.
Em setembro, quando o informe for apresentado, o governo terá a oportunidade de se defender das acusações.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
100 anos e tão atual!
Do Diário de Notícias de Lisboa
100 ANOS DEPOIS DA I GUERRA MUNDIAL
“Ainda achamos que usar a violência irá resultar”
por Patrícia Viegas
Conceituada historiadora da universidade de Oxford, autora do premiado livro ‘The War that Ended Peace’ (A Guerra que Acabou com a Paz), Margaret MacMillan falou ao DN sobre o estado do mundo 100 anos após a I Guerra Mundial. O tiro de partida foi dado, em Sarajevo, por Gravilo Princip, que a 28 de junho de 1914 matou o arquiduque Francisco Fernando. Um mês depois, a 28 de julho, deu-se a invasão austro-húngara da Sérvia.
A I Guerra Mundial é por vezes referida como uma guerra para acabar com todas as guerras. Escreveu um livro intitulado ‘A guerra que acabou com a paz”.
Acha que é justo dizer que esta foi uma guerra que esteve na origem de outras?
É uma boa pergunta. Acho que a I Guerra Mundial não levou diretamente à II Guerra Mundial. Houve 20 anos entre as duas e muitas decisões foram tomadas – ou não – mas o que a I Guerra Mundial fez foi criar as condições para tornar possível a II Guerra Mundial. E deixou uma Europa mal, deixou instabilidade na Europa Central, deixou uma Alemanha, uma Itália, uma Hungria ressentidas e uma França desiludida. Acho que o que a I Guerra Mundial fez foi ajudar a criar a possibilidade de uma II Guerra Mundial, mas muitas outras coisas contribuíram para isso. Por exemplo, no final dos anos 20, houve a Grande Depressão, que não é um resultado da I Guerra Mundial, mas que certamente conduziu à II Guerra Mundial.
Olhando para a realidade à nossa volta, hoje em dia, no mundo, vê os mesmos tipos de elementos que conduziram à I Guerra Mundial?
Bem, há semelhanças, mas também grandes diferenças. As semelhanças são que nós temos, nalgumas partes do mundo, alguns movimentos nacionalistas fortes, por vezes hostis a outras nacionalidades e isso não é bom. Temos ideologias revolucionárias, que começaram a perturbar a cena internacional, antes da I Guerra Mundial era o anarquismo, terrorismo, socialismo revolucionário e hoje em dia são mais ideologias inspiradas pela religião.
Então, sim, acho que temos semelhanças, mas também grandes diferenças.
É um mundo com uma ordem internacional muito maior, hoje em dia, antes de 1914 não havia Nações Unidas, por exemplo.
Em que parte do mundo vê maiores semelhanças?
Bem, uma semelhança é que temos partes do mundo com conflitos internos, nos quais temos grandes potências a envolverem-se eventualmente, então o Médio Oriente é sempre potencialmente perigoso, em parte por causa dos conflitos dentro do Médio Oriente, mas também porque há potências exteriores envolvidas, quer seja a Rússia, os EUA, a Turquia, o Irão etc… Também diria que o mar do sul da China e que o mar oriental da China são potencialmente perigosas, porque existem conflitos locais lá, mas também a possibilidade de outras potências se envolverem lá.
E sobre o que se passa no Iraque. Inclui-lo-ia nesta situação do Médio Oriente, que descreveu?
Sim. O Iraque é muito, muito perigoso porque não é só um Estado que corre o risco de se desintegrar, o que seria brutal para as pessoas que vivem lá, porque seria um Estado no qual seria muito, muito difícil viver lá. Já estão a ir para lá combatentes vindos da Síria, poderá influenciar a Turquia, porque os turcos estão muito preocupados com o que acontece nas suas fronteiras, também o Irão, os EUA poderão, possivelmente, envolver-se mais. Então, sim, eu penso que esta é uma situação muito perigosa.
É um pouco irónico um certo desejo de cooperação entre o Irão e os EUA agora por causa do que se passa no Iraque.
É curioso. Porque, durante tempo, no entender dos EUA o Irão foi um grande inimigo no Médio Oriente e claro que, no Irão, os EUA são o “grande satã”. E claro que eles tendem de demonizar-se uns aos outros, encararem-se uns aos outros como poderes perigosos, mas acho que o que estão a perceber agora é que ambos têm muito a perder se o Iraque se desintegrar. Os EUA não querem ver uma turbulência completa no Médio Oriente, com conflitos a espalharem-se por todo o lado. E o Irão certamente que também não quer ver o Iraque desintegrar-se nas suas fronteiras. Então acho que eles estão a reconhecer que têm interesses em comum. Acho que, se houver alguns desenvolvimentos nesta situação terrível no Iraque, este é um deles.
Vimos um artigo escrito pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, afirmando que o que se passa no Iraque não é culpa da invasão de 2003. Concorda com ele?
Não. Ele procura confortar-se a ele próprio ao pensar isso. Mas eu acho que aconteceu com a invasão e a ocupação do Iraque foi a criação de uma situação instável. Muitas pessoas, incluindo eu, ficaram satisfeitos pelo facto de Saddam Hussein ter saído do poder, mas foram cometidos erros nessa altura – como a dissolução do partido Baas e a dissolução do Exército iraquiano – sem que se tivessem apercebido do preço que se iria pagar por isso. As pessoas do Iraque é que estão a pagar o preço. Não sabemos quantos iraquianos foram mortos, mas todos os dias estão a ser mortos. É uma situação altamente instável e eu penso que devido à invasão, tanto os EUA como a Grã-Bretanha, têm uma grande responsabilidade nisso.
Quando olhamos para a abordagem do atual Presidente dos EUA, Barack Obama, vemos algumas diferenças em relação a George W. Bush. Ele tem evitado intervir diretamente em vários cenários, como sejam a Síria, a Ucrânia ou o Iraque. Acha que é porque ele aprendeu a lição – dada pela I Guerra Mundial – de que não há guerras rápidas?
Acho que aprenderam, mas a principal questão é que eles não querem ter tropas no terreno. Não estão preparados para colocar recursos nisso. O que penso é que eles perceberam as dificuldades de construção de uma Nação. Mas também há uma tendência dos EUA para usarem a tecnologia, isso data já do início do século XX. Acho que eles estão a apostar em tecnologia, como por exemplo os drones, mas isso não se está a revelar muito bem sucedido. Está a causar problemas aos EUA, porque usar mortes dirigidas a pessoas de que eles não gostam. Muitas vezes sem um processo próprio. E isso, no final, vai causar problemas aos EUA. Os americanos estão a apostar muito na tecnologia porque eles não querem pôr tropas no terreno. Mas, na realidade, acho que estão a arranjar problemas para si próprios.
Quando olhamos para a I Guerra Mundial percebemos que não foi uma guerra curta. Mas o que a causou? A ação de Gravilo Pincip é o única a culpar? Ou havia já um contexto?
O contexto é muito importante porque é preciso saber porque é que as Nações reagiram da forma que reagiram. Áustria-Hungria tinha uma preocupação crescente em relação à Sérvia, como uma ameaça e um foco de problemas para a sua população eslava. A Áustria-Hungria tinha muitos sérvios, croatas e eslovenos a viver no seu território. Então eles viam a Sérvia como uma ameaça real. Apenas estavam à espera de uma desculpa para fazer qualquer coisa em relação a isso. Então quando o assassínio aconteceu, foi a desculpa perfeita. Mas se não tivessem tido essa desculpa, quem sabe. Se Gravilo Princip tivesse falhado ou se o arquiduque [Francisco Fernando] não tivesse ido a Sarajevo, talvez a Europa não tivesse tido uma crise no verão de 1914. Talvez em 1915 o contexto internacional já fosse diferente. Mas quem sabe. Nunca saberemos. É uma combinação do contexto com o incidente, que fez com que se tornasse mortífero.
E em relação à personagem de Gravilo Princip, propriamente dita.
Ele ainda causa grandes divisões nos Balcãs, hoje em dia…
Sim, sim. Acho que na parte sérvia da Bósnia, República Srpska, ergueram-lhe uma estátua. Aí, ele é visto como um herói. E entre os nacionalistas sérvios ele é visto não como terrorista, mas como um combatente da liberdade. Embora eu ache que nem todos os sérvios o veem desta forma. As opiniões dividem-se muito sobre isto. No meu entender, ele é alguém que era muito jovem, que se radicalizou, e pensou que um ato de terror era a maneira de fazer cair toda a estrutura. Eram ideias terroristas revolucionárias na altura. Não acho que ele pensou noutras formas pacíficas de provar a mudança. Ele só pensou em matar o opressor e que, de alguma forma, tudo iria mudar. Isso era comum nessa altura. Houve vários assassínios de altas figuras por anarquistas e revolucionários.
Alguns historiadores dizem que Gravilo não agiu como sendo apenas sérvio, mas em defesa do povo eslavo, qualquer que fosse a sua religião.
Não se sabe o suficiente sobre ele. Mas parece que o que pretendia não era tanto uma “grande Sérvia”, mas um Estado eslavo, foi daí que surgiu o sonho da Jugoslávia. Das pessoas com quem ele trabalhava, um era muçulmano, outro croata, então estes grupos de radicais, na Bósnia, incluíam não-sérvios. Claro que o apoio veio da Sérvia, foi onde arranjaram as armas, foi onde tiveram treino, foi de onde entraram na Bósnia.
Olhando para a ordem mundial de hoje,quão importantes foram os 14 pontos de Wodrow Wilson, a Conferência de Paris a a Liga das Nações?
Essas ideias de Wilson já existiam, não foram propriamente dele, mas ele era um grande orador, muito eloquente. Ele pegou em ideias como a do desarmamento, resolução de conflitos entre nações, livre-comércio entre países, autodeterminação das nações, levou-as para o debate internacional e daí nunca mais saíram. A Liga das Nações, que foi entendida como um fracasso porque não conseguiu prevenir a II Guerra Mundial, introduziu, apesar de tudo, um conceito internacional em que todos somos responsáveis uns pelos outros e de que devemos trabalhar juntos para tornar o mundo melhor. Muito do que se fez foi continuado depois nas Nações Unidas. A Organização Internacional do Trabalho foi levada para a ONU e ainda hoje existe. Foi um passo em frente muito importante.
Mas o facto de existirem as Nações Unidas não evitou muitas guerras. Qual é o problema? É a constituição do Conselho de Segurança da ONU?
Não acho que seja. Bem, não me parece bem a ideia de ter um Conselho de Segurança que reflete as potências que que saíram da II Guerra Mundial e não as grandes potências como elas são hoje em dia. Temos a Grã-Bretanha e a França como membros separados, quando deviam integrar um único lugar para a UE. E depois não estão representados países como a Índia e o Brasil.
O problema é a forma como o Conselho de Segurança está desenhado.
Porque continua a haver mais e mais guerras?
A resposta simples é porque há algo de errado na natureza humana. De alguma forma ainda achamos que se usarmos a violência uns contra os outros isso, de alguma maneira, irá resultar. Há grupos de pessoas preparadas para usar a violência para os seus próprios fins. Há áreas do mundo em que o poder do Governo central é fraco. Um dos desenvolvimentos nas sociedades da Europa foi o monopólio da violência nas mãos dos governos. Podemos não gostar disso, mas permite estabilidade. Mas também há Estados falhados e partes de cidades no mundo desenvolvido onde a polícia não entra e quem manda são os gangues organizados. Também há líderes políticos oportunistas que estão preparados para usar a guerra.
Concorda que algumas das guerras atuais são resultado da divisão que foi feita no mundo após a I Guerra Mundial?
É fácil culpar a divisão do mundo que foi feita após a I Guerra Mundial.
Temos que lembrar que muita dessa divisão estava já feita quando a conferência de paz se reuniu. O império austro-húngaro já se tinha desfeito em pedaços e já tínhamos a Polónia, a Checoslováquia e a Jugoslávia a criarem-se a si próprias. Isso não foi criado em Paris, foi criado no terreno. As fronteiras no Médio Oriente foram desenhadas. Pode-se criticar essas fronteiras, mas é difícil dizer agora o que teria sido melhor e teria resultado melhor. Acho que outras coisas contribuíram para as guerras, não poria toda a culpa da conferência de Paris. O problema real foi que, após a I Guerra Mundial, as condições para uma paz duradoura não foram asseguradas ou não existiam. Havia um assunto pendente com a Alemanha, grande parte da população alemã apoiava a ideia de vingança, havia a Rússia que, de alguma forma, estava excluída da ordem internacional. Não foi um altura fácil para se fazer a paz. A pergunta é: Olhando para trás, como teríamos feito melhor? E a resposta a essa pergunta não é nada fácil.
25 coisas que só pobre faz
Diz aí.
Em qual ítem você se enquadra ?
Selecionamos 25 coisas que só pobre faz, com certeza você já fez 1 delas.
Abrir tubo de pasta de dente com tesoura para aproveitar o restinho que sobrou.Andar de carro com vidro fechado no maior calor só para pensarem que você tem ar condicionado.Aproveitar garrafa plástica de refrigerante prá botar água na geladeira.Chorar no último capítulo da novela.Chupar os dentes (p/ não usar palito)Colocar arranjo de fruta de plástico na mesa da sala.Colocar esponja de aço(bombril, assolan) na antena da televisão.Comprar carro novo e não tirar o plástico dos bancos, para todos saberem que é novo.Convidar os amigos para o churrasco de seu aniversário e pedir para cada um trazer uma coisa (carvão, espeto, carne, etc.).Correr a casa inteira com o chinelo na mão atrás da barata.Dar caixa de chocolates para o amigo-secreto.Embrulhar caixa de fósforo com papel de presente para pendurar em árvore de natal.Entrar de loja em loja perguntando os preços e dizer pro vendedor:”Só tô dando uma olhadinha, qualquer coisa volto mais tarde”.Entrar em loja de R$ 1.99 e querer achar um presente legal.Esquentar a ponta da caneta prá ver se ela volta a escrever.Esticar a língua para lamber o fundo do copo de iogurte.Molhar a ponta da borracha com a língua para apagar erro.Mascar chicletes 3 horas seguidas até ficar branco e sem gosto.Passar cuspe ao cotovelo ressecado para amaciar.Passar o fio dental e depois cheirar para ver se o dente está podre.Receber visita e mostrar toda a casa.Colocar roupa pra secar atrás da geladeira.Tirar cera do ouvido com chave do carro ou tampa de caneta.Tomar cerveja em copo de extrato de tomate.Usar sacola plástica de supermercado para botar lixo.
E tomar banho de bacia, fala a verdade, você já tomou ?
– Nome?- José- Sexo?- Todo
– Nome?
– José
– Sexo?
– Todo dia
– Não senhor, homem ou mulher?
– Homem, mulher, cabrita, galinha, vaca, la na roça a gente não dispensa nada.!
então a culpa é do contador?
http://www.otempo.com.br/blogs/pol%C3%ADtica-19.298822/gustavo-perrella-n%C3%A3o-declara-a%C3%A7%C3%B5es-da-limeira-agropecu%C3%A1ria-ao-tse-19.300343
Belo artigo do
Belo artigo do Rovai:
http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2014/07/29/por-que-globo-tornou-novela-o-processo-kafkiano-contra-ativistas-rio/
Por que a Globo tornou novela o processo Kafkiano contra ativistas do Rio
Por Renato Rovai julho 29, 2014 22:55
Há uma narrativa em curso que vem sendo construída pela TV Globo e que busca catalizar a opinião pública contra um grupo de ativistas que foi acusado de formação de quadrilha e ação criminosa pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. A investigação é repleta de inconsistências e de diz-que-diz. Leva em consideração desde P2 que acha que Bakunin é um black bloc , até acusações de quem declaradamente afirma fazê-lo por vingança.
Mas então por que cargas d´água que a Rede Globo decidiu fazer um novelão usando desde o Jornal Nacional até o Fantástico para contar essa história? Por que de repente aqueles que num primeiro momento eram vilões do Merval, do Jabor e do Willian Wack e depois se tornaram heróis, agora voltaram a ser mais do que vilões, mas criminosos que precisam ser presos e se possíveis amargar longos anos na cadeia. Mesmo sem que haja provas contundentes contra quase todos eles.
Em primeiro lugar, a Globo não perdoa.
Ela percebeu que uma das palavras de ordem mais mobilizadoras das ruas em 2013 foi contra a emissora. E mais do que isso, ficou irritadíssima porque seus repórteres tiveram de sair disfarçados para trabalhar. Quem ousasse ir com microfone da emissora ou qualquer coisa que identificasse que trabalhava na empresa dos Marinhos, corria riscos. Este blogueiro, ao escrever isso, não está saboreando este tipo de ação. Sempre foi e continuará sendo contra qualquer tipo de violência. É humanista e pacifista e não liga a mínima de ser chamado de babaca por conta disso.
Em segundo lugar, a Globo sabe fazer contas.
A direção da emissora percebeu que criminalizar as Jornadas de Junho e torná-la em algo historicamente relacionado à esquerda e ao crime pode ser uma boa estratégia eleitoral no curto e no médio prazo. Tanto que depois das matérias da Globo, o PSDB soltou uma nota pedindo a prisão daqueles manifestantes que foram parar em Bangu. Aliás, no mesmo dia em que esse pessoal foi preso, também foram presas pessoas acusadas de atuar contra Aécio na internet. Os mandados de prisão por duas investigações que não tinham nenhuma relação foram expedidos no mesmo dia.
Em terceiro lugar, porque a Globo não tem limites.
Quando se coloca numa batalha, ela só enxerga os objetivos. Não se preocupa com o que terá de fazer para atingi-los. A emissora apoiou incondicionalmente a ditadura militar e não deu um pio enquanto centenas de jovens eram torturados e assassinados. Ela tinha claro que a parceria com aquele regime lhe tornaria um império. Agora, a Globo sentiu que amadurece um projeto de democratização das comunicações e mesmo que ele tenha sido retirado do plano de governo de Dilma que foi ao TSE, o PT e Lula estão convencidos de que é algo urgente. Por isso, a direção da emissora vai apostar tudo em Aécio Neves. Talvez mais do que apostou em outras oportunidades em Serra e Alckmin.
Além disso, ela também percebeu que há riscos de ser derrotada em casa. No no Rio de Janeiro, onde talvez vá se dar a disputa ao governo mais renhida, com quatro candidaturas relativamente embolas e com chances de vitória (Garotinho, Crivella, Pezão e Lindberg), a emissora só tem um candidato em que pode confiar plenamente, Pezão.
Garotinho se comporta como um inimigo da emissora, Crivella é da IURD e por consequência da Record e Lindberg é do PT. A narrativa que criminaliza ativistas no Rio também busca um efeito local. A tentativa é fazer crer que só o atual governo tem condições e pulso para lidar com esse “grupo de vândalos”.
Se para atingir seus objetivos a Globo tiver de fazer essas pessoas apodrecerem na cadeia, não titubeará. E por isso, essa ação contra eles ainda está longe de ser um caso encerrado.
Mais do que isso. Pode ser como o assassinato do príncipe Francisco Ferdinando, do império austro-húngaro, durante sua visita a Saravejo. O que parecia algo menor, levou à 1ª Guerra Mundial. Este processo Kafkiano que está sendo contado como uma novela das nove não é o fim de uma história. Tá mais com cara de ser o começo. Com um governo menos permeável às críticas pela esquerda, isso pode ser a regra e não exceção.
A Globo também sabe disso. E por isso está investindo tanto nesta história.
Pesquisa de mestrado no inquérito da Polícia
Depois do Bakunin, uma pesquisa de mestrado é citada como grupo organizado relacionado a crime:
Pesquisa de mestrado no inquérito da Polícia
http://portal.aprendiz.uol.com.br/2014/07/30/se-nao-fizermos-nada-podemos-ter-300-ativistas-presos-ate-o-fim-do-ano-afirma-professor/ Rebaixada » Novidades » Pesquisa de mestrado no inquérito da Polícia
30 de julho de 2014
Foi com grande surpresa que vi o nome da minha pesquisa de mestrado na lista de “grupos organizados” no inquérito da Operação Firewall, que investiga os protestos desde junho de 2013. Desenvolvido na UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), sob orientação da professora doutora Alita Sá Rego, o Rebaixada pesquisa a atuação da mídia alternativa nos megaeventos do Rio de Janeiro (Copa do Mundo, JMJ, Olimpíadas…).
O mestrado é do programa “Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas” e tem sua sede no campus da UERJ na Baixada Fluminense. Como todos os projetos de minha orientadora, desenvolvi uma parte prática do trabalho: o portal Rebaixada. Sua construção se deu em oficinas realizadas com estudantes e moradores vizinhos da Universidade, processo todo documentado no site.
O portal Rebaixada é um laboratório que experimenta tecnologias usadas pelos midiativistas durantes as recentes manifestações: mapas, wikis, games, agregadores, streaming, tradução, entre outras. Foi desenvolvido em software livre com código aberto. Sua principal funcionalidade é o Web Scraping, ou seja armazenar todas as informações produzidas pelas mídias alternativas para avaliação. Isso porque o Facebook é um “walled garden“, um sistema fechado, o que acaba dificultando a pesquisa acadêmica. Tal experimento também é realizado por iniciativas como o BRnasRuas e o AGREGA.LA.
Algumas experiências do Rebaixada ganharam destaque internacional de instituições como a UNESCO.
Um pouco do que já saiu sobre o projeto Rebaixada em todo o mundo:
UNESCOUNESCO BangkokSET / ABERTEBCSRNL – Syndicat national des radios libresAMARC – World Association of Community Radio BroadcastersUniversidad de Costa RicaINTERCOMPortal AprendizJornal da UERJ em QuestãoLECC UFRJPeriodismo CiudadanoPrefeitura de Duque de CaxiasOpen Knowledge FoundationTV UERJAgencia PulsarBrasil de Fato RJBrasil de Fato MG
Transações bélicas entre
Transações bélicas entre Brasil e Israel já atingiram a marca de US$ 1 bilhão
http://www.brasildefato.com.br/node/29377
Relatório internacional de 2011 detalha o comércio entres os países; mestrando em História também resgatou acordos, entre eles, o firmado com a empresa Global Shield que forneceu veículos utilizados na Copa do Mundo pelo BOPE e o CORE-RJ
30/07/2014
Da Redação
A condenação do governo brasileiro aos ataques de Israel à Faixa de Gaza iniciado em 8 de julho e que, até ontem (29), já causou a morte de 1.296 palestinos, além de deixar mais de 7 mil feridos, resultou na declaração do porta voz do governo de Israel, Yiagal Palmor, que chamou o Brasil de “anão diplomático”. A resposta israelense – que parece ter estremecido as relações diplomáticas entre os dois países -, no entanto, pode ocultar a parceria econômica entre as duas nações.
Segundo relatório da organização Stop The Wall, em 2011, contratos entre os dois países chegou a movimentar bilhões de dólares. Neste período, o documento aponta que o Brasil chegou a ser o quinto maior importador de armas israelenses e que, somente entre 2005 e 2010, esse comércio superou a marca de US$ 1 bilhão.
O relatório também apontou inúmeras situações que embasam o apoio do Brasil à indústria armamentista israelense: a abertura do escritório da FAB em Tel Aviv em 2003; um acordo de cooperação de segurança para facilitar a cooperação e contratos militares com Israel e a ajuda das autoridades brasileiras no contato de empresas israelenses de armas com outros países latino-americanos.
Duas empresas citadas no documento, a Elbit Systems e a Israel Aircraft Industries (IAI), que forneciam equipamentos para o Muro da Cisjordânia ou “Muro do Apartheid”, mantinham relações com o governo brasileiro. O muro começou a ser erguido no governo Ariel Sharon para cercar os territórios disputados entre palestinos e israelenses, com o propósito de “proteger” Israel da infiltração de terroristas. Porém, em 2004, o Tribunal Internacional de Justiça de Haia declarou a construção ilegal, pois corta terras palestinas e isola cerca de 450 mil pessoas.
“Os governos estrangeiros que adquirem armas israelenses não estão apenas comprando os frutos da ocupação, mas também garantindo que a indústria israelense de armas possa continuar produzindo armas cada vez mais sofisticadas para reprimir e matar os palestinos”, conclui o relatório.
Israel e Copa do Mundo
Em artigo publicado no site Desacato (http://desacato.info/), o mestrando em História, Alexandre Arienti Ramos, traça uma análise atualizada dos contratos entre os dois países. Entre outros acordos, Ramos resgatou o acordo do Brasil com a empresa israelense Global Shield, que, em 2013, forneceu veículos blindados para o Batalhão de Operações Especiais (BOPE) e para a Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) do Rio de Janeiro. Os armamentos foram vendidos 70% abaixo do preço de tabela para serem usados na Copa do Mundo e nos Jogos Olímpicos em 2016.
Quase metade dos detentos no País aguarda julgamento, diz ONU
O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,quase-metade-dos-presos-no-pais-aguarda-julgamento-diz-onu,1535803O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,quase-metade-dos-presos-no-pais-aguarda-julgamento-diz-onu,1535803O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,quase-metade-dos-presos-no-pais-aguarda-julgamento-diz-onu,1535803O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,quase-metade-dos-presos-no-pais-aguarda-julgamento-diz-onu,1535803“A presunção de inocência que consta da Constituição parece que na prática foi abandonada por juízes”, declara o informe da ONU. A entidade também alerta que a “pressão da opinião pública” tem levado juízes a manter suspeitos detidos.
http://noticias.r7.com/cidades/quase-metade-dos-detentos-no-pais-aguarda-julgamento-diz-onu-30072014
30/7/2014 às 10p4 (Atualizado em 30/7/2014 às 10p1)
Quase metade dos detentos no País aguarda julgamento, diz ONU
Documento mostra que cadeias brasileiras têm 200 mil presos a mais que a capacidade
As cadeias brasileiras têm quase 200 mil detentos a mais que a capacidade e 44% dos detentos — 217 mil — ainda aguardam julgamento.
A denúncia é da ONU (Organização das Nações Unidas) que, em um informe que será apresentado em setembro a governos de todo o mundo, acusa o Judiciário de “ineficiente” e alerta para a “superlotação endêmica” das cadeias.
O documento, preparado por um Grupo de Trabalho da ONU que visitou o País em março, será levado a debate a partir de 8 de setembro, em Genebra, durante a reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Uma versão preliminar do informe, obtida pelo Estado, revela um raio X alarmante.
O Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo e os peritos da ONU acusam diretamente o sistema judicial. De acordo com o informe, uma parte desses prisioneiros pode esperar “meses e até anos” para ser julgada.
— Durante esse período, os detentos frequentemente nem sabem o status de seu caso.
“A presunção de inocência que consta da Constituição parece que na prática foi abandonada por juízes”, declara o informe da ONU. A entidade também alerta que a “pressão da opinião pública” tem levado juízes a manter suspeitos detidos.
A ONU também denuncia a superlotação das prisões. Segundo a entidade, existem hoje no Brasil quatro prisões federais e 1.100 estaduais. Se a capacidade é para 355 mil detentos, o que se vê é a presença oficial de 549 mil. “Políticas públicas de mostrar firmeza contra o crime levaram a uma tendência de encarceramento em massa.”
Assistência
Outra crítica da ONU se refere à falta de assistência legal a milhares de detentos no Brasil. Segundo ela, parte importante dos detentos não tem como pagar um advogado.
— A maioria das pessoas na prisão é jovem, indígena, afrodescendente ou pobre.
A ONU apela ao governo federal e administrações estaduais que implementem penas alternativas e alerta que, apesar das emendas feitas ao Código Penal em 2011, não houve redução substancial de prisões.
Em setembro, quando o informe for apresentado, o governo terá a oportunidade de se defender das acusações.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.