9 comentários

  1. Ética e vergonha na cara

    http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2015/09/alckmin-paga-com-dinheiro-publico-r-15.htmlO governador Geraldo Alckmin (PSDB) usou dinheiro em 2014 e 2015 para fazer anúncios em revistas do pré-candidato tucano à Prefeitura de SP. João Doria, como pagamento, organizou uma festa para os tucanos em Nova York, ode falou sobre  impeachment de Dilma. João Doria recentemente  também  convidou o juiz Moro, com todas as despesas pagas,  para dar uma palestra no Lide.

     

     

     

  2. Os impostos, a saúde, o Brasil e a sonegação

     

    O programa matinal Bom Dia ao Brasil, da Rede Globo de televisão resolveu falar sobre os impostos no Brasil, alegando que paga-se muito imposto por aqui e que há pouca contra-partida. Será?
     

    Vejamos, conforme a própria reportagem.
     

    Citam que temos uma carga tributária média de 35%, já aí pode-se verificar que esse indicador não coloca o Brasil entre os maiores cobradores de impostos do mundo, falam ainda do imposto de renda, uma pessoa é entrevistada e diz que paga 20% do seu salário em imposto de renda-IR direto da fonte, essa informação sozinha não diz muita coisa, primeiro deveria-se saber quanto esse pessoa ganha por ano, mas de cara ela causa mais espanto porque o índice é mais baixo do que o contrário.
     

    Quem ganha até 2 salários mínimos-SM paga incríveis 53,9% de impostos, justamente porque essa faixa de contribuinte não tem mecanismos para obter isenção ou mesmo sonegar, algo que é muito comum nas faixas maiores, p.e., no topo da pirâmide de renda, que é de quem ganha mais de 30 SM por mês, o índice de impostos é de 29%. Como se pode ver, nesse pequeno retrato, um dos grandes problemas dos impostos no Brasil é a desproporcionalidade.
     

    A partir do relato de uma única contribuinte, vem uma explanação sobre as faixas de IR, que o Brasil atualmente possui 3, a faixa de isenção, de 15% e 27,5%, até 1994 eram 4 faixas, incluía a de 35%, retirada pelo governo FHC em uma de suas primeiras medidas após assumir a presidência do Brasil em 1995. Mas se olharmos a estatística do IR o problema está justamente aí, os ricos são poupados quem ganha muito paga muito pouco, não há taxação dos dividendos, fazendo com que muitos ricos no Brasil vivam tão somente do rentismo.
     

    Para não ficar tão mal na fita, citam a Alemanha, informando que lá o IR chega a até 47% da renda, mas o problema aqui no Brasil, segundo eles, é que há uma infinidade de outros impostos, sim, mas a média continua sendo 35%, ou não?
     

    Essa rede de TV, responsável pela matéria, foi acusada recentemente de criar subterfúrgios para sonegar, em uma única ação de um negócio para compra dos direitos de transmissão da copa do mundo de 2010, algo perto de 600 milhões de reais, isso mesmo, uma única empresa, em um único negócio é acusada, com provas de sonegação de mais de meio bilhão de reais. Qual a isenção que uma empresa que, sob suspeição de sonegar de imposto tem para fazer uma reportagem justamente criticando aquilo do que é acusada?
     

    Falam que aqui não se tem o retorno e a contrapartida proporcional ao que se paga, será que não?

    Os pobres com certeza não, mas já os mais ricos. Isso é fácil de ver, basta pegar a declaração de imposto de renda de um classe média-alta, ver quais as isenções que lhes couberam (saúde, educação, dividendos, poupança), outro meio para verificar tal falácia, de que não há contrapartida proporcional ao que se paga é visitar os bairros da nata brasileira, das classe médias-altas e altas e ver de quais serviços públicos eles gozam, de forma direta e indireta, os bairros nobres no Brasil tem IDH Norueguês, nossa elite tem sim retorno do que paga, na verdade bem além do que paga.
     

    Mas tem mais, na mesma edição do dia 14 set 2015, tem uma reportagem, creiam, criticando o subinvestimento na saúde, informando os problemas com a falta de remédios e a falta de mais de 81 hospitais especializados no Brasil.
     

    Vamos à análise, primeiro lembrando que, em 2007 cortaram a CPMF e de lá para cá deixou-se de investir na saúde brasileira algo em torno de 300 bilhões de reais, o que daria não só para construir os tais hospitais, como também clínicas de especialidades, mais UPA’s, comprar mais remédios, e melhorar o agendamento das consultas, afinal, tudo isso custa dinheiro. Para que se tenha uma base de comparação, o sistema de saúde na Inglaterra é semelhante ao nosso SUS-Sistema Único de Saúde, no entanto lá, os ingleses têm uma população 3 vezes menor e um orçamento 4 vezes maior, ou seja, não há almoço grátis nesse mundo onde o dinheiro é quem dita as prioridades, e quem paga esse almoço é o pobre, simples assim, os indicadores mostram isso, as estatísticas também.
     

    A CPMF era é um imposto justo, precisava apenas de alguns ajustes para uma melhor aplicação, o que foi proposto à época pelo governo, mas, numa ação casuística, foi cortada de forma abrupta, colocando em risco todo o sistema de saúde no Brasil.
     

    A título de exemplo do peso do referido imposto sobre a renda, uma pessoa que ganhasse, à época 100 mil reais por ano, pagaria 380 reais por ano, ou menos de 32 reais por mês, e a média de impostos individualmente paga no Brasil subiria para algo em torno de 35,5%, isso seria bem justo sabendo que a saúde poderia ser bem melhor, que não ficaríamos tão dependentes dos planos de saúde e de suas terríveis autorizações ou cláusulas de letrinhas minúsculas, que na maioria das vezes significam, não vamos cobrir seu procedimento.
     

    A matéria ainda compara de forma superficial, o Brasil com alguns casos nos EUA, só uma coisa, o sistema de saúde americano é um dos mais injustos do planeta, ou você tem dinheiro ou você não é ninguém, eles mesmo mostraram a evolução dos preços dos remédios contra o câncer nos EUA, valores realmente assustadores para qualquer cidadão comum, ter câncer nos EUA não é simplesmente perder sua saúde, mas também, em muitos casos perder toda sua economia de vida, sua casa e seus bens.

    Então, vem o comentário final do apresentador, que disse que a solução não era aumentar os impostos, mas combater a corrupção. Tirando o cinismo, haja vista o histórico da empresa em questão, é bom lembrar que esse é o período atual é o que mais tem se combatido a corrupção, ou alguém se lembra de tantas operações de combate a corrupção como nos dias de hoje? De tantos servidores públicos e políticos presos? Ou mesmo de grandes empresários?

    Estatísticas mais recentes dizem que no Brasil a sonegação pode chegar a até 600 bilhões de reais por ano, isso mesmo, por ano.

     

    Para concluir, é bom lembrar aos responsáveis pela matéria que sonegação também é corrupção.

    http://www.jornalggn.com.br/blog/brasil-debate/breves-consideracoes-sobre-ir-e-a-distribuicao-de-renda-no-brasil

  3. Google pode definir eleições e deve ser controlado, diz pesquisa

    Google pode definir eleições e deve ser controlado, diz pesquisador de Harvard 

     

    João Fellet – @joaofelletDa BBC Brasil em Washington

     

    Pesquisador afirma que Google poderia determinar o resultado de um quarto de todas as eleições do globo

     

    Em 2012, o pesquisador americano Robert Epstein se enfureceu quando o Google pôs um alerta de segurança em seu site pessoal.

    PhD em psicologia pela Universidade Harvard e pesquisador sênior do Instituto Americano para Pesquisa Comportamental e Tecnologia, ele ameaçou processar a empresa, temendo ter sua reputação abalada.

    Epstein baixou o tom ao descobrir que o alerta se devia à invasão do site por hackers. Mas, àquela altura, sua mira já havia se voltado contra a companhia, que hoje tem nele um de seus principais críticos.

    “Ao longo da história, sempre que uma empresa teve muito poder – estivesse abusando dele ou não – tivemos de criar proteções”, ele diz em entrevista à BBC Brasil.

    Na véspera da eleição presidencial na Índia, em 2014, Epstein viajou ao país para estudar a influência que o Google poderia exercer em votações. Sua equipe apresentou resultados de buscas sobre os dois principais candidatos a 2.150 eleitores indecisos.

    Um grupo via primeiro artigos positivos sobre um candidato, enquanto ao outro eram apresentados artigos positivos sobre outro candidato.

    A pesquisa revelou que 24% dos eleitores tinham propensão maior a votar nos candidatos cujos artigos positivos viam primeiro. Em alguns grupos demográficos, o efeito atingia 72% dos participantes.

    O experimento e pesquisas anteriores lhe fizeram concluir que o Google – principal site de buscas no mundo – tem o poder de determinar o resultado de um quarto de todas as eleições nacionais (para presidente ou Parlamento) do globo, principalmente, as mais disputadas.

    Em nota à BBC Brasil, a empresa afirmou que “não há nenhum fato verídico na hipótese” levantada por Epstein e que jamais alterou resultados de buscas para manipular usuários (veja, ao fim do texto, a íntegra da resposta do Google).

    Leia abaixo os principais trechos da entrevista, concedida por telefone.

     

     Poder do Google deveria ser controlado e monitorado por autoridades, segundo Robert Epstein

     

    BBC Brasil – A última eleição presidencial no Brasil foi decidida por uma margem de 3,28 pontos percentuais. Acha que o Google pode ter influenciado o resultado?

    Robert Epstein – Eles podem ter não só influenciado, mas facilmente determinado o resultado. Não posso ter certeza, mas acho que há uma chance razoável de que isso tenha ocorrido (ainda que ninguém tenha tido essa intenção).

    BBC Brasil – Há indício de que isso ocorra propositalmente?

    Epstein – Só posso especular. Sabemos que o Google e seus executivos doaram mais de US$ 800 mil para (Barack) Obama e só US$ 37 mil para (Mitt) Romney (candidato derrotado na última eleição americana, em 2012).

    O Wall Street Journal reportou que, na noite anterior à eleição, Eric Schmidt, à época o presidente do Google, estava pessoalmente chefiando uma equipe para que as pessoas fossem votar no Obama (Segundo o jornal, Schmidt estava supervisionando o uso de um sistema eletrônico que combate abstenções, estimulando simpatizantes de Obama a votar. A reportagem não diz se ele teria agido como indivíduo ou funcionário do Google).

    Então, não há dúvidas de que eles tinham uma preferência muito forte por Obama. Pela minha pesquisa, nós também sabemos que, se Obama fosse favorecido em rankings de pesquisa, isso poderia lhe render muitos milhões de votos nos últimos minutos.

    BBC Brasil – Como funcionaria esse mecanismo?

    Epstein – Quando um candidato está mais alto nos rankings de busca, isso muda a direção de eleitores indecisos. Chamamos isso de efeito de manipulação de sites de buscas (Seme, na sigla em inglês).

    Dados do próprio Google mostram que houve mais buscas logo antes da eleição para Obama que para Romney. Uma forma de gerar mais buscas é pôr um candidato mais alto em rankings de busca.

    Eu tenho certeza absoluta de que um executivo do Google deliberadamente manipulou resultados de buscas para que Obama ganhasse a eleição? Claro que não. Isso requer um delator ou uma investigação do FBI (a polícia federal americana).

    BBC Brasil – Ao agir assim, o Google não minaria sua credibilidade?

    Epstein – É o que eles dizem, mas o tipo de manipulação de que estamos falando é invisível. Mesmo na nossa pesquisa, os usuários não tinham consciência de que estavam sendo manipulados.

    Eles não perderiam nada ao usar isso para mudar uma eleição. Também seria legal – não há leis que proíbam isso.

    O fenômeno impacta mais que eleitores indecisos. Uma pesquisa de um instituto alemão mostrou que, ao pesquisar no Google sobre saúde – por exemplo, câncer de mama -, você recebe dez resultados de busca na primeira página. Um especialista verá que muitas das páginas contêm informações imprecisas.

    Pode-se ir além. Para qualquer informação que as pessoas buscarem na internet, há uma boa possibilidade de que o mecanismo de busca – e não porque alguém queira prejudicar os outros – esteja tendo um impacto nocivo nas atitudes de centenas de milhões de pessoas.

    BBC Brasil – O que sabemos sobre como os algoritmos do Google são elaborados?

    Epstein – Há milhares de empresas no mundo todo tentando descobrir isso todos os dias, para que coloquem seus produtos e serviços mais acima nas buscas.

    Nós não sabemos quais são as regras porque o Google diz mudar os algoritmos entre 500 a 600 vezes por ano.

    Google diz que muda algoritmo de busca de 500 a 600 vezes por ano

     

    Mas sabemos que a popularidade de links é um fator que usam e outro, talvez menos importante, é a quantidade de buscas.

    O modelo de negócios do Google envolve pegar informações que as pessoas pedem e usá-las para aprender sobre as pessoas, de modo a ligá-las a empresas vendendo produtos e serviços.

    Isso significa que, quando ranqueiam a ordem das buscas, não é necessariamente porque querem que você tenha a melhor informação. É para que possam ganhar dinheiro.

    BBC Brasil – Como se contrapor a essa influência?

    Epstein – Estamos pensando em possíveis alertas em navegadores que possam proteger eleitores, dizendo no topo dos resultados de pesquisas que elas parecem favorecer um candidato ou outro. Também estamos misturando a ordem de resultados de buscas.

    Ao longo da história, sempre que uma empresa teve muito poder – estivesse abusando dele ou não – tivemos de criar proteções.

    Na eleição de 1876, não houve dúvida de que uma companhia, a Western Union (à época a principal operadora de telégrafos nos EUA), determinou quem seria o presidente.

    Eles fizeram de tudo para que os jornais só publicassem histórias positivas sobre seu candidato e também compartilharam com ele toda a comunicação do adversário.

    BBC Brasil – O senhor decidiu pesquisar o Google por causa do episódio em que seu site foi bloqueado?

    Epstein – É verdade que meu site foi hackeado e terminei na lista negra por alguns dias. É isso o que me fez me interessar neles como uma empresa.

    Mas o incidente em si não é muito importante. O que importa é que todos encarem o tema criticamente.

    BBC Brasil – Existe alguma alternativa a sites de busca na forma como vivemos hoje? Poderíamos viver sem o Google?

    Epstein – A esta altura, não dá para ter um mundo sem eles.

    Muitas pessoas no Parlamento Europeu querem dividir o Google na Europa em companhias menores. Em vez de ser um enorme mecanismo de busca, seriam centenas, talvez especializados. Isso nos protegeria, de certa forma.

    Outra possibilidade é que o mecanismo de buscas se torne público – como a empresa de abastecimento, as companhias que nos dão os serviços básicos.

    E já que o Google é a melhor, talvez se torne a base para essa empresa pública. Em vez de ser dirigida secretamente, saberíamos exatamente o que ela está fazendo.

    BBC Brasil – Acha a ideia viável?

    Epstein – Não nos Estados Unidos, mas na Europa é possível, ou mesmo na Índia. Lá eles são fanáticos sobre a democracia. É ilegal divulgar dados de pesquisas eleitorais até depois das eleições, porque eles têm muito medo de que os dados desequilibrem as disputas.

    Só é preciso de um país para que a coisa comece. A maior telecom alemã e o maior grupo editorial europeu querem que o Google e o Facebook sejam estritamente regulados.

    BBC Brasil – Ao controlar a forma como Google opera, não correríamos o risco de agir como governos que censuram a internet?

    Epstein – Sim, há um risco tremendo. Não há maior fã do Google que eu. Eles criaram uma ferramenta extraordinária. Mas não existe saída fácil.

    Não importa se esses novos poderes de manipular estão sendo abusados neste instante, o que importa é que o poder existe. E isso basta para que façamos algo a respeito.

    ***

    Leia a resposta do Google às declarações de Robert Epstein:

    “Não há nenhum fato verídico na hipótese levantada pelo senhor Epstein de que o Google poderia trabalhar secretamente para influenciar o resultado de uma eleição. O Google nunca alterou a classificação dos seus resultados de busca em nenhum dos tópicos pesquisados pelos usuários (incluindo eleições) para manipular a opinião pública. Mais que isso, nós não produzimos nenhum ranking específico para eleições ou candidatos políticos. Desde o início, nosso objetivo com a busca é fornecer as respostas e resultados mais relevantes para nossos usuários e qualquer alteração nesta conduta acarretaria na diminuição da confiança em nossos resultados e, por consequência, em nossa empresa.”

    http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150901_epstein_google_jf_lk?post_id=10205409106802191_10205587431580199#_=_

     

  4. Pensando diferenças

    Para os incautos: farineheira é um embutido portugues.

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Farinheira

     

    Do Diário de Notícias de Lisboa

    E se os americanos nos chegam em balsas?

    por FERREIRA FERNANDES    12 setembro 2015

    Os estrangeiros são estranhos. Eu sei que o étimo latino é o mesmo, classificando os que são de fora, mas nunca deixo de me surpreender com pessoas que não gostam de farinheira. Como é possível haver lugares tão de fora e longínquos a ponto de fazerem pessoas que não gostam de farinheira? Mas essa questão guardo para mim, não vou amesquinhar quem já tem um defeito tão forte. Contemporizo com as bizarrias dos outros, sem lhes mostrar o meu espanto.

    Exceto com certos exageros. Pistolas em minha casa, por exemplo. Hoje já ninguém tem coldres nos cinturões, e com o costume abandonado perdeu-se a única forma de me amaciar. Em nome de Hopalong Cassidy (desenhos) e de John Wayne (filmes), eu admitiria pistola em coldre de cinturão levemente descaído para as coxas, sincera e, sobretudo, desbloqueadora de conversa.

    Agora, pistolas nas axilas, escondidas no cós das calças ou no bolso, não. E aquela enfiada na perna, logo acima do tornozelo, não é por ser pequenina que a aceito, pelo contrário, o seu esconderijo aumenta-me o repúdio. Americano que vai lá a casa, faço-o sentar no sofá e só começo a aceitá-lo quando ele cruzar ambas as pernas. É uma coisa que reparei: ninguém levanta a perna com coldre, mesmo quando este é para armas minorcas, calibre 38. Neste aspeto, só uma vez me distraí com um americano, aliás, americana, e não foi uma vez, tenho ido ao Youube confirmar e escapam-me sempre os tornozelos. Foi com a Sharon Stone.

    Às vezes pergunto-me se tudo isto não é um pouco xenófobo. Felizmente, o Atlântico é largo e tempestuoso, o que me poupa a confirmação de como eu reagiria se nos chegassem balsas de americanos. Sobre as farinheiras estou descansado. Quem come os chouriços que já vi expostos nos supermercados de Miami a Honolulu, está preparado até para as morcelas de sangue. O meu problema é com as pistolas. Não é uma questão de raça ou de religião, Mas americano em Portugal tem de responder a um questionário. Curto e com resposta múltipla para cruz no quadradinho “Sim” e “Não”. A pergunta é: “Posso apalpá-lo?”. Se a cruz for para o “Não”, não entra. Dispenso o questionário em minha casa porque, tirando o caso da Sharon, o meu olho clínico tem sido infalível.

    Admito que há uma generalização abusiva nesta minha identificação, americano igual a pistola. Mas isto é muito ano a ouvir notícias. De tão emprenhado pelos ouvidos acabei com medo de levar, de um americano, um tiro na testa. Também a primeira vez que vi uma placa lisboeta na casa onde viveu o romeno Mircea Eliade, fiquei admirado que fosse no meio duma rua. Romenos, para mim, era nas esquinas. Depois é que soube que o Eliade era filósofo e o Eugène Ionesco, o Cioran e o Tristan Tzara eram também romenos. A sério? O taxista que me apontou a placa disse-me que também ele próprio era romeno e tinha lido um livro de Eliade sobre a história das religiões. A sério? Como eu vos dizia, os estrangeiros estão cheio de coisas esquisitas.

    Os americanos é com pistolas. Ainda ontem li no Daily Telegraph que o copo-d’água do casamento de Anna Goldshmidt e Elan Stratiyevsky, nova-iorquinos ricos, levou um tiro. No hotel Waldorf-Astoria, um primo do noivo tinha uma pistola no bolso das calças. Era uma Ruger de 9mm com segurança no gatilho, mas um casamento é sempre um ato nervoso e os americanos (outra generalização, talvez), têm a deselegância de meterem as mãos nas calças durante uma festa. A bala partiu, estilhaçou o mármore do chão, feriu dois empregados nas pernas e uma convidada na cabeça. Um irmão do desastrado escondeu a arma mas o atirador foi descoberto. O infalível teste das calças: se têm um buraco chamuscado há forte probabilidade de o tiro ter saído por ali.

    A pretexto de não ter aparecido a arma, o Waldorf-Astoria anulou a festa de um milhão de dólares. Eu sempre que passo pela Park Avenue, detenho-me no passeio a olhar como um invejoso para o letreiro dourado: “The Waldorf-Astoria”. Nunca entrei mas se o porteiro soubesse que sou português, já fiquei parado no passeio um número suficiente de vezes para ele ter catalogado: “Português igual a invejoso manhoso.” Vai-se tornando tarde para eu desfazer essa generalização, os chineses compraram o hotel no ano passado, e vão fazer um condomínio. Dos porteiros dos hotéis para os porteiros dos condomínios, a nossa fama vai expandir-se.

    Entretanto, os noivos processaram o primo pelo copo-d’água estilhaçado. E o primo processou o hotel por se ter precipitado na anulação da festa: o Waldorf-Astoria devia pagar metade do prejuízo. Conclusão, para os americanos é 50 por cento normal um tiro num casamento. Como eu dizia, ainda bem que o Atlântico é largo.

     

     

  5. Do Antônio Mello

    FHC INSPIROU PF A CONVOCAR LULA A DEPOR SOBRE CORRUPÇÃO NA PETROBRAS

     
    Trecho do relatório da PF

    Há pouco mais de um mês, o ex-presidente FHC deu uma entrevista à revista alemã Capital. Nela, FHC diz que a corrupção começou em 2004 com Lula, “no escândalo do mensalão”.

    Questionado se Lula estaria envolvido, FHC responde: “Não sei em que medida. Politicamente responsável ele é com certeza. Os escândalos começaram no governo dele”.
    O ex-presidente, uma das principais lideranças do PSDB, afirma que era impossível que Lula não soubesse do mensalão. “Para colocá-lo atrás das grades, é necessário haver algo muito concreto. Talvez ele tenha que depor como testemunha. Isso já seria suficientemente desmoralizante”, comenta. [Confira aqui]
    Não pode ser simples coincidência que um delegado da PF tenha saído agora com um pedido estapafúrdio de autorização ao STF para interrogar Lula.

    Sem base alguma para o pedido (a não ser talvez a mesma “intuição” interessada de FHC), o delegado “em seu relatório cita Lula como suspeito de ter se beneficiado do esquema de corrupção da Petrobras para obter vantagens pessoais, para o governo e para o PT. Porém, o delegado pondera que, no entanto, não há provas que mostrem que Lula participou diretamente do esquema de corrupção” [Fonte: Exame].

    É fácil imaginar o festival que vai alvoroçar a mídia golpista, caso o STF dê a autorização para o interrogatório.

    Não é necessário que aconteça nada, nenhuma declaração ou revelação bombástica. As manchetes e reportagens de jornais, rádios e TVs vão fazer o possível e o impossível para deixar no ar que tudo começou com Lula (como disse FHC).

    Apenas isso “já seria suficientemente desmoralizante” (como quer, e declarou, FHC).

    Simples coincidência?  

     

  6. Mídia
     

    A mídia e Al Capone

    Eu cresci cantando a música de Raul Seixas e Paulo Coelho, “Al Capone: Ei! Al Capone Vê se te emenda Já sabem do teu furo, nego No imposto de renda Ei! Al Capone Vê se te orienta Assim desta maneira, nego Chicago não aguenta…”  

    Al Capone escapou várias vezes de ser condenado por seus outros crimes. Ele só foi preso, em 1931, quando o agente Eddie O’Hare descobriu que o gângster não declarava seus impostos. Por esse crime, Al Capone foi condenado a 11 anos, na prisão federal de Atlanta. Nem pagando, Al Capone se livrou da prisão e dinheiro para ele não era problema.

     Agora, aqui no Brasil, a coisa é seria! Milhares de brasileiros caem na “malha fina” e, todo dia, procuram a Receita Federa para negociar, quando querem continuar como bons pagadores.

    Agora, na “malha grossa”, a coisa é diferente, os fiscais da Receita são mai$ maleávei$. Se não vejamos, a Globo sonegou o Imposto de Renda da Copa do Mundo de 2002, cerca de R$ 180 milhões. E não é, como muitos, que cometem um erro material e, mesmo assim, caem na “malha fina” e são obrigados a prestar contas. Com a Globo foi bem diferente, pois a mesma foi fazer o negócio nas Ilhas Virgens, famoso paraíso fiscal, onde os bandidos de toda espécie vão fazer seus negócios espúrios.

    Pensam alguns: Ah!.A Globo é primária e por isso tem os benefícios da lei! Coisa nenhuma! No escândalo conhecido como Swssileaks, a Globo, junto com a Band, Folha de São Paulo, RBS, Editora Abril, responsável pela revista Veja, e outras têm contas na Suíça para lavagem de dinheiro, num total de R$ 20 bi, quase o que a presidente Dilma precisa arrecadar no “Ajuste Fiscal”. Esses veículos de comunicação, que se dizem diariamente indignados com a corrupção no país, quando vão prestar contas com o leão da Receita Federal? É bom saber quando, pois, caso contrário, o cidadão comum tentará fazer o mesmo!

    No auge do cinismo, a mídia ainda divulgou que o gerente da Petrobrás, Pedro Barrusco, tinha conta no HSBC da Suíça, mas pelo menos ele está respondendo pelos seus crimes, e devolvendo o dinheiro da corrupção. Diferente de Al Capone e do Pedro Barusco, a mídia não paga, não vai presa e, o mais grave, são concessionárias dos serviços público. Fica difícil acreditar que seja só negligência, incompetência ou sobrecarga de trabalho dos Fiscais da Receita Federal!

    Como dizia (Stanislaw Ponte Preta),  “Ou restaure-se a moralidade ou nos locupletemos todos”.

    Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP). 

    Rio de Janeiro, 15 de setembro de 2015 

    OBS.: Artigo enviado para possível publicação para o Globo, JB, o Dia, Folha, Estadão, Veja, Época entre outros órgãos de comunicação.

          

    http://emanuelcancella.blogspot.com.br/

     

     

     

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