Friedman e a a PUC-RJ

    De André Araújo, autor do livro “A Escola do Rio”

    Nassif:

    morto Milton Friedman lá vem o bestialógico nos necrológios da imprensa festiva. Ele foi um economista importante mas não um dos maiores do século XX. Sua contribuição foi pouco original, mais um aperfeiçoamento das teses ortodoxas dos grandes economistas inglêses dos séculos XVIII e XIX. Não há comparação entre a contribuição de Keynes e Friedman.

    Foi sem dúvida um dos economistas mais divulgados, porque parte importante de sua produção escrita era dirigida ao publico em geral e não só a economistas. Escrevia bem e muito e com isso seu nome ficou mais conhecido do que muitos outros grandes economistas, inclusive monetaristas anteriores a ele, como Irving Fisher.

    A importância de Friedman é muito mais ideológica do que acadêmica, ao ter suas teses ortodoxas abraçadas por Margaret Thatcher e Ronald Reagan e com isso associando seu nome ao neoliberalismo triunfante dos anos 70.

    Sem dúvida nessa área do conservadorismo economico Friedrich von Hayek foi um pioneiro de maior peso histórico do que Friedman, mais cosmopolita e mais humanista do que o guru de Chicago.

    Para os keynesianos e para os economistas à esquerda do neoliberalismo, Friedman foi muito mais controvertido e um pensador bem menos original do que querem fazer crer seus seguidores.

    De qualquer forma, o monetarismo de Chicago já há muito deixou de ter a influência dos anos 70 e 80, tendo chegado ao auge na Era Volcker no comando do FED em 1979 mas o próprio Volcker percebeu a tempo o erro em seguir um monetarismo de cartilha e já em 1982 mudava o curso do barco do FED, para tirar os EUA de uma recessão induzida por altas taxas de juros, praticadas pela aplicação das receitas de Friedman.

    Todavia o monetarismo de Chicago ainda tem um País que o segue a risca, o único do mundo, onde a receita de Friedman é escrupulosamente aplicada sem desvios há 12 anos, o Brasil.

    Aliás o Brasil tem vocação universal para ser o ultimo refúgio de credos e seitas, que aqui permanecem vivos décadas após sua extinção nas fontes de origem, como o Positivismo.

    A PUC Rio deveria receber um estipêndio da riquìssima Universidade de Chicago, por manter vivo o legado de Friedman, assim como se pagam aqueles que conservam túmulos nos cemitérios.

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