Gases de efeito estufa atingem nível recorde

A concentração de gases de efeito estufa atingiu, em 2008, nível recorde na atmosfera. Desde 1990 o fenômeno ambiental foi intensificado em 26%, levando a proporção de dióxido de carbono saltar de 350,0 partes por milhão para 385,2 parte por milhão.

Os resultados foram divulgados pela Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês), agência da Organização das Nações Unidas (ONU).

Acesse: http://www.wmo.int/pages/mediacentre/press_releases/pr_868_en.html

Os gases dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) são considerados de vida longa, ou seja, depois de liberados permanecem por muito tempo na atmosfera antes de se fixarem novamente nos solos, na água ou no organismo de seres vivos. Segundo o relatório da WMO esse levantamento confirma a tendência de aumento da concentração desses compostos desde 1750 quando o homem começou a fazer as primeiras medições.

Os organizadores do estudo ressaltam que as atividades humanas são responsáveis pelas emissões verificadas. Os três gases responsáveis pelo fenômeno de efeito estufa são naturalmente liberados pelas reações do meio ambiente, mas a exploração econômica reforça o desprendimento para a atmosfera.

O CO2 é o composto mais emitido no mundo – sua contribuição também é mais importante para a camada de formação do efeito estufa, perdendo apenas para o vapor da água. Os outros gases, no entanto, têm capacidade de retenção do calor maior do que a do dióxido de carbono – o CH4 é 25 vezes mais potente que o CO2; e o N2O, 250 vezes.

A WMO observa mais de 50 países para produzir o relatório. As análises também permitiram concluir que entre 1979-1984 o dióxido de carbono contribuiu com 52% da intensificação do efeito estufa. “Desde então, o CO2 foi responsável por 86% do aumento do forçamento radioativo, o que representa mais de quatro vezes o que todos os outros gases contribuíram”, explica a agência em relatório.

O glaciólogo e coordenador-geral da rede de pesquisas ‘Antártica, as Mudanças Globais e o Brasil’, no período 2002-2006, Jefferson Simões, afirma que não existe uma solução definitiva para reduzir a concentração de gases estufa no planeta. Primeiro o mundo deve ser visto como um único organismo, ou seja, as populações devem se conscientizar que suas ações impactam em territórios distantes dos países onde vivem.

“Hoje, para a circulação atmosférica das Américas, as regiões polares são tão importantes quanto as atividades exploratórias na Amazônia. Um exemplo é o caso do ozônio. As regiões industriais do hemisfério norte provocaram a abertura da camada nos dois pólos – o gelo do Ártico tem derretido devido a emissões registradas na Europa e Estados Unidos”, completa.

Dentre as outras ações que devem ser firmadas pelos governos, para desacelerar o aumento médio da temperatura do globo, estão as já conhecidas substituição dos combustíveis fósseis por matrizes renováveis e redução dos desmatamentos.

Países discutem metas


Entres os dias 7 e 18 de dezembro, a capital da Dinamarca, Copenhague, irá sediar o encontro mundial sobre mudança climática: a 15ª Conferência das Partes (COP-15), realizada pela Convenção-Quatro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC). A reunião ocorre anualmente, mas desta vez a comunidade internacional espera que os países ricos finalmente se comprometam com a redução de emissões dos gases de efeito-estufa, estabelecendo um acordo climático global com metas quantitativas.

As duas nações com os maiores níveis de poluição atmosférica do mundo anunciaram metas no corte de emissões de carbono equivalente. Em Copenhague, o governo norte americano irá propor a redução de 17% das suas emissões até 2020, e de 83% até 2050. Já o governo chinês anunciou por meio da agência oficial Xinhua, que pretende cortar entre 40% e 45% suas taxas de poluição até 2020.

Acesse: http://news.xinhuanet.com/english/2009-11/27/content_12551572.htm

Recentemente o governo brasileiro também anunciou suas metas de redução com níveis entre 36,1% e 38,9% até 2020.

O fator econômico tem sido pivô nas discussões que envolvem a necessidade de cortes nas nações mais desenvolvidas, já que a redução de gases de efeito estufa demanda investimentos para substituição de combustíveis fósseis por combustíveis de matrizes limpas, fim do desmatamento e desenvolvimento de tecnologias de captação de CO2.

O professor Simões destaca que além do fator econômico a maneira como o assunto é apresentado à sociedade – ou de modo catastrófico ou na versão fatalista – faz com que o tema seja visto com descrédito por um número significativo de pessoas.

“A humanidade não desaparecerá com o aumento da temperatura planetária. O que de fato irá acontecer será o crescimento de problemas relacionados a instabilidades climáticas como tempestades, desastres ambientais, regiões que vão parar de produzir alimento e falta de água. Ou seja, o que já estamos acostumados a enfrentar. A questão é que o custo de vida se tornará mais alto, pois esses fenômenos serão mais frequentes, lembrando que as populações mais carentes continuarão a ser prejudicadas”, diz.

O engenheiro agrônomo aposentado da Embrapa Pecuária Sudeste e um dos 17 cientistas brasileiros signatários do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC) destaca que será recorrente o aumento de tempestades, em especial, pela expansão de áreas degradadas:

“Chuvas pesadas, tornados, tufões, ventanias, granizos, são tentativas desesperadas da natureza para reduzir a temperatura. Por exemplo, a região Sul do Brasil é a que apresenta a melhor distribuição de chuvas no país. E esses eventos anormais são sinal de desequilíbrios graves ambientais não somente na região Sul como no restante do país”, explica. O professor concluí que os aquecimentos registrados a nível local e regional serão mais intensos que a média global.

Matérias relacionadas:
– Pesquisadores falam sobre aquecimento global (http://blogln.ning.com/profiles/blogs/pesquisadores-falam-sobre)
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