Georges Sorel, o Lockout dos caminhoneiros e a responsabilidade política do PSDB

A greve dos caminhoneiros para derrubar Dilma Rousseff é um fenômeno interessante e precisa ser estudado com atenção. Muitos destes caminhoneiros são donos de seus veículos e, portanto, sua ação direta não tem uma conotação trabalhista. Alguns deles tem mais de um caminhão. Ao arregimentar empregados para participar da greve, aqueles que são empregadores praticaram Lockout, algo proibido pela legislação brasileira. Contra estes, o Estado não só pode como deve tomar medidas severas.

O que causa mais espante é a crença dos caminhoneiros de que podem derrubar a presidenta eleita pelos brasileiros fechando as estradas. As estradas não são deles e podem ser abertas à força pelas Polícias Rodoviárias. Se houver resistência, prisões podem ser realizadas. Em caso de extrema necessidade, as autoridades podem até mesmo convocar contingentes adicionais das PMs para reprimir aqueles que tentam impedir as pessoas de exercer seu direito de ir e vir.

É evidente que os caminhoneiros realizam uma ação direta e que esta é violenta. A violência que eles praticam contra os demais usuários das rodovias é evidente e nada simbólica, pois os usuários de rodovias privadas e públicas estão sendo impedidos de chegar aos seus destinos. As violências que os caminhoneiros praticarem contra os policiais encarregados de normalizar o trânsito será ainda maior e, sem dúvida alguma, criminosa.

Os grevistas não tem qualquer reivindicação plausível. O que eles querem é forçar Dilma Rousseff a renunciar ou criar uma situação de caos que justifique um golpe de estado contra ela. Esta greve dos caminhoneiros é, portanto, política e pode ser compreendida segundo a teoria de Georges Sorel.

“…o sindicalismo revolucionário seria a grande força educativa que a sociedade contemporânea possui para preparar a derrocada e a substituição da ordem vigente, através da propagação do mito revolucionário: a idéia da greve geral. Essa, por sua vez, não seria apenas o instrumento que tornaria possível a revolução social, mas também consistiria em uma etapa preparatória de reeducação moral e difusão da solidariedade, despertando no proletariado sentimentos mais nobres, profundos e motivadores. A greve geral, portanto, seria ‘o mito no qual o socialismo está contido por inteiro, ou seja, uma organização de imagens capazes de evocar instintivamente todos os sentimentos que correspondem às diversas manifestações da guerra travada pelo socialismo contra a sociedade moderna’ (SOREL, 1992, p. 146).”

Georges Sorel e as massas revolucionárias, Joana El-Jaick Andrade 

www.ucs.br/etc/revistas/index.php/metis/article/download/1169/807

Um pouco mais adiante a autora afirma que:

“Para Sorel ‘a idéia de greve geral está tão bem-adaptada à alma operária que é capaz de dominá-la da maneira mais absoluta, não deixando nenhum lugar aos desejos que satisfariam os parlamentares’. Tal idéia seria a tal ponto motivadora que, uma vez que penetrasse nos espíritos, esses escapariam a todo controle de seus amos, estando o poder dos deputados reduzido a nada. (SOREL, 1992, p. 148). A superação da linguagem confusa e demagógica dos reformistas e sua substituição pela representação clara das forças em luta seriam, portanto, algumas das virtudes do mito revolucionário.”

Georges Sorel e as massas revolucionárias, Joana El-Jaick Andrade  

www.ucs.br/etc/revistas/index.php/metis/article/download/1169/807

A greve dos caminhoneiros, que pretende acarretar outras greves pelo desabastecimento e mediante a paralisação das estradas, não tem por finalidade substituir a democracia burguesa por uma democracia operária. Os caminhoneiros em greve não são revolucionários. Eles não querem destruir o poder ou o Estado. O que eles querem é destruir o mandato da presidente eleita pelos brasileira e empossada pelo TSE. Quem os líderes do movimento, que não representam ninguém além deles mesmos, pretendem colocar no poder? Se a greve atingir seu objetivo o Brasil se transformará na primeira tirania motorizada do planeta.

Georges Sorel foi um pensador que perambulou por diversas vertentes de esquerda. A apropriação de suas teses sobre a greve pelos militantes de extrema direita é uma anomalia. Mas não chega a causar estranhamento. O caldo de ódio destilado por Aécio Neves e pelos líderes do PSDB após a derrota eleitoral só poderia gerar fenômenos como esta greve violenta que conspira contra a normalidade constitucional. Em razão disto, não basta punir os caminhoneiros que agem como soldados da anarquia. É preciso responsabilizar os partidos e líderes políticos que criaram o clima de caos que criou as condições de possibilidades para a ação direta e violenta dos caminhoneiros.

Uma greve só é legítima quando os requisitos da LEI Nº 7.783, DE 28 DE JUNHO DE 1989 são atendidos e o movimento tem por finalidade obrigar o empregador a atender reinvidicações que possam ser consideradas lícitas pela Justiça do Trabalho. Não é lícito uma categoria profissional ou empresarial tentar modificar o resultado da eleição presidencial atropelando a competência do TSE para realizar eleições, diplomar e empossar o candidato vitorioso. Nesse sentido, se o PL Antiterroristas for aprovado no Senado e promulgado sem vetos pela Presidente, uma greve violenta com a finalidade de derrubar o governante do Brasil – como esta que está sendo promovida pelos caminhoneiros – poderá ser tratada como ato terrorista (inciso II, § 1º, do art. 2º). 

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