Governo Bolsonaro muda discurso para reverter queda de popularidade

Presidente Jair Bolsonaro e ministro Eduardo Pazuello correm para tentar mudar imagem, enquanto cresce reprovação do governo e a pressão por impeachment

Foto: Alan Santos/PR

Jornal GGN – O governo de Jair Bolsonaro tenta ajustar o discurso na tentativa de barrar a piora da crise e o avanço da pressão pelo impeachment, por conta da sucessão de falhas federais no enfrentamento à pandemia de covid-19.

Já se sabia que o mês de janeiro de 2021 não seria fácil para Bolsonaro por conta do fim do auxílio emergencial, mas o colapso da saúde em Manaus por conta da falta de oxigênio, a desorganização e as sucessivas derrotas para a compra de insumos e início da vacinação do país pioraram o quadro. Tanto que o início da vacinação no Brasil ficou a cargo de João Doria (PSDB), governador de São Paulo e adversário político do presidente Jair Bolsonaro.

E os efeitos desse cenário podem ser vistos na última pesquisa Datafolha, que mostrou um avanço de oito pontos percentuais na reprovação ao governo Bolsonaro, que chegou a 40% e superou novamente a aprovação, que passou de 37% para 31%. A maioria dos entrevistados se posicionou contra o impeachment (53% a 42%), mas esse percentual pode ser revertido caso a tensão política avance.

O ministro da Saúde, o general da ativa Eduardo Pazuello, realizou uma entrevista coletiva às pressas na última segunda-feira (18/01) para listar as ações federais em Manaus, em uma entrevista marcada por respostas ríspidas à imprensa, e pela confissão de ter conhecimento da escassez de oxigênio na capital do Amazonas com uma semana de antecedência à sucessão de mortes por asfixia por falta do gás medicinal – Pazuello chegou a culpar o fuso horário com a Índia pela dificuldade em negociar a liberação de vacinas.

O general da ativa também disse que nunca defendeu a cloroquina ou a adoção de tratamentos precoces contra a covid-19, o que é contraditado com sucessivos vídeos e documentos.

O plano de desdizer o que disse antes também foi adotado por Bolsonaro – um exemplo disso foi visto na última segunda-feira, quando o presidente disse a apoiadores que “a vacina é do Brasil”, em uma referência à CoronaVac, que chegou a chamar de “vacina chinesa de João Doria”. Depois, ele colocou em dúvida a credibilidade dos imunizantes em entrevista no Palácio do Alvorada, dando um fim de sete meses ao jejum de pronunciamentos à imprensa.

Outros pontos na mudança de discurso são o afastamento do chanceler Ernesto Araújo na negociação por insumos com a China, a carta enviada a Joe Biden por sua posse como presidente dos Estados Unidos, e a ida do secretário de Assuntos Estratégicos do Brasil, almirante Flávio Rocha, para dois dias de agenda na Argentina, alvo de sucessivas críticas e ironias de Bolsonaro. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

 

 

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