Governo liberal-fascista-conservador: Além de contraditório é inviável.

Governo liberal-fascista-conservador: Além de contraditório é inviável.

Conforme expressei no artigo “Um governo liberal-fascista-conservador? Uma verdadeira jabuticaba” as contradições entre os setores de apoio ao Governo Bolsonaro, no momento a jabuticaba está se transformando num abacaxi, exatamente pela presença destas fortes contradições, mesmo se os discursos forem feitos apenas de forma demagógica, como coloquei em evidência no discurso fascista desenvolvido por Mussolini, que foi modificando e se adaptando com o tempo, revolucionário no início e reacionário e conservador quando chega ao poder, o problema da contemporaneidade de discursos conflitantes não é de tão fácil gerenciamento.

A conclusão que se pode chegar é que duas pernas deste trio de formas conflitantes ideológicas terão que ceder para poderem coexistir, por exemplo, as tendências fascistas, direitistas que devem até determinado ponto apareceram como nacionalistas, terão que abrir mão de seu discurso em favor do discurso liberal, ou as outras linhas deverão fazer o mesmo.

Porém, deve-se levar em conta que esta autocensura de algum setor deverá levar em conta a sua base de sustentação, exemplificando melhor, os militares que apoiam abertamente Bolsonaro, são por sua vez sustentados pelo que na realidade lhes dá a força, ou seja, a tropa com seus comandantes operativos, isto quer dizer, as tropas, tenentes, capitães, majores, coronéis e generais, que de forma hierarquizada comandam os suboficiais, os que última instância que possuem a força real por serem mais numerosos e armados tem que ser considerados, pois generais da reserva estão fora do comando. No caso da  força aérea esta necessidade é ainda maior, pois que voa é quem tem a força.

Tanto o setor liberal do governo, como grande parte do setor conservador em costumes, nem estão aí para atitudes nacionalistas, porém como os liberais são variáveis segundo a linha adotada pelo grupo de economistas de plantão, se eles garantirem o fluxo de capitais para o exterior, e principalmente garantirem de FORMA ESTÁVEL E DURADORA. Se este fluxo, for comprometido a médio prazo por uma exacerbação do discurso e das práticas liberais, como as de Paulo Guedes, esta exacerbação poderá entrar em sérios conflitos com imensa parte da população, inclusive com os que apoiam o governo, e balançarem o pêndulo exatamente para o outro lado, frustrando a estabilidade da transferência de recursos. Como consequência disto, um novo time de liberais, menos afoitos e tão pró-mercado como o atual, poderão ter que substituir os primeiros.

Quanto aos conservadores em costume, a fratura pode ser até mais violenta sem a necessidade de pressões externas. O voto evangélico, que atualmente é comandado por alguns grandes pastores, está permanentemente sobre ameaça de milhares de outros pastores com tendências diferenciadas dos atuais líderes. O “mundo gospel” pode parecer algo muito coeso para quem olha da superfície, mas como são conservadores em COSTUMES, simplesmente uma leve suspeita levantada contra alguns atuais líderes, suspeita esta partindo de dentro da comunidade, elimina completamente a credibilidade dos mesmos, com isto os frutos monetários são abalados e as caras estruturas de financiamento, hávidas de muitos recursos, podem levar rapidamente seus próceres a falência, mesmo considerando a fortuna acumulada pelos mesmos, pois uma coisa é patrimônio, outra coisa é fluxo de caixa.

Ou seja, qualquer um das três contraditórias linhas de apoio do Governo Bolsonaro, manterão uma forte luta interna, que só se estabilizará quando dois setores cederem na sua influência no governo, somente neste ponto que o governo Bolsonaro poderá progredir em torno da linha preponderante, porém temos que levar em conta que não é somente as cúpulas que decidem, como relatado, para os militares há a tropa, para os liberais há a garantia do mínimo de capacidade econômica de transferência de recursos e finalmente para os conservadores em costume a coesão interna.

Quem espera um curto período para a estabilização, não fique esperançoso, pois há outros setores que no momento aparentemente são marginais, porém devido ao seus imbricamento com os setores básicos, e os mesmos possuindo as suas próprias pautas e aspirações, que ora oscilam numa direção e ora noutra. Poderíamos colocar em evidência, como setores atualmente mais ou menos marginais a grande imprensa, os ruralistas e setores industriais cada um tem uma pauta própria.

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