Governo quer mostrar ao STF somente trecho de vídeo mencionado por Moro

Vídeo supostamente havia sido manipulado por secretário de Bolsonaro. Depois de admitir entregar a íntegra, agora a AGU quer mostrar somente trechos ao STF

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – O polêmico vídeo mencionado por Sérgio Moro, em que o presidente Jair Bolsonaro teria ameaçado o então ministro a trocar o comando da Polícia Federal, ganha um novo capítulo. Após as controversas versões de ministros e secretários de Bolsonaro, agora, a Advocacia-Geral da União (AGU) pergunta ao Supremo Tribunal Federal quem terá acesso às imagens.

Após uma sequência de versões, de que não existia a gravação completa da reunião, de que as imagens foram manipuladas pelo chefe da assesoria especial da presidência da República, de que o cartão de memória com o vídeo estaria em mãos da Secretaria de Comunicação, entre outras, a AGU informou nesta quinta (07) que irá entregar a íntegra das imagens.

Mas hoje, enviou outro pedido ao ministro Celso de Mello, relator da investigação do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que diante da “iminente entrega do registro audiovisual completo da reunião presidencial”, quer saber “desde logo”, quem terá acesso ao vídeo.

E em seguida, novamente levanta a possibilidade de editar o material e entregar somente um trecho, para que sejam “segregados os elementos pertinentes” ao inquérito. No pedido, a AGU informa que editaria nesses cortes, se o ministro Celso de Mello assim deferir, ou seja, aceitar.

Ao ser questionado, a defesa de Moro enviou petição ao STF defendendo que “destacar trechos que são ou não importantes não pode ficar a cargo do investigado”.

Entenda

O vídeo solicitado pela Procuradoria-Geral da República citado por Moro foi uma reunião de ministros do governo Bolsonaro em que o então mandatário teria pedido a saída do diretor-geral da Polícia Federal (PF) e do superintendente da corporação no Rio.

Após constar como um dos pedidos da PGR no inquérito sobre a interferência de Bolsonaro na Polícia Federal, com base nas acusações de Moro, o governo entrou em contradição e disse ter apenas trechos da gravação.

Aliados de Bolsonaro não sabiam, ao certo, quem portou o cartão de memórias, mas afirmam que não captou o encontro na íntegra, mas apenas um trecho. O caso levantou suspeitas.

Um dos aliados do presidente, o chefe da assesoria especial da presidência da República, Célio Faria Júnior, foi apontado por alguns jornais como a pessoa que teria ficado com o cartão de memória e editado a gravação e que o cartão teria sido devolvido somente nesta terça, vazio.

Faria, por outro lado, nega. “Não tenho qualquer vídeo”, disse, ao ser questionado pela Folha de S.Paulo nesta quarta (06). “As reuniões realizadas na Presidência da República são eventualmente gravadas pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), com a única finalidade de divulgar as imagens da agenda presidencial, na sua maioria registros curtos e pontuais”, disse a secretaria.

A Secretaria de Comunicação, por sua vez, também nega que tenha as imagens. E a Advocacia-Geral da União (AGU), José Levi havia dito, ontem, que não queria entregar o vídeo integral, alegando que “foram tratados assuntos potencialmente sensíveis e reservados de Estado, inclusive de Relações Exteriores, entre outros”.

Após a polêmica, a AGU voltou atrás e entrou com um pedido ao Supremo, nesta quinta (07), afirmando que sim, irá entregar as imagens.

 

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