Gregório Duvivier ressuscita a velha discussão. Cristo era comunista?

 

Em plena época do Natal, Gregório Duvivier ressuscita uma velha discussão que vem e volta conforme os tempos: Cristo era comunista?

Várias pessoas apressadamente utilizando o conceito de anacronismo histórico dizem que o comunismo como ideologia só surgiu no século XIX e como na palestina da época de Jesus não havia o capitalismo clássico que aparece mais de um milênio após não faz sentido em falar de um Cristo comunista. Seria correta esta explicação?

Diria que é completamente errada sob a luz dos próprios ensinamentos marxistas. Marx assim como Engels não definem comunismo como uma forma de relação exclusiva de uma sociedade pós capitalismo, e diria mais eles identificam um COMUNISMO adjetivado de PRIMITIVO muito antes de Jesus.

Friedrich Engels, na sua obra “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado” de 1884, mostra claramente que em sociedades mais primitivas ele identifica o que veio a denominar COMUNISMO PRIMITIVO, coisa que é denominado com todas as letras no capítulo II deste livro, A Família, quando o mesmo trata de uma fase de evolução da sociedade, mostrando como se organizava a família na origem da história.

Cada família primitiva teve que cindir-se, o mais tardar depois de algumas gerações. A economia doméstica do comunismo primitivo, que domina com exclusividade até bem avançada a fase média da barbárie, prescrevia uma extensão máxima da comunidade familiar, variável segundo as circunstâncias, porém mais ou menos determinada em cada localidade. Mas, apenas surgida, a ideia da impropriedade da união sexual entre filhos da mesma mãe deve ter exercido sua influência na cisão das velhas comunidades domésticas (Hausgemeinden) e na formação de outras novas comunidades, que não coincidiam necessariamente com o grupo de famílias. Um ou mais grupos de irmãs convertiam-se no núcleo de uma comunidade, e seus irmãos carnais, no núcleo de outra.” vide em https://www.marxists.org/portugues/marx/1884/origem/cap02.htm

Conforme se vê há uma adjetivação da palavra COMUNISMO, mas no substantivo ela está presente, e diria mais além de que foi escrito por Engels, que caracteriza numa fase anterior a formação das pequenas comunidades pré-civilização, que ele caracteriza a evolução da sociedade de uma forma que talvez não seja aceita pelos antropólogos atuais, pois poderemos ver características de comunismo primitivo perpassando a fase de mero agrupamento familiar, porém isto é um detalhe, que até reforça as interpretações marxistas que um comunismo primitivo pode surgir até numa fase muito anterior ao próprio Cristo.

Também poderia citar exemplos de como uma sociedade comunista primitiva, tem imensa capacidade de se adaptar a uma sociedade socialista. Os inuits que habitavam a Sibéria Soviética tiveram uma facilidade incrível de se adaptar rapidamente a uma ideia de sociedade sem classes, pois apesar de não serem primitivos eles viviam de uma forma comunista, e simplesmente a pregação marxista junto a eles foi simplesmente de dizerem, continuem como vocês estão!

O que caracteriza o comunismo para os marxistas é a inexistência de uma sociedade de classe e principalmente a inexistência da exploração do homem pelo homem com o objetivo de acumulação de riquezas. Então a denominação de uma proposta comunista antes da existência da sociedade capitalista é possível, e o anacronismo nesta parte se torna completamente invalidado.

Outra diferenciação que se pode tentar fazer é nos objetivos das palavras de Cristo com a dos marxistas, pode-se tentar dizer que os cristãos atuam mais como um objetivo de salvação da alma, e enquanto os marxistas na salvação do corpo. Esta separação dos objetivos da patilha configurada nos evangélicos canônicos (não os gnósticos) não fica bem claro nas palavras neles escritas, podemos citar algumas passagens da bíblia para exemplificar melhor:

“Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me” (Mateus 19:21)

“Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem; quem tiver comida faça o mesmo.” (Lucas 3:11)

“Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.” Atos 2:44-45

Na primeira citação, a promessa da salvação pela prática da partição está clara, porém principalmente em Atos fica claro que as comunidades cristãs primitivas eram realmente COMUNISTAS, se por vontade da salvação ou não, pouco importa, mas a partição e distribuição dos bens fica claro.

Além disto podemos mostrar que o cristianismo primitivo era não escravocrata, não racistas e não sexista e igualitário ao extremo, pois no próprio evangelho estão escritas as seguintes palavras:

“Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus” “Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem mulher nem homem; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” (Gálatas 3:26,28) ou “Deus não faz acepção das pessoas.” (Romanos 2:11)

Um erro falar é que o cristianismo é essencialmente por desapego aos bens materiais é sim uma teologia de DIVISÃO DOS BENS e não deixar ninguém necessitado, é algo objetivo e não metafísico.

Mais outro exemplo que se pode dar é das comunidades jesuíticas da América que criaram sociedades muito semelhantes as dos países que tentaram implantar um regime socialista, eram extremamente evoluídas, com comunitarismo na educação, nas artes e na implementação da tecnologia, fundição, por exemplo, e como as burocracias socialistas eram administradas por outra burocracia que além de religiosa era um pouco mais igual do que os outros.

Outra semelhança anedótica que se pode achar entre o comunismo e o cristianismo, é que os seus representantes políticos ou religiosos conseguem simplesmente é distorcer toda a mensagem tanto de um como dos outros, pois PADRES e PASTORES dão a volta nisto tudo e contrariam FRONTALMENTE os princípios bíblicos, assim como muitos líderes de revoluções que transigem com os princípios básicos do marxismo.

 

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