Guedes quer privatizar “todas as estatais” rapidamente e destravar pacto federativo

Ministro diz a jornal que elabora uma lista das estatais para entregar a empresários, que será enviada ao TCU para "avaliação geral" e, depois, encaminhada ao Congresso

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – O ministro da Economia Paulo Guedes afirmou ao jornal Valor Econômico que quer privatizar “todas as empresas estatais” brasileiras, sem nenhum critério que aponte a necessidade ou não de vendê-las. E para executar isso rapidamente, já traçou um plano.

“Para encurtar o tempo gasto, em geral de um ano e meio, para fazer uma privatização, Guedes quer um ‘fast track’ para as vendas e concessões de estatais. E, em vez de tratar uma a uma, ele fará a lista das empresas públicas a serem alienadas, que submeterá ao presidente da República. Aprovada, ela será enviada ao Tribunal de Contas da União (TCU) para avaliação geral e encaminhada ao Congresso, para aprovação de uma lei autorizando a inclusão dessas companhias no Programa de Desestatização.”

Segundo Guedes, é com a venda das estatais, que ele chama de “desinvestimento”, que o governo Bolsonaro pretende cortar a despesa do Estado com o pagamento de juros da dívida pública, a segunda grande despesa a ser atacada. A primeira era a Previdência Social.

Guedes disse ao Valor que o “Estado brasileiro quebrou em todos os níveis, no federal, no estadual e no municipal. E a principal ameaça de engolir o Brasil é esse crescimento descontrolado da despesa pública obrigatória. Nela, o buraco negro era a Previdência – a despesa que mais cresce e que engoliria o país em um a dois anos.”

O ministro afirmou que não pretende mexer no teto dos gastos públicos, pois é uma “trava (a) essa trajetória de aumento descontrolado da despesa”, mas quer dar um jeito de “quebrar o piso da despesa obrigatória e a ferramenta para isso chama-se pacto federativo.”

Ele explicou que a classe política brasileira está condenada a mexer em 4% do orçamento porque 96% está destinado ao gasto obrigatório.

“São R$ 3,5 trilhões de recursos para alocar nos três níveis de governo. Esse dinheiro fica empoçado em fundos públicos, é capturado por piratas privados junto com interesses corporativos e, às vezes, burocratas corruptos. Cerca de 80% desses recursos vão para o pagamento da própria máquina, em salários e aposentadorias.”

Com o pacto, segundo Guedes, os políticos poderão redistribuir o dinheiro conforme a conveniência.

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