Há povo sem território. E território sem povo, é o caso do Brasil.

Existem povos sem territórios. São exemplos os Curdos, os Tibetanos, os Palestinos, os Bascos e os Chechenos para nos restringirmos apenas aos maiores. São aproximadamente 50 milhões de pessoas à procura de um lugar para chamar de seu.

E temos também território sem povo. Caso do Brasil. Um lugar lindo, rico, deslumbrante, poderoso e vasto. Mas sem povo.

Darci Ribeiro dizia que ainda precisávamos inventar o povo brasileiro pois, historicamente não passávamos de um entreposto comercial.

Pior, o empório chamado Brasil era movido a escravidão. Foram 4 séculos de escravagismo. Toda uma economia baseada na mão de obra escrava. Gerações e gerações de pretos nascendo e morrendo sem nunca verem a luz do sol.

Já no fim do século XIX, o parlamento imperial discutia a abolição da escravatura. Falavam sobre quase tudo. De quanto seria a indenização paga pelo estado por preto liberto, quais as garantias de continuidade do negócio e quem os substituiria nas lavouras e nas construções etc. .

A elite da época afirmava que estava preocupada com o futuro da nação brasileira. Balela! Se houvesse esta preocupação eles discutiriam o destino dos escravos.

O que fazer com eles depois de libertos? Como sobreviveriam? O governo os indenizariam também? Dariam um roçado? Devolveriam para o continente africano os ex-escravos com pelo menos uma carta de agradecimento? Não, ninguém simplesmente pensou neles!

10 milhões de almas postas nas ruas de uma hora para outra. Sem trabalho, educação, saúde e cidadania. Sem dinheiro, sem amparo legal e sem perspectiva. Lixo jogado fora. A preocupação do governo ou dos que deles se beneficiaram com o destino dessa massa humana era zero. Que se virassem. E se viraram. Miscigenação, sincretismo religioso, social e cultural. O brasileiro em construção.

Enquanto isso, vivendo numa redoma, a elite foi levando sua vida. Alienada da dinâmica social, perpetuou e passou aos seus descendentes a visão e os valores escravagista. Contaminando, por sua vez, a insípida classe média. O vetor, como sempre, foi a educação, a mídia e o poder.

Como nunca estudamos esse período a fundo, não nos livramos completamente dessa visão.

E sofremos por isso nos dias atuais.

A elite política, econômica, intelectual ainda vive em seus castelos. A classe média reproduz o comportamento dessa classe. O desprezo com os debaixo é o mesmo. Somos tratados como servos, sub-raça, preguiçosos, idiotas, ladinos e vagabundos. Enfim, o brasileiro típico. Mão-de-obra a servi-los e a segui-los, sem questionamento. E muitos assumem o pensamento elitista/paternalista como verdade.

Os golpistas, aproveitando desse ranço escravista, fazem o que querem. Acabam com os direitos trabalhistas, sociais e previdenciários. Destroem a educação e a saúde. Fecham indústrias. Entregam riquezas. Se submetem aos EUA. Compram na cara-dura deputados. Protegem bandidos e prendem inocentes. E nos esculacham. Descaso completo.

Então, não nos causa surpresa a proteção dada pelo congresso ao presidente bandido. A subserviência sim é que indigna. Mas é reflexo dessa postura senhor-escravo.

O período Lula/Dilma foi apenas um hiato nesses 517 anos de mandonismo. Tivemos um vislumbre do potencial e do orgulho de ser quem somos. Aí incomodamos o mundo deles.

Nesses treze anos começamos a discutir e a formar o que podemos chamar de provo brasileiro. Racismo, sexismo, misoginia, homofobia, direitos, inclusão e proteção entraram na pauta.

Mas, como se vê, foi logo abortado pela quadrilha de canalhas. E, se não lutarmos já, continuaremos a ser um proto-povo.

Temos um território, não temos um povo.

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1 comentário

  1. Os bascos um povo sem território??
    qué é esse disparate?
    São Paulo é um povo sem território só porque lá existe um novimento independentista do Brasil??
    Por favor, um pouco de pesquisa e responsabilidade antes de escrever sobre paises e situações que evidentemente não conhece

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