Hillary x Trump and The Fall of the Roman Empire

 

Três coisas caracterizam as eleições norte-americanas de 2016. A primeira é a despolitização do discurso eleitoral, pois os dois principais candidatos gastam muito tempo promovendo suas próprias virtudes e atacando o adversário. A segunda é o estímulo ao medo exagerado de Putin evocado diariamente por Hillary Clinton, que acusou Donald Trump de ser um “Manchurian Candidate” do presidente Russo.  A terceira é a ausência de uma perspectiva honesta na cobertura da disputa eleitoral.

Sobre a despolitização do discurso eleitoral não é preciso dizer muito. Trump e Clinton não apresentaram quaisquer propostas políticas ou econômicas inovadoras para superar a crise que provocou o empobrecimento da população norte-americana. O neoliberalismo, fonte das mazelas sócio-econômicas no jardim do Tio Sam seguirá seu curso qualquer que seja o novo habitante da Casa Branca.

Após se tornar candidato dos republicanos, Trump não moderou muito seu discurso. Ele continua inflamando sua platéia com uma mistura de machismo e intolerância bem ao gosto dos eleitores brancos da chamada América profunda. Hillary Clinton, por sua vez, se tornou mais e mais agressiva à medida que seus e-mails foram sendo vazados pelo Wikileaks. Ela acena para o público alvo de Trump atacando Putin e ameaçando confrontar a Rússia na Síria.

Pela primeira vez na história dos EUA, o bloqueio a Cuba deixou de ser um fenômeno eleitoral importante. É impossível dizer se isto será ruim ou bom para os dois candidatos que disputam os votos dos descendentes dos exilados cubanos. Israel continua sendo um elemento importante na disputa eleitoral dos EUA, mas a verdade é que a presença israelense no discurso político foi superada pela estatura colossal atribuída a Putin nesta eleição.

Mais preocupado com a campanha militar russa na Síria, Putin se colocou à margem da disputa eleitoral nos EUA. As notícias veiculadas pela imprensa sugerem que o presidente russo tem outras prioridades: reforçar suas defesas contra a OTAN, preservar o BRICS e ampliar as relações bilaterais da Rússia com a China e o Irã.

Apesar de Putin ter se distanciado da cena eleitoral norte-americana, ele foi atraído para o centro da disputa premiada com quatro anos na Casa Branca. Talvez isto tenha ocorrido por força da despolitização da disputa eleitoral nos EUA. Com o intuito de preservar o neoliberalismo, Hillary Clinton construiu a presença ameaçadora de Putin na disputa presidencial. Ligado ao bug-man russo pela imprensa pró-democrata, Trump se viu obrigado a citar constantemente a citar Putin.

Um império à deriva em que o governo é disputado de maneira irracional por cidadãos corrompidos e entregues aos prazeres mundanos. Não, apesar da semelhança evidente com os EUA, esta não é uma descrição do império norte-americano na atualidade. Assim foi retratado o declínio e queda do império romano nas últimas cenas do filme The Fall of the Roman Empire (1964).

Ao estimular o medo de Putin e o racismo e o machismo, Hillary Clinton e Donald Trump parecem estar seguindo o roteiro do filme clássico fracassado de Anthony Mann. O fenômeno, porém, não é notado pela imprensa norte-americana. Nos EUA os jornalistas ainda se comportam como se o novo habitante da Casa Branca pudesse ser tratado como um César reluzente renascido das cinzas de Roma após Nero (ou os inimigos dele) ter incendiado a cidade eterna.

O império norte-americano caiu e os bárbaros que se acreditam romanos ainda não perceberam? Quem sabe… Afinal, nos anos 1950 (ápice do império norte-americano) a política era coisa séria e não uma forma de ganhar dinheiro produzindo bonequinhos como os que ilustram esta matéria.  

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