Homossexuais criam suas próprias igrejas

Sugerido por Gunter Zibell – SP

Da Época

É possível ser gay e cristão?

Cansados da exclusão religiosa, os homossexuais criam suas próprias igrejas e inventam novas formas de interpretar as proibições da ‘Bíblia’

MARÍLIA DE CAMARGO CÉSAR

No próximo dia 13, no Rio de Janeiro, em meio à extravagância e ao carnaval que costumam marcar a Parada Gay, um grupo de jovens ligados à Igreja da Comunidade Metropolitana distribuirá folhetos e erguerá cartazes em que anunciam o amor incondicional de Deus por todos os homens, incluindo homossexuais, travestis e transgêneros.

Esse pequeno rebanho de ovelhas, lideradas no Rio pelo pastor Márcio Retamero, faz parte de uma das comunidades chamadas “inclusivas”. São pessoas, em sua maioria de orientação homoafetiva, que acreditam na releitura dos trechos das Sagradas Escrituras que condenam a prática homossexual. Dados aproximados revelam a existência de 28 comunidades desse tipo organizadas no Brasil, em nove Estados. Um levantamento entre os líderes dessas comunidades, feito a pedido da BBC-Brasil em 2012, sugere uma frequência estimada de 10 mil pessoas. Muitas delas foram expulsas de igrejas evangélicas tradicionais, após assumir ser gays, ou afastadas por uma forma mais sutil de assassinato: o desprezo ou a indiferença.

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Sem saber, os participantes da Parada Gay repetirão uma forma de manifesto organizada pela primeira vez na história em 1970, nas ruas de Los Angeles, nos Estados Unidos, por um pastor protestante. Ordenado pastor batista quando tinha apenas 15 anos, numa pequena congregação no Estado da Flórida, onde se casou e teve dois filhos, o reverendo Troy Perry se afastara do trabalho após divorciar-se da esposa e admitir ser gay.

Depois de entrar numa crise existencial, que o levou perto do suicídio, Perry diz ter recebido um chamado divino para voltar a pastorear – desta vez, com a atenção voltada às pessoas que, como ele, eram discriminadas por causa da orientação sexual. Assim nasceu a Metropolitan Community Churches (MCC), a primeira denominação inclusiva dos Estados Unidos. A MCC reúne hoje 43 mil membros, em 222 congregações espalhadas por 37 países. Está no Brasil desde 2009, onde conta com oito comunidades. O trabalho do pastor carioca Márcio Retamero está vinculado à MCC.

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O chamado pastoral de Perry deu origem à controversa teologia inclusiva, também denominada teologia queer (outra palavra para gay, em inglês), ou afirmativa. Trata-se de uma reinterpretação bíblica contestada pelos teólogos tradicionais.

Um exemplo dessa releitura está na conhecida história sobre a destruição das cidades de Sodoma e Gomorra, narrada no livro de Gênesis. Os inclusivos usam uma passagem bíblica do livro do profeta Ezequiel (Ezequiel 16:49) para reforçar sua teoria de que o grande pecado das duas cidades não foi a devassidão homossexual, mas a falta de hospitalidade e de justiça social. O texto bíblico afirma: “Eis que essa foi a iniquidade de Sodoma, fartura de pão e próspera ociosidade teve ela e suas filhas, mas nunca amparou o pobre e o necessitado”. Ausência de interesse por justiça social e de preocupação com os viajantes numa cultura nômade, onde ser hospitaleiro era um dos traços de generosidade mais importantes, são os grandes pecados que os teólogos gays atribuem a Sodoma e Gomorra.

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Os pesquisadores tradicionais contestam. Dizem que aqueles que advogam apenas falta de cortesia ou de preocupação social por parte da população de Sodoma ignoram a passagem do livro de Judas, que afirma: “De modo semelhante a estes, Sodoma e Gomorra e as cidades em redor se entregaram à imoralidade e a relações sexuais antinaturais. Estando sob o castigo do fogo eterno, elas servem de exemplo”.

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 Burstein Collection/Corbis)CASTIGO
A destruição de Sodoma, em quadro de Veronese (1510-1553). A teologia gay recusa a culpa (Foto: Burstein Collection/Corbis)

“Há uma tradição de 5 mil anos de história judaico-cristã-islâmica e até agora não surgira nenhum teólogo, nenhum exegeta que tivesse feito outra leitura desses textos. De Abraão até o século XX, não houve releituras. De repente, surge um grupo que teve uma iluminação”, afirmou, com ironia, em entrevista para o livro Entre a cruz e o arco-íris, de minha autoria, Dom Robinson Cavalcanti, arcebispo da Diocese de Olinda da Igreja Anglicana do Cone Sul da América. Dom Robinson, morto em 2012, acreditava que esse debate estava inserido num movimento cultural global, de caráter ideológico. “A Igreja teve os pais apostólicos, os pais da Igreja, os reformadores, a filosofia oriental ortodoxa, e ninguém nunca viu isso. Agora chegam os americanos e fazem uma releitura”, afirmou. “Trata-se de uma grande pirueta teológica.”

A discussão teológica é apenas uma das questões que pautam o difícil relacionamento entre as igrejas cristãs e os fiéis homossexuais. Quando se mergulha nesse universo, como eu fiz, fica claro que as igrejas ainda não estão dispostas nem preparadas para desenvolver uma pastoral adequada aos homossexuais, uma minoria que, como os leprosos nos tempos de Jesus, é deixada à margem e condenada ao isolamento.

O pastor Ricardo Barbosa, da Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília, um experiente conselheiro de casais cristãos, resume bem a questão: “Ouvi de um rapaz que foi homossexual praticante durante muito tempo que nós afirmamos que a graça de Deus basta, que Deus ama o pecador. Cantamos para que eles venham como estão. Mas não no caso dos gays. No caso dos gays, pedimos que mudem primeiro. A Igreja deve manter o mesmo convite para todos, para que todos possam caminhar em direção à vida que Cristo nos oferece. A Igreja precisa se preparar para isso”.

Não se trata de uma conversa fácil e, nessa arena, muitos lutam com as armas de que dispõem em favor daquilo em que acreditam. Pastores surgem na televisão, inflamados, amaldiçoando a homossexualidade como o pecado sem perdão. Ativistas gays, por outro lado, combatem a postura das igrejas, na tentativa de amordaçá-las e impedi-las, por via legal, de ensinar o que as Escrituras Sagradas estabelecem a respeito do assunto. Assim descreve o teólogo e escritor Richard Foster: “A homossexualidade é um problema tão difícil de tratar dentro da comunidade cristã que tudo o que for dito será severamente criticado”.

Por mais que pareça estranho, muitos cristãos ignoram o fato de que há um rebanho formado por homossexuais que congrega, nas igrejas, anônimos, sem poder assumir quem são, levando vidas que Henry David Thoreau definiu como de “silencioso desespero”. São pessoas comuns, cristãos sinceros que nutrem o desejo de servir ao mesmo Senhor adorado pela maioria heterossexual. São homens e mulheres que foram aceitos pelo amor incondicional de um Deus que, segundo a Bíblia, não faz distinção entre as pessoas, mas que descobriram, na prática, igrejas que a fazem.

Por essa razão, é de esperar que as igrejas inclusivas continuem crescendo também no Brasil. Os líderes das comunidades evangélicas amigas dos gays preveem o dobro do número de fiéis nos próximos cinco anos. Mesmo essas congregações podem não ser a resposta ideal para alguns. A arquiteta Fátima Regina de Souza, um dos personagens de meu livro, frequentou por um tempo uma dessas comunidades, onde fez amigos. Ela não se adaptou. Não gostou da sensação de ficar confinada a um gueto.

Para Fátima, o lado mais difícil em sua viagem de autoconhecimento e autoaceitação é enfrentar o preconceito. Ela tem a impressão de que as pessoas sempre pensam que o homossexual cristão não fez tudo o que podia para mudar, não buscou a Deus o suficiente. “É como se a gente estivesse sempre em falta”, diz ela. “As pessoas lançam esse olhar de desconfiança sobre nós sem nem antes encarar os próprios problemas. Isso machuca muito. Com o tempo, a gente vai aprendendo a se proteger.”

Há alguns anos, Fátima voltou a reunir-se numa pequena e acolhedora congregação, em Ribeirão Preto, onde mora. Ali, diz ter encontrado cristãos que a amaram do jeito que ela é e, segundo diz, tornaram sua vida viável. 

A jornalista Marília de Camargo César, do jornal Valor Econômico, é autora de Feridos em nome de Deus. Seu novo livro, Entre a cruz e o arco-íris, será lançado pela Editora Gutenberg em 14 de outubro 

28 comentários

  1. CANSATIVO

    É cansativo esse assunto. Sempre os gays querendo que o mundo diga “ok, vocês venceram, amamos gays, queremos varios filhos gays, vamos pintar nossas casas de rosa, vamos permitir que o governo repasse 5% do PIB para financiar as paradas gays, vamos criar a “cota para gays” nas faculdades e serviços publicos…

    Pô, enche o saco esse papo!!! Sempre a mesma coisa!!! Vivam as suas vidas, beijem quem queiram beijar, façam sexo da forma como acharem melhor, mas deixem quem não achar homossexualismo o máximo em paz!!!

    Se você é gay e acredita em Deus, ótimo, siga sua vida, vá a igreja, e pronto! A provocação só acabará criando desavenças, toda imposição acaba gerando movimento contrário, porque as pessoas não aceitam que seja imposto um modo de vida, um sentimento que não é compartilhado por todos…

    Sejam vocês mesmos, e deixem que os outros pensem diferente!!!

  2. O que incomoda é a felicidade

    Ah! Sinceramente o que cansa é esse papo religioso de julgar,condenar, apartar, vigiar as pessoas pelas suas opções sexuais. Tenham dó! Estamos em pleno século XXI!  Deus por acaso está aí com isso? Que Deus é esse pequeno que fica a vigiar os corpos ao invés das almas?

    Que raios de cristianismo é esse que segrega , que de forma  inquisitorial julga e condena? Só existe um único objetivo para o cristão amai o teu próximo como a ti mesmo. O resto é firula. 

    O meu Deus, o Deus que eu sigo é magnânimo e único que tudo criou com amor, amando  todas as suas criaturas indiscriminadamente. E o que me resta é fazer o mesmo, seguir os seus passos.

    E cada um que cuide de seu próprio umbigo.

    E  Michell Focault, filósofo francês que era gay, disse um dia  : “Não é o prazer que é intolerável aos olhos da sociedade , não é que dois rapazes vivam juntos , é o ‘despertar feliz’. …”  ” O prazer é tolerado , pois ele se inscreve em uma economia mais geral, admitido, pois sempre tem a sua punição. Mas a felicidade não é compensada , e, logo, não é tolerada.” Isto é: o que incomoda é a felicidade do outro.

    De modo que peço ao Gunter que continue sempre a nos pautar com posts sobre a causa gay.

    E Orlando, nem vem que não tem , ok? Tô completamente sem paciência para a sua proposta de discussão tão cheia de ditos verdadeiros, ou dizendo de um outro modo, de veredictos.

     

    • e conhecereis a verdade e a

      e conhecereis a verdade e a verdade te libertara  O TEU CORPO E TEMPLO E MORRADA DO ESPIRITO SANTO DE DEUS DE DEUS TU ENTENDE ISSO? DEUS E AMOR MAIS Tambem e fogo consumidor ELE ama o pecador  mas abonina a pratica pecaminosa  jesus so ele pode te libertar  se vc permitir .

    • Romanos 1:22-32

      A lógica de uma igreja cristã é ler a bíblia, se construíram uma para gays, então como irão interpretar Romanos 1:22-32… ou irão pular essa parte!!! leia  e depois responde conforme sua interpretação…Simples.

  3. A solução é tolerar e respeitar

    Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.

    Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.
    E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.
    Romanos capítulo 1

    Esse texto foi escrito há dois mil anos atrás!

    Acho que a fé cristão é incompatível com a visão de que a homossexualidade é natural.

    O mehor é tolerar e respeitar.

  4. Pastores gays X Romanos 1..,não da liga

    A lógica de um igreja Cristã é a Bíblia, então como pastores e pastoras gays interpreterão a passagem de Romanos 1:22-32…ou pularão essa parte… Jesus disse em amai-vos uns aos outros, mas também disse que veio cumprir as leis para que não andes mais no pecado da carne…Agora que leis??? estão não bíblia como roamanos 1 também está…

    • Paulo está a escrever esta

      Paulo está a escrever esta carta aos Romanos depois da sua viagem missionária pelo Mediterrâneo. Na sua viagem, Paulo tinha visto grandes templos construídos em honra de Afrodite, Diana, e outros deuses da fertilidade e deusas do sexo e da paixão, em detrimento do único e verdadeiro Deus que o apóstolo honrava. Aparentemente, esses sacerdotes e sacerdotisas envolviam-se frequentemente em situações sexuais bizarras – incluindo castração, participavam em orgias sexuais embriagados e até tinham relações sexuais com jovens prostitutos e prostitutas do templo – tudo para honrar os deuses do sexo e do prazer.

       

      A Bíblia é clara ao afirmar que a sexualidade é um dom de Deus. O nosso Criador celebra a nossa paixão. Mas a Bíblia também é clara ao dizer que quando a paixão toma o controle das nossas vidas, estamos em apuros.

       

      Quando vivemos para o prazer, quando nos esquecemos que somos filhos de Deus e que Deus tem grandes sonhos para a nossa vida, podemos acabar servindo os falsos deuses do sexo e da paixão, assim como eles fizeram no tempo de Paulo. Na nossa obsessão pelo prazer, que pode até mesmo afastar-nos do Deus que nos criou – e, que no processo, pode até fazer com que Deus abandone todos os grandes sonhos e planos que Ele tem para as nossas vidas.

       

      Será que esses sacerdotes e sacerdotisas tinham esses comportamentos, porque eles eram lésbicas ou homossexuais? Sinceramente acho que não. Será que Deus os abandonaria porque eles eram homossexuais? Não.

       

       Fonte: http://rumosnovos-ghc.blogs.sapo.pt/46797.html

  5. Participação
    Por favor me mandem o endereço,sinto falta mas não sou aceita,quero endereço de igreja s q aceitam de verdade gueys ,meu ZAP,995735768

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