ICMBio mantém quadro reduzido de especialistas

Pesquisa revela que, após três décadas de existência, Centros Especializados do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio) mantém quadro reduzido de especialistas desenvolvendo menos de 70% das atividades relacionadas à Biodiversidade de Conservação. Para se ter ideia, o número de doutores dentro das instituições representa menos de 10% (8,7%) do quadro técnico disponíveis para estudos e projetos de manutenção da biodiversidade.

A avaliação é da analista ambiental Márcia Rodrigues. Em trabalho, defendido e aprovado em julho de 2009 ao programa de doutorado em Política Científica e Tecnológica da Unicamp, a pesquisadora analisa a estrutura de sete dos 11 Centros Especializados do ICMBio, e também os critérios de contratação dos profissionais ligados a proteção e pesquisa ambiental.

Rodrigues destaca que, em 2007, o número de especialistas nos Centros era “extremamente reduzido”: 14 doutores, 38 mestres e 35 especialistas, dedicados às atividades de pesquisa e intervenção, “vis-à-vis a mega biodiversidade brasileira e o elevado número de espécies ameaçadas de extinção”, completa.

Em relação à Biologia da Conservação, todos os sete Centros atuam na pesquisa científica e na intervenção para conservação da diversidade biológica. Entretanto, as instituições não desenvolviam 70% das atividades relacionadas à conservação.

Dois centros (CENAP e CMA) foram os únicos que indicaram desenvolver mais de 60% dessas atividades. Enquanto outros dois (CEPTA e CECAV) foram os que menos se identificaram com ações à pesquisa e manutenção da biodiversidade.

“Uma forma dos Centros Especializados do ICMBio contornarem a escassez de recursos financeiros e humanos é o estabelecimento de parcerias com universidades e outras instituições de pesquisa de sorte que consigam complementar a infra-estrutura de pesquisa (como exemplo a utilização de laboratórios), aumentar o número de pesquisadores colaboradores (preferencialmente alunos de programas de pós-graduação) e ampliar as temáticas de pesquisa de interesse à conservação da biodiversidade nos Programas de Pós-Graduação brasileiros”, recomenda.

Em relação a qualificação profissional, a pesquisadora observou que, enquanto as universidade públicas exigem como formação mínima para participação de seus processos seletivos o doutorado, o ICMBio, no Edital nº 1 de 21 de outubro de 2008, exigiu como quesito mínimo apenas o curso de nível superior.

Márcia Rodrigues acrescenta que o ICMBio não possui um plano de carreira diferenciado para incentivar os analistas ambientais que desenvolvem pesquisas, incluindo um plano de capacitação e de bonificação por título.

Para acessar o estudo na íntegra, clique aqui.

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