Indicação de parentes para cargos no governo Bolsonaro não se limita a Braga Netto

Parlamentares apoiadores do governo não hesitaram em nomear seus parentes por "capacidade técnica" e até "relação de amizade" para ocupar a Funasa, Codevasf e Conab

Esposa do deputado Wellington Roberto (PR-PB) foi indicada a cargo na Funasa. | Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Jornal GGN  –  A prática de nepotismo, mesmo velado, já é praxe da gestão de Jair Bolsonaro (sem partido). Deputados, senadores e aliados do mandatário não hesitaram em nomear parentes para cargos do governo federal. As informações são do jornal O Globo. 

A indicação da filha do ministro da Casa Civil, Braga Netto, para uma vaga na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), frustrada após a divulgação, não é um caso isolado do governo. 

Parentes de parlamentares bolsonaristas ocupam cargos em órgãos federais como a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

De acordo com a reportagem, os políticos alegaram que as nomeações de esposas, filhos, irmãos, tios e pais foram feitas a partir da ‘capacidade técnica’ e até ‘relação de amizade’ dos envolvidos.

Um desses casos é do filho do senador Elmano Férrer (PODE-PI), Leonardo Férrer, que tornou-se ouvidor na Codevasf em maio deste ano. Ele teve um voto contrário da representante dos trabalhadores da companhia, para ela o cargo deveria ser de um servidor de carreira.

Já na Funasa, vinculada ao Ministério da Saúde, o governo nomeou pelo menos três parentes de parlamentares, como a mulher do líder do PL, Wellington Roberto (PB), Deborah Roberto, e uma tia do deputado Gustinho Ribeiro (SD-SE), Maria Luiz Felix. Na superintendência do órgão na Paraíba, está a mãe do líder da maioria na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). 

O senador Izalci Lucas (PSDB-DF), vice-líder do governo no Senado Federal, tem o filho, Sérgio Fernandes Ferreira, empregado em uma diretoria no Ministério do Turismo.

Em abril de 2019, o deputado Julio Cesar (PSD-PI) conseguiu emplacar a nomeação de sua irmã, Jacqueline Carvalho Maia, à assessoria da presidência da Conab, ligada ao Ministério da Agricultura.

Já a esposa do deputado federal Herculano Passos (MDB-SP), ex-vice-líder do governo, ocupava uma secretaria no Ministério da Cidadania desde maio do ano passado. Mas, em fevereiro deste ano, saiu para disputar a prefeitura de Itu, no interior de São Paulo. 

A esposa do deputado Cláudio Cajado (PP-BA), Andreia Cajado, foi nomeada a Superintendente da Funasa na Bahia em julho de 2019, mas deixou o cargo em janeiro deste ano para assumir uma diretoria em uma agência no governo do estado. Ela também é pré-candidata à prefeitura de Dias D’Ávila (BA).

O governo ainda negociou com Elmar Nascimento (BA) para manter seu irmão, Elmo Nascimento, como superintendente da Codevasf em Juazeiro, na Bahia. Mas, Elmo deixou o cargo em junho deste ano devido às eleições municipais.

Pelo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), a nomeação de parentes de aliados não configura nepotismo. Com a ressalva que não se trate de nepotismo cruzado – quando, em troca de uma indicação, o político nomeia também um parente de seu aliado.

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