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Jornalista com autonomia na imprensa fracassa nesta eleição

Apregoado como o futuro do jornalismo, o jornalista autônomo na imprensa que sugere pauta, apura por conta própria e escreve com independência fracassou nestas eleições.

O jornalista com autonomia dentro das redações quebrou as regras da profissão neste período eleitoral. Uns as romperam para seguir a linha editorial de seu veículo, outros por opção ideológica, prepotência ou autoengano mesmo. Raros foram coerentes com o cargo que ocupam.

A uns anos atrás, a academia previu que o moderno jornalista se tornaria mais autônomo, seguindo o princípio da imparcialidade, da precisão e da objetividade. Com as premissas embaixo do braço, o profissional sugeriria suas próprias pautas, as apuraria com independência e faria seus textos respeitando o interesse público.

Ele atenderia a tendência da profissão com redações mais enxutas, da otimização da imprensa, da transformação do jornalista em editor de si mesmo, cabendo às chefias a coordenação desse grupo de jornalistas.

A prática chegou a caminhar nas redações no Brasil. Alguns jornalistas em posições estratégicas – a maioria nominada como repórter-especial e colunista – ganharam autonomia jamais vista.

Nestas eleições, no entanto, verifica-se que a prática fracassou – ou deverá ser reavaliada. Jornalistas com poder de escrever com autonomia nos veículos se alinharam à preferência política de seus patrões ou tomaram o caminho que acharam conveniente ao seu pensamento, quebrando regras básicas da profissão.

Em alguns casos, não havia problema nenhum em dizer sua escolha eleitoral. O problema maior foi querer promover um candidato com rala argumentação e destruir a integridade de seu adversário sem provas, com absoluta falta de comprometimento profissional e a busca da verdade, impondo ao leitor uma irrealidade.

Depois das eleições a academia deverá rever o futuro da imprensa no Brasil. Ao contrário do que se imaginava, ela anda na contramão do jornalismo moderno.

www.augustodiniz.com.br

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7 COMMENTS

  1. Ainda bem que os meios

    Ainda bem que os meios digitais fazem hoje o contraponto com este jornalismo com cabresto da direita. Podemos alcançar a pluralidade de opiniões com mais facilidade. Até entendo o exagero de alguns blogs de esquerda diante tamanha propaganda massiva dos veículos “convencionais”, este termo em breve não fará sentido. Aos que distorcem, deformam, mentem ideologicamente os fatos prestam um grande desserviço à sociedade, apequenam o debate político, contribuem para a lentidão no avanço civilizatório, quando não empurram para baixo incentivando o ódio pelo ódio às diferenças. 

  2. O resultado dessa realidade

    O resultado dessa realidade jornalística é que os mais ou menos críticos, ou mais ou menos informados, embora desconhecedores das técnicas do bom jornalismo não aceitam mais as opiniões de jornais, sejam eles televisivos ou não. 

    Por muitos anos assinei o JB, e alguas revistas, incluindo a VEJA. Com a Internet, e com matérias como a de Nassif, ou de Jânio de Freitas, por exemplo, perdi o total interesse por esses ceículos de comunicação.

    Se estamos num dos estados da federação a coisa fica ainda pior, porque todos os veículos, incluindo as rádios, são de propriedade de políticos. Portanto, a chance de lermos ou ouvirmos matérias escritas com imparcialidade é zero. 

    Hoje em dia, se quero mesmo conhecer a realidade brasileira somente de uma coisa tenho a certeza: não será lendo jornais, jornalões, revistões, ou vendo a Globo e todas as televisões nacionais que eu vou conhecer a verdade dos fatos. 

  3. quase o mesmo caminho

    Maria, com a imprensa fiz um percurso similar, assinante da folha e veja do Mino. Na folha a leitura começou a ser indigesta em alguns cadernos, selecionava os artigos pelo jornalista, em “primis” o Nassif e outros. Com o tempo e Otavinho sobrou apenas o Simão e o ganho versus despesa ficou muito desbalanceado, larguei em benefício da mãe natureza o papel impresso, e faz um bom tempo sem prejuízo de uma informação que se tornou mais ampla e arejada.

    A base empresarial da imprensa é por demais pautadas no interesse dos donos e dos grupos que apoiam sua linha editorial. É uma atitude normal caso não fosse de toda a imprensa, aqui está a urgência da regulamentação que permita a pluralidade da informação.

  4. Está difícil provar aos meus

    Está difícil provar aos meus oponentes que os jornalistas que sigo e acredito estão certos pois implica admitir que os deles não são confiáveis. Taí outra guerra torcidas. Os meus sempre ganham pois tem a verdade e não a ficção como o bem maior. Só que os de aluguel, em termos monetários, os mais azedos, se dão melhor. Urge prepararmos nossos leitores.

  5. infelizmente, jornalista

    infelizmente, jornalista empregado já é sinônimo

    de office-boy  sofisticado do patrão.

    senãoo tá fora.

    ou cai fora para preservar-se.

    no mínimo como cidadão…

  6. Marilene Felinto a Xico Sá:

    Marilene Felinto a Xico Sá: Escrever para a Folha não enobrece ninguém

    publicado em 17 de outubro de 2014 às 11:32

    Escrever para a Folha de S. Paulo não enobrece ninguém

    E rompi com aquela gente. E prefiro hoje morrer de fome a ter que escrever uma linha que seja de autoria minha pra essa mídia golpista. Chico, certamente hoje você é uma pessoa melhor do que ontem. Transcrevo aqui o texto da “coluna” que foi o estopim do meu pedido de demissão naquela época

    15/10/2014

    Por Marilene Felinto*, no Brasil de Fato

    Carta a Chico Sá

    Ou carta à presidenta Dilma Rousseff

    Pelo contrário, Chico. Mancha o nome da pessoa. Agora que você se demitiu desse jornal, por não poder expor sua opção política pela candidatura Dilma, vamos conversar.

    Aconteceu comigo também em 2002, quando da primeira eleição do Lula à presidência.

    Quanto tempo faz? Eu também era o que se chamava de “colunista” de opinião do caderno Cotidiano.

    Quanto tempo faz? Mas, veja: a história não se repete agora nem como tragédia nem como farsa. A história se repete como descaramento, como safadeza mesmo, hipocrisia dessa mídia golpista.

    Aconteceu também, há poucos anos, com Maria Rita Kehl, não foi? Se não me engano, no jornal O Estado de S. Paulo.

    Os dois “veículos de comunicação” pactuam de novo o complô censor e golpista. Lá no meu caso, em 2002, a coisa teve menos repercussão porque, afinal, não sou tão importante quanto você e Maria Rita.

    Além do que, você também é da TV, não? Um cara pop. Aparece muito mais, e tal. E Rita é uma personalidade intelectual do mais alto nível (além de loira, o que, já de cara, dá muito mais repercussão aqui no Sudeste racista!).

    Olha, eu até queria que essa carta tivesse um pouco de repercussão (queria que chegasse na presidenta!). Mas vai ser mínima, cara.

    Talvez circule um pouco pelas redes sociais, minimamente, porque eu não me publico mais nem me divulgo.

    Então, não tenho repercussão nenhuma! E, agora, que não temos mais, nem você nem eu, a tribuna de um jornal tipo FSP, imagine, quem vai ler essa carta? (Gargalhe!). Kkkkkkkkkkkkk!

    Quem se importa, afinal, com essa “mer…” dessa Folha de S. Paulo? Quem precisa dessa “bos…” pra escrever ou publicar algo?

    Peço desculpas pelos palavrões, mas eu não aguento não.

    Como jornalismo é um mundo baixo, do qual me lembro com enjoo ainda hoje, evoca palavrões na minha fala.

    Cara, nem sei porque escrevo pra você essa carta, se mal nos conhecemos. Falei com você umas três vezes na vida, talvez.

    E isso não é uma carta de solidariedade, não. Ninguém precisa de solidariedade porque deixou de escrever nesse jornal.

    Escrevo talvez porque me deu uma enorme vontade de gargalhar quando soube que o caso se passa agora também com você. Gargalhar por causa da importância que ainda se dá a esse jornal e a outros, e à Rede Globo e às redes todas da mídia golpista.

    Cara, é muita gente querendo ainda escrever na Folha, aparecer na Folha, no Globo, na Globo, na pqp!

    É de intelectual a artista e político! É de secretário de governo a ministro, a prefeito e a assessor disso e daquilo!

    É por essas e outras que essa cambada de golpistas age como se fossem eles os donos do mundo, impunes que se sentem, protegidos pelo interesse econômico que representam!

    Chamei esse texto aqui de “ou carta à presidenta Dilma” porque minha vontade era fazer chegar à presidenta um recado torto, e ao Lula também: gente, entendam de uma vez por todas que é preciso regular essa mídia brasileira!

    Que já demorou demais, que é pura covardia não peitar essa cambada de irresponsáveis. Demorou, presidenta! Presidenta Dilma Rousseff, é preciso garantir as liberdades comunicativas no país, é preciso pluralismo, democratização da mídia, liberdade de expressão!

    São 12 anos de acovardamento do PT! E eu sou petista, sim, desde sempre, desde então.

    Lula e você, Dilma, são ídolos meus! E olha que eu quase não tenho ídolos! Só Graciliano Ramos depois de vocês! Ou antes, melhor dizendo!

    Chico. Escrever pra Folha de São Paulo não enobrece ninguém. Não traz renome. Pelo contrário: a pessoa chafurda ali na lama daquelas vaidades, das pequenas trapaças, das intrigas internas, das grandes e perigosas manipulações da informação.

    Aquilo é um mundo baixo, do qual me lembro com enjoo ainda hoje.

    E carrego pecha ainda maior: de ter sido amiga do dono, um erro de cálculo provocado pela cegueira e pela vaidade da juventude.

    Sempre fui péssima nas matemáticas da vida. Sempre só soube direito português, que não serve pra nada, afinal.

    Chico. Em 2001, me chamaram por telefone lá daquele jornal, para dizer também que eu tinha feito “proselitismo político” pró Lula, e que o jornal, neutro (Gargalhe! Que fazia campanha aberta pro Serra), não aceitava aquilo. Gargalhemos novamente. E que, portanto, tudo o que eu escrevesse dali por diante passaria, antes de ser publicado, pelo escrutínio da “direção de redação”.

    E que, além disso, meu texto sairia apenas de 15 em 15 dias e não mais semanalmente como era. E que, portanto, meu salário também seria cortado pela metade!

    Fiquei pasma! Pela ousadia da tal “direção de redação” chegar para uma pessoa e dizer uma barbárie dessa! E impor uma censura assim, descaradamente, presidenta! Censura é isto!

    Cadê a liberdade de expressão que eles exigem da senhora? Arrumei a trouxa e fui-me embora daquela “mer…”, com perdão da palavra.

    Do lado de lá, a “direção de redação” também pasmou quando percebeu que eu, de fato, decidira largar aquilo de uma vez por todas depois de 12 anos!

    Devem ter achado que eu, por ser negra e pobre, dependente daqueles honorários de “mer…” que me pagavam, cederia a tamanha humilhação!

    Tentaram reverter, tentaram me convencer a ficar, dizendo que voltavam atrás nas condições, nos salários, talvez na “p…” da censura.

    Não cedi não. E rompi com aquela gente. E prefiro hoje morrer de fome a ter que escrever uma linha que seja de autoria minha pra essa mídia golpista.

    Chico, certamente hoje você é uma pessoa melhor do que ontem. Transcrevo aqui o texto da “coluna” que foi o estopim do meu pedido de demissão naquela época (com o Lula já eleito, ao menos isso, graças a Deus, que eles não engolem até hoje!).

    Dedico de novo o texto ao ex-presidente Lula, a minha candidata à reeleição, Dilma Rousseff, e… a um terceiro ídolo, que eu lembrei que tenho: Marilena Chaui.

    A você, agradeço a oportunidade de tocar no assunto, com palavrão e tudo, como eu queria. Um abraço.

    (*) Marilene Felinto, 56, é escritora e tradutora, autora do romance As Mulheres de Tijucopapo (1982), pelo qual recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Revelação de Autor, entre outros livros. Trabalhou na imprensa de 1989 a 2006, na Folha de S. Paulo, Revista Caros Amigos, entre outras publicações.

    *****

    É proibido comemorar

    Marilene Felinto

    [Texto escrito em 29/10/2002, quando da primeira eleição do Lula à presidência da República. Publicado na Folha de S. Paulo]

    É proibido comemorar, mas eu vou comemorar: por minha tia Irene, pelo menos, que também perdeu parte de um dedo na máquina da fábrica de tecidos em Paulista (Grande Recife), nos anos 50. Paulista, Caetés, Buíque, está tudo ali, naquelas vilas perdidas do interior do país, onde tudo foi sempre seco, matuto, duro e difícil. Buíque (PE), vilarejo muito perto de Caetés (onde nasceu o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva), é onde o escritor Graciliano Ramos passou parte de sua infância, ele que nasceu em 1892 em Quebrangulo (Alagoas), no mesmo 27 de outubro que Lula.

    E ele, Graciliano, que escreveu um romance chamado “Caetés” (1933) e outro chamado “São Bernardo” (1934), nome da cidade São Bernardo do Campo, onde o operário virou líder sindical. Está tudo ali. Está tudo aí, fazendo história universal, quase irreal, quase fictícia de tão surpreendente.

    É proibido comemorar, mas eu vou comemorar: comemorar não uma pessoa, mas uma idéia, um símbolo. O povo elegeu sua própria cara mais profunda pela primeira vez. Isso é bom para a auto-estima do povo. Quem já experimentou o preconceito sabe — a discriminação por origem social, tão típica da estrutura da sociedade brasileira. É mais do que saudável que o poder mude de mãos: especialmente num país sempre dominado por uma elite sem nenhuma simpatia humana, de uma perversidade e de um egoísmo sem par no mundo.

    É proibido comemorar, mas eu vou comemorar: ao menos pela menina “Te”, de quatro anos de idade, que conheci num casebre de taipa em Cruzeiro do Nordeste (município de Sertânia, a 350 km de Recife) em 2001. “Te” era o apelido dela que não tinha nome ainda, não tinha certidão de nascimento, não tinha nacionalidade, não tinha país, não existia para o Brasil e seu censo. Não merecia nenhuma simpatia humana da parte desses governantes insensíveis, eruditos urbanos empertigados ou usineiros exploradores.

    “Te” estava doente, eu acho. Não parava de chorar quando a conheci, a não-sei-que-nascimento na fila de uma carrada de sete filhos de um casal analfabeto, que passava o mês todo com os R$ 80 que o chefe da família então ganhava carregando estrume para fazendeiros da região. “Te” era apenas esse monossílabo, seminua, suja, talvez faminta chorando no meio da casa.

    Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU: “Artigo 21 — 1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de seu país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.”

    É proibido comemorar, mas eu vou comemorar: por um raio de esperança ao menos para essas tragédias nordestinas, a de “Te”, a de Lula, a de Irene (que morreu alcoólatra e empregada doméstica a um salário mínimo mensal), a minha mesma. Se eu fosse dez anos mais velha, talvez tivesse vindo para São Paulo sacolejando na mesma boléia de um pau-de-arara. Vim 15 anos depois de Lula, mas de ônibus, da viação São Geraldo ou Itapemirim, não me lembro. Tive mais sorte, vim na poltrona já estofada do ônibus, numa viagem que durou quatro dias, ao invés de 13. Tive mais sorte, fiz curso superior.

    É proibido comemorar porque jornalistas não comemoram, criticam. Mas cada coisa a seu tempo. Não faltarão críticas. Mais do que isso: há fascistas e neo-fascistas à espreita país afora. Farão de tudo para aterrorizar e destruir.

    No momento, comemoro, faço do português o inglês (para o mundo entender) que me ensinaram por sorte na universidade — e digo como a atriz Marilyn Monroe disse ao presidente Kennedy, num dia de aniversário: “Happy birthday, Mr. President!”, pelos mais de 50 milhões de votos.

    http://www.viomundo.com.br/denuncias/marilene-felinto-chico-sa-escrever-para-folha-nao-enobrece-ninguem.html

     

     

  7. A profissão de jornalista está muito complicada.

    Eu não aconselharia um eventual futuro filho a embarcar neste ramo. É o mesmo que aconselhá-lo a ser um grande capacho, uma vez que o antônimo de capacho, sabujo parece ser anti-hierárquico, ou ainda desempregado.

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