Jornalista da Folha crítica a imprensa por não levar a sério o golpe de Bolsonaro na eleição de 2022

Ombudsman e veterano da Folha, José Henrique Mariante diz que golpe é tratado como "presunção", em vez de "certeza do fato"

José Henrique Mariante, ombudsman da Folha de S. Paulo desde 2021, declara: "Vai ter golpe" e convoca a imprensa a "repassar a informação"
José Henrique Mariante, ombudsman da Folha de S. Paulo desde 2021, declara: “Vai ter golpe” e convoca a imprensa a “repassar a informação”

Veterano da Folha, onde trabalha há mais de 30 anos, o jornalista e atual ombudsman José Henrique Mariante virou destaque no site Brasil Wire nesta segunda-feira (9), após publicar uma coluna criticando os colegas de redação, além do restante da imprensa brasileira, por não levar a sério os sinais do golpe que Jair Bolsonaro dará nas eleições de 2022.

No artigo, Mariante comenta que poucos têm levado as ameaças declaradas de Bolsonaro a sério. Uma das colunistas da Folha que tem apontado para o golpe é Mariliz Pereira Jorge, para quem os jornalistas estão “falando com as paredes”. Mariante chegou a conversar com a redação da Folha sobre essa conduta de tratar o golpe como “presunção”, em vez de “certeza do fato”.

“Não podemos impedir o golpe? Bem, dá pelo menos para contar para as paredes que a virada de mesa está em curso, vai acontecer e que é prudente o cidadão de bem preparar a alma e o bolso para o tsunami que se avizinha”, disparou Mariante.

Nesta segunda (9), Luis Nassif assina no Jornal GGN um artigo apontando como se dará o golpe. Para o jornalista, tudo acontecerá nos termos da guerra híbrida – que lança mão de informação e contrainformação – sem necessidade de tanques nas ruas. O mais grave, no cenário atual, é a percepção de que o Tribunal Superior Eleitoral está envergando para as Forças Armadas, que têm em Jair Bolsonaro seu comandante maior e dá sinais de que, ao menos em parte, embarcará no golpe.

Para o ombudsman da Folha, Jair Bolsonaro não vai reconhecer derrota em outubro de 2022. O golpe é tão certeiro que a Folha, na visão do jornalista, deveria começar a consultar os candidatos desta eleição sobre o que eles pretendem fazer quando descobrirem que podem até ganhar, mas não levar. “Folha e UOL, por exemplo, desperdiçaram a chance de perguntar nas sabatinas dos pré-candidatos ao governo de São Paulo o que eles farão diante da consumação do golpe e do fato de, quem sabe, estarem eleitos mas impedidos de tomar posse por algum cabo ou soldado.”

Na mesma linha, Mariante recomenda que a Folha comece a “precificar” junto ao mercado o custo do golpe. “O pessoal da Faria Lima deveria ser indagado se a quartelada já foi precificada e até onde dólar e juros podem chegar após um desarranjo dessa monta. Será que uma XP ainda não projetou o pior cenário?”

O jornalista lembra que até os Estados Unidos se anteciparam ao que pode ser classificado como uma “versão tropical da invasão do Capitólio”, em referência ao ato golpista de apoiadores de Donald Trump, que tentaram invadir o Congresso dos EUA, em protestos contra a vitória e posse de Joe Biden.

Na semana passada, a agência Reuters publicou que um agente da CIA já enviou recados ao governo Bolsonaro, dando conta de que não é prudente questionar o sistema eleitoral do Brasil. A mensagem foi entendida como um sinal de que os Estados Unidos não vão embarcar em uma aventura golpista.

Leia também:

1 – Xadrez de como será o golpe da urna eletrônica, por Luís Nassif

2 – Os recados da CIA para o governo Bolsonaro e a imprensa contra Lula

0 Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador