Legado Póstumo

       Legado Póstumo

 

     Nasci em uma alcatéia. Cresci, sofri, matei, aprendi – tudo isso entre lobos. Quase fui morto. Até que um dia fui parar na toca de outro lobo e ali morei por um tempo. Velho e sábio, esse lobo me ensinou a confiar em mim mesmo antes de confiar em um amigo. Para ele um desconhecido, dependendo da descendência, procedência, beirava entre ser um estranho e um inimigo. Ele dizia: “Saber do potencial vil de uma pessoa é o que importa. Ter fé no melhor dela? Deixemos essa baboseira para os otimistas – carinhas que vivem com a cabeça em contos de fadas. Ok?”
       E aquilo fazia sentido, fez, e cada vez faz mais. Esse lobo morreu tão senil quanto sábio, tão ranzinza quanto esperto; deixou um pouco do que ele era em mim e me orgulho disso. Pretendo seguir o exemplo desproposital desse falecido lobo: deixar o máximo de reminiscências minhas no mundo, para quando eu morrer, pedaços de mim ainda andarem vivos na terra. Acho que chamam isso de lenda.

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