Lula 2018 e o “campo de distorção da realidade” da militância

Quem acompanha o setor de tecnologia certamente já ouviu falar da expressão “reality distortion field”, historicamente atribuída à capacidade quase messiânica do Steve Jobs de convencer as pessoas de qualquer coisa, mesmo que ela não tivesse apoio na realidade. Sinto que a militância de esquerda, nesse momento pós-“condução coercitiva”, está padecendo do mesmo mal em relação a dois pontos:

– O evento foi um “tiro pela culatra” que serviu para energizar Lula, o PT e a militância, tornando o caminho para a volta dele em 2018 como presidente praticamente imbatível.

– Os excessos do Sérgio Moro finalmente criaram uma animosidade com a população em geral, o que vai levar a uma revolta popular contra os seus descalabros.

O que me chama mais atenção é a primeira hipótese, já que somente quem está cegado pelo culto à personalidade e o desespero da falta de alternativas não percebe que o Lula envelheceu muito depois que saiu do poder. É evidente que o câncer que ele teve cobrou um preço, e ademais o tempo é inexorável com todo mundo (embora o Lula, pela idade dele, esteja com uma aparência particularmente frágil). Portanto, o que acontece se Lula não tiver condições de se candidatar em 2018? E, pior ainda, se ele se candidatar, for eleito e não tiver condições de terminar o mandato? Ninguém aprendeu com o que está acontecendo na Venezuela agora?

Sobre o segundo item, a impressão inicial é que a tal “condução coercitiva” só fez com que os dois lados cavassem mais fundo suas trincheiras – no entanto, elas não se moveram um centímetro. Só percebo de diferente uma reação negativa (e com razão) no meio jurídico, mas mesmo assim muitas vezes com ressalvas do tipo “nada contra a investigação e a punição dos corruptos” ou algo do gênero. Nem adianta falar da pesquisa Vox Populi porque ela não segue uma amostragem estatística, e ela foi em primeiro lugar divulgada em blogs simpáticos ao governo, portanto sua representatividade é bem falha.

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Assim, se o PT ou, de modo mais genérico, a esquerda quer ganhar 2018 e voltar ao poder (o governo da Dilma é de esquerda?) talvez fosse prudente começar a enxergar a realidade como ela é e buscar nomes factíveis para a próxima eleição, ao invés de se pendurar no passado e no culto à personalidade do Lula que, apesar dos seus inegáveis méritos, está no crepúsculo da sua vida e merece ser deixado em paz…

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