Lula aguarda sentença da ação farsesca criada pela delação de Delcídio

     
    Jornal GGN – O processo em que Lula é acusado de ser o mentor de um plano para comprar o silêncio do delator Nestor Cerveró está concluso para sentença há mais de 1 mês. O processo aguarda uma decisão do juiz da 10ª Vara Federal de Brasília, Vallisney Oliveira, desde o dia 9 de novembro. No caso triplex, Sergio Moro levou apenas 22 dias para se decidir pela condenação de Lula. 
     
    Mas ao contrário do que aconteceu em Curitiba, Lula tem mais chances de sair vitorioso do julgamento desta ação penal que só foi instaurada porque o Ministério Público Federal insistiu em usar a delação de Delcídio do Amaral contra o ex-presidente.
     
     
    Preso em flagrante, por tentar orquestrar a fuga de Cerveró, ex-direitor da Petrobras, Delcídio decidiu fazer um acordo de delação premiada no qual jogou toda a culpa dos crimes descobertos pela Lava Jato nos ombros de Lula. 
     
    O problema é que, no decorrer do processo, a Procuradoria não conseguiu produzir nenhuma prova de que os relatos de Delcídio eram verdadeiros. Por isso, nas alegações finais, o procurador Ivan Cláudio Marx decidiu pedir a absolvição de Lula, além de demandar o anulamento da delação do senador cassado e a suspensão dos benefícios a ele concedidos.
     
    A postura de Marx destoou da que vem sendo adotada pelos procuradores de Curitiba. Em seu relatório, ele fez questão de mandar um recado a quem coloca convicções acima de provas. “(…) a crença forte prova apenas a sua força, não a verdade daquilo em que se crê.”
     
    Marx também escreveu que “nenhuma sentença condenatória será proferida com fundamento apenas nas declarações de agente colaborador”, enquanto a Lava Jato de Curitiba preferiu morrer abraçada à delação informal de Léo Pinheiro, da OAS, para chegar à condenação de Lula.
     
    Enquanto os procuradores liderados por Deltan Dallagnol argumentaram que indícios, e não provas, são suficientes para condenar alguém quando estão acima da dúvida razoável, Marx escreveu que a “melhor hipótese” para explicar os fatos não pode ser a que prejudica o réu quando desacompanhada de provas.
     
     
    TESTEMUNHAS CONTRARIAM DELCÍDIO
     
    O que levou Marx a reconhecer que pedir a abolvição seria o papel mais digno para o Ministério Público foram os depoimentos colhidos durante o julgamento. Os principais envolvidos no enredo, Nestor Cerveró e seu filho, Bernardo, deixaram claro que sempre negociaram diretamente com Delcídio o recebimento de recursos financeiros durante a Lava Jato, com o objetivo de postergar uma delação. A história de que Lula era o mandante dos pagamentos foi inventada por Delcídio depois que o então senador foi preso.
     
    Além das declarações à Justiça, foram divulgados na internet vídeos da delação de Cerveró, onde ele revela que Delcídio, e não Lula, tinha muito interesse em evitar delações onde ele pudesse ser citado.
     
    Delcídio trabalhou com Cerveró na Petrobras nos anos FHC, e teria se aproveitado da crise do apagão enfrentada pelo tucano para cobrar propina de empresas que fecharam contratos com a estatal. Seria isto parte do passado que Delcídio tentava esconder da Lava Jato ao pagar pelo silêncio de Cerveró.
     

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