Mais de mil pesquisadores endossam texto contrário à politica socioambiental do Governo Federal

Documento afirma que a governança dos serviços oferecidos pelos ecossistemas está comprometida

Brigadistas atuam em foco de incêndio na região do Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais. | Foto: Antonio Scarpinetti / Edição de imagem: Renan Garcia

do Jornal da Unicamp 

Mais de mil pesquisadores endossam texto contrário à politica socioambiental do Governo Federal

por Patricia Lauretti

Em um artigo de opinião publicado na revista Nature Ecology and Evolution, pesquisadores de todo o Brasil se posicionam contrários ao desmantelamento, pelo Governo Federal, de políticas socioambientais adotadas desde 2005. A publicação traz o endosso de 1230 docentes e pós-graduandos de várias universidades e instituições brasileiras e também internacionais. As assinaturas foram coletadas em uma semana.

O documento afirma que a governança dos serviços oferecidos pelos ecossistemas está comprometida, ou seja, ecossistemas como a Floresta Amazônica, por exemplo, podem ser perdidos graças a ações equivocadas, tendo como consequência o fim de uma cadeia de benefícios para a humanidade.

O texto tem o caráter de um manifesto, apontando a importância estratégica do Brasil para o mundo nas questões socioambientais. O título traduzido para o português é “Ajude a Restaurar a Governança Brasileira dos Serviços Ecossistêmicos de Importância Global”. O documento traz um mapa do programa ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU) evidenciando como o Brasil se destaca por guardar muitos ativos em seus ecossistemas.

“Os ecossistemas fornecem um acúmulo de serviços para a humanidade como estoques de carbono, regulação do clima ou mesmo ativos culturais, que podem ser perdidos e gerar consequências gravíssimas”, afirma Bernardo Monteiro Flores, pós-doutorando em Biologia Vegetal na Unicamp. Ele divide a primeira autoria do documento com a pesquisadora Carolina Levis, da Universidade Federal de Santa Catarina.

Poluição no Rio Tietê, em São Paulo, na região de Bom Jesus de Pirapora. | Foto: Antonio Scarpinetti / Edição de imagem: Renan Garcia

Bernardo conta que a ideia do artigo surgiu quando, em 2019, cientistas europeus pediram aos governos que deixassem de comercializar produtos com empresas brasileiras em desacordo com a conservação do meio ambiente e os direitos dos povos indígenas. A carta assinada por 602 cientistas de instituições europeias foi publicada na revista Science. (veja aqui)

“Decidimos escrever uma carta, feita por brasileiros, com uma mensagem parecida. Nós acreditamos que a comunidade científica precisa dizer para o mundo que não concorda com a política socioambiental do país e que a consequência da perda de ecossistemas não afeta só o Brasil, mas também outros países”, afirma.

Os autores enfatizam no texto a importância dos ativos culturais, como o modo de vida de povos tradicionais, como os indígenas, também ameaçados pela atual política. “Um dos serviços globais prestados pelos ecossistemas é cultural: pessoas da Ásia podem ser inspiradas pelos povos indígenas a desenvolver novas formas de vida que podem ajudar a resolver problemas que a sociedade enfrenta”, exemplifica Bernardo.

O documento propõe três soluções com base em evidencias científicas, os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) e acordos internacionais assinados pelo Brasil: desenvolver agroindústria sustentável, proteger e restaurar ecossistemas terrestres, de água doce e marinhos, e fortalecer os direitos dos povos indígenas e tradicionais.

Acesso ao artigo: Help restore Brazil’s governance of globally important ecosystem services

Material complementar contendo tradução em português e lista de pesquisadores

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