Mancha de óleo atinge Parque Nacional Marinho de Abrolhos; visitas turísticas foram suspensas

Principal berçário das baleias jubarte no Atlântico Sul ficará fechado para visitas durante três dias, a partir desta segunda-feira, 4 de novembro

Foto: Divulgação/TV Brasil

Jornal GGN – Os fragmentos de petróleo cru que invadiram diversas praias e mangues do Nordeste desde o final de agosto, chegaram ao Parque Nacional Marinho de Abrolhos, no Estado da Bahia. Dois dias após o episódio, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) decidiu suspender, durante três dias, as visitas de turistas à unidade de conservação. A decisão foi divulgada no domingo, 3 de novembro, e passou a vigorar nesta segunda-feira, dia 4. 

A conservação, localizada a cerca de 70 quilômetros (km) da cidade de Caravelas, tem uma das mais ricas biodiversidade marinha do Brasil e do Atlântico Sul, com estruturas de recifes únicas. De acordo com o ICMBio, a região é o principal berçário das baleias jubarte no Atlântico Sul, além de abrigar espécies de tartarugas marinhas ameaçadas de extinção. As águas do arquipélago contam com uma diversidade de peixes e outras espécies marinhas. Com isso, a pesca é fonte de subsistência de milhares de moradores da região.

Segundo nota do ICMBios, as manchas de óleo foram encontradas na praia norte da Ilha de Santa Bárbara, uma das cinco que forma o Arquipélago dos Abrolhos. As visitas no Parque Nacional foram suspensas para que a presença de turistas não atrapalhe o serviço de limpeza e controle das áreas afetadas. A princípio, o parque ficará fechado três dias, mas caso as ações de remoção do óleo não tenham efeito ou novas manchas cheguem à região até quarta-feira, 6 de novembro, o ICMBio deve prolongar a suspensão de visitas turísticas. 

Em entrevista à Agência Brasil, funcionários de empresas de turismo que transportam os visitantes de Caravelas até o arquipélago dos Abrolhos a expectativa é que a suspensão de visitas não seja ampliada. 

A auxiliar administrativa de uma empresa de turismo, Gislene Amaro dos Santos, explicou que como a temporada de observação de baleias jubarte está chegando ao fim e a temporada de verão ainda não começou, a suspensão temporária das visitas ainda não é considerada um alarme de prejuízo para as operadoras turísticas. 

“Mas temos que esperar e torcer para que o problema seja logo resolvido, que os locais já afetados sejam limpos e que não voltem a ser atingidos”, ponderou Gislene. 

Limpeza 

As praias de Caravelas começaram a ser atingidas na última sexta-feira, 1 de novembro. Por meio das redes sociais, a Prefeitura da cidade  informou que a limpeza está a cargo de funcionários das secretarias municipais de Obras, Meio Ambiente e Saúde e de voluntários, que se organizaram para ajudar. Mas o órgão alerta para evitar o contato direto com a substância sem o uso de equipamentos adequados, como luva de borracha, máscara, botas.

Histórico 

Desde o fim de agosto as manchas de óleo cru invadiram o litoral nordestino, nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. 

Até o último sábado, 2 de novembro, mais de 3,8 mil toneladas de resíduos de óleo já tinham sido recolhidas, segundo o Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado pela Marinha, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

De acordo com as investigações da Polícia Federal, a primeira mancha no oceano foi registrada em 29 de julho, a 733 km da costa brasileira. Há suspeita é de que o óleo tenha sido derramado por um navio grego, o Bouboulina. Estudos da Petrobras apontam que o óleo é de campos petrolíferos na Venezuela.

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1 comentário

  1. São tantas as informações desencontradas sobre a origem deste vazamento que mais do que incompetência do governo, estou começando a desconfiar que ele está ocorrendo em uma reserva “a ser descoberta” apenas após as rodadas dos leilões previstos para hoje e amanhã

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