Mata Atlântica perde o equivalente a 2/3 de SP

Mais de 102 mil hectares foram desmatados em apenas três anos nos estados que compreendem o bioma Mata Atlântica – a área é equivalente a dois terços da cidade de São Paulo.

O levantamento, realizado em 10 dos 17 estados onde ocorre a vegetação que ocupa quase todo o litoral brasileiro, é resultado do Índice de Preservação da Mata Atlântica (IPMA), desenvolvido por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Fundação SOS Mata Atlântica.

A média anual de desmatamento entre 2005 e 2008 foi de 34.121 hectares, mantendo-se próximo ao identificado nos cinco anos anteriores, (2000-2005), de 34.965 hectares desmatados/ano.

Os estados com as maiores perdas são Minas Gerais, Santa Catarina e Bahia, que juntos registraram baixas de 32.428 ha, 25.953 ha e 24.148 ha, respectivamente. DesdeDesde a aplicação da Lei nº 11.428 de 2006, publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2007, a área do bioma Mata Atlântica passou a abranger a extensão de 1.315.460 quilômetros quadrados.

Os dados divulgados pelo IPMA apontam que o espaço original desse tipo de vegetação no Brasil está reduzido a 7,91%, ou 102.012 quilômetros quadrados. O estado de Santa Catarina, totalmente inserido no bioma, possui hoje 23,29% de floresta. Minas Gerais, com mais de 46% do território em Mata Atlântica, atualmente conta com apenas 9,68% da porcentagem inicial. Já na Bahia, com 33% do território no bioma, restam cerca de 8,80% da floresta nativa.

Os três estados registram, em número absoluto, os maiores índices de desmatamento porque são os que mais possuem esse tipo de vegetação. São Paulo, por exemplo, com 68% de sua área inserida na Mata Atlântica, perdeu nos últimos três anos 2.455 hectares de reservas – atualmente existem apenas 8% da vegetação original do bioma.

A diretora de Gestão de Conhecimento da SOS MA, Marcia Hirota, explica que nas regiões paulistas a redução observada foi de 91% do desmatamento no período de 1995 a 2005 em relação ao período de 1990 a 2005. Já nos três últimos anos da pesquisa, houve redução de 12% em comparação aos cinco anos anteriores.

“A média anual caiu porque o que sobrou de mata está nas encostas, relevos acidentados de difícil acesso ou em fragmentos muito pequenos”, ressalta Hirota.

Minas Gerais também registrou queda no índice geral de desmatamento, apesar de ter apresentado um total maior de hectares perdidos. A média anual passou de 24.215 hectares entre 1995/2000 para 10.910 hectares desflorestados no período de 2005/2008. Em 13 anos a redução percebida no estado foi de 54,9% da média anual.

São Paulo


O desmatamento percebido no índice IPMA em São Paulo, não inclui as reservas do Cerrado, bioma representativo em 32% do território desse estado, e diz respeito apenas às Áreas de Proteção Ambiental (APA).

O Levantamento Censitário de Unidades de Produção Agropecuário (Lupa), coordenado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, divulgou que em 12 anos houve o aumento de 478 mil hectares de matas no território paulista.

O índice foi aplicado em 324.720 unidades produtivas, não incluindo parque e reservas florestais. Dentre os motivos relacionados ao aumento da cobertura verde, estão a diminuição das áreas de pastagem (de 51% para 39% do território), expansão das lavouras (de 34% para 44%), o salto de 147 mil para 180 mil no número de propriedades que realizam métodos de conservação do solo, ampliação de 22% da prática de controle de erosão, e expansão do plantio direto de 550 mil para 760 mil hectares cultivados.

Veja os índices do Lupa

Minas Gerais

Um trabalho coordenado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) de Minas Gerais, resultou na ampliação de 8 mil hectares de parte da Mata Atlântica perdida. Foram aplicados R$ 884 mil reais em projetos que envolveram 752 produtores rurais.

A assessoria do estado informou que para 2009-2010 estão previstos investimentos de R$ 48 milhões com o propósito de aumentar em 100 mil quilômetros a área de abrangência do Programa de Proteção da Mata Atlântica (Promata). Atualmente, Minas Gerais conta com a maior área remanescente desse bioma no país – são 2.637.150 hectares, São Paulo vem logo em seguida, com 2.305.583 hectares.

Recentemente a Comissão de Financiamentos Externos do Ministério do Planejamento aprovou um acordo entre o estado e o governo da Alemanha para o investimento de 15,8 milhões de euros, o equivalente a 48 milhões de reais, de 2009 a 2012, direcionados ao Promata.

Bahia

Cerca de 33% do território nesse estado é de Mata Atlântica, a Caatinga ocupa a maior parte, 54% da vegetação. A biodiversidade da Bahia também é composta de Cerrado, Zona Costeira e Marinha.

O diretor de Áreas Florestais, da Secretaria do Meio Ambiente, Plínio Castro, explica que a principal ação responsável pelo desmatamento no estado é produção de lenha e carvão.

“A Bahia é a principal fornecedora de carvão para as siderúrgicas de Minas Gerais. Enviamos em média 90 mil metros cúbicos de carvão/mês, correspondendo a 2 mil hectares de florestas nativas destruídas mensalmente”, conta.

Em 2007, o governo local criou o Programa Pólos Florestais Sustentáveis para efetivar o plantio de espécies exóticas (não presentes no bioma natural da Bahia) a fim de atender a demanda de carvão e lenha. O projeto compreende oito regiões totalizando 60 mil hectares onde produtores locais dividem a atividade agropecuária com o plantio de florestas.

Segundo Castro, o programa ainda está em fase inicial, mas a expectativa é que em 2010 os 60 mil hectares estejam totalmente plantados. Os recursos são providos via financiamento do Banco do Nordeste e Banco do Brasil, sendo parte dos investimentos aplicados pelos próprios produtores – o estado contribui com assistência técnica e implantação de viveiros.

Desde 2005 a Bahia aplica mecanismos de venda e compra de créditos florestais – os produtores trocam seus créditos com grandes fornecedores que consumem recursos ambientais dentro do estado.

Santa Catarina

Em Santa Catarina, a Fundação do Meio Ambiente (Fatma), da secretaria estadual do meio ambiente, coordena juntamente com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri), o Projeto Microbacias, ainda em fase preliminar de estudos.

O programa visa criar e ampliar corredores ecológicos e unidades de conservação. A ligação de fragmentos florestais permite ampliar a capacidade de sobrevivência e troca de materiais genéticos de plantas e animais.

A coordenadora de corredores ecológicos da Fatma, Shigueko Ishiy, explica que o estado deverá concluir pesquisa para a implementação do corredor da Bacia do Rio Chapecó, entre agosto e setembro deste ano. “A proposta será ampliada com o estudo para a ligação de fragmentos florestais na Bacia do Rio Timbó”, completa. Estima-se que o percentual das reservas, a partir da consolidação dos corredores, atingirá 30% do território.

Santa Catarina é totalmente formada pela vegetação da Mata Atlântica. O Censo Populacional 2007, do IBGE, aponta que 61% da população brasileira vive dentro desse bioma – ao todo são 3.222 municípios de 17 estados.

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