Michel Temer e Lego Batman

O roteiro do golpe de 2016 foi articulado em dois grandes eixos. No plano interno, dezenas de líderes do PMDB, antevendo que poderiam ser devorados pelo combate a corrupção promovido pelo PT, se apropriaram da plataforma econômica neoliberal do PSDB para ganhar apoio da mídia e conseguir sustentação na Embaixada dos EUA. No plano externo, os norte-americanos se mostravam descontentes com o fortalecimento econômico e militar do Brasil mediante a exploração do pré-sal com base numa lei moderadamente nacionalista.

Lego Batman tem um roteiro que também se articula em dois grandes eixos. No primeiro plano temos a vida interior do traumatizado herói solitário que, após salvar uma vez mais Gotham City, coloca em risco a segurança da cidade agir de maneira temerária. No segundo, Batman consegue construir relações duradouras (a família não biológica composta pelo seu mordomo, um filho adotivo e a nova chefe de polícia).

Michel Temer e Batman (do filme Lego Batman) são movidos pelo mesmo sentimento: o medo. O primeiro provocou a destruição da soberania popular e segue fomentando a deterioração do Estado de Direito para não ser condenado e preso pelos crimes eleitorais e financeiros de cometeu. O segundo consegue restaurar a ordem em Gotham City unindo as duas metades da cidade com ajuda de seus inimigos tradicionais.

O usurpador brasileiro se esforça para atender os interesses dos vilões norte-americanos que ajudaram a rachar a sociedade brasileira antes, durante e depois do golpe de 2016.  O super-herói lego expulsa os vilões das outras histórias que invadiram Gotham City.

A chave entender o filme Lego Batman é a lealdade do herói a sua cidade. A chave para rejeitar o usurpador brasileiro é a submissão dele aos interesses estrangeiros. O filme infantil estrangeiro e a realidade brasileira não são mutuamente excludentes, pois os valores de Lego Batman podem ser usados para convencer as crianças de que elas devem rejeitar os criminosos traidores que se apoderaram do poder político no Brasil.

E já que estamos falando de criminosos, nunca é demais lembrar que existe uma diferença fundamental entre Michel Temer e o Coringa de Lego Batman. O usurpador que ajudou a Embaixada dos EUA a destruir nossa democracia para ficar impune se esforça não se importa em ser odiado pelos brasileiros desde que seja amado pelos norte-americanos que querem nosso petróleo. O vilão de Gotham City quer ser odiado por Batman e o ajuda a restabelecer a harmonia na cidade quando para de ser desprezado pelo herói do filme. Portanto, as crianças podem até respeitar o Coringa de Lego Batman, mas devem aprender a rejeitar tudo o que Michel Temer representa.

O roteiro de Lego Batman e o do governo Michel Temer tem mais uma coisa em comum. Ambos rejeitam a neutralidade ideológica dos seus personagens. Compete à esquerda perceber este fenômeno para usar a popularidade do filme norte-americano para destruir entre as crianças qualquer possibilidade de identificação com o vilão que usurpou a presidência brasileira para ficar impune transformando o Brasil em escravo dos EUA.

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