Militares levam Bolsonaro a baixar o tom para salvar mandato

Presidente é aconselhado a conseguir “entendimento” com Legislativo e Judiciário; trégua pode acabar com julgamento no TSE

Foto: Reprodução

Jornal GGN – Graças a uma operação de guerra montada nos bastidores pelos militares, o presidente Jair Bolsonaro baixou o tom em seus pronunciamentos e adotou um tom mais moderado, muito por conta das preocupações em torno da continuidade do seu mandato.

Segundo o jornal Correio Braziliense, o presidente voltou a falar de “entendimento” com os poderes Legislativo e Judiciário depois de semanas de ataques, mas não se sabe ao certo até quando esse perfil será mantido.

Enquanto políticos dizem que Bolsonaro precisa deixar as intrigas de lado, cientistas políticos dizem que essa mudança de postura demorou a ocorrer, e que a tendência de o mandatário do país continuar ouvindo os militares e controlando o contato da ala ideológica deve se manter – e isso tem impacto importante nas derrotas políticas e dissidências do presidente.

Além disso, existe o temor que essa discrição se perca devido ao julgamento programado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na próxima terça-feira, quando serão avaliadas duas ações que pedem a cassação da chama Bolsonaro/Hamilton Mourão, em 2018. O presidente já se manifestou publicamente sobre o tema, e chegou a insinuar que as Forças Armadas não aceitariam a perda de seu mandato por motivações políticas.

 

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8 comentários

  1. Populismo de direita
    O Brasil tem suas particularidades, um governo oportunista leito em 2018, sem ideologia, que abraçou o fascismo por questões, muito mais de oportunidades, apesar das enormes afinidades.

    O fato é que hoje se encontra encurralado e desesperado, e caminha a largos passos para o populismo de direita, que tem potencial para nos importunar por várias décadas.
    O risco é enorme, já que será necessário rifar o neoliberalismo econômico, o que pode acelerar o processo de afastamento, tanto no judiciário como no legislativo, com o mercado e maior parte da grande mídia abandonarem de vez o governo eleito em 2018.

    O outro obstáculo, quase impossível de superar é as consequências as mortes da pandemia do SARS-CoV-2, das quais não poderá se livrar.

    Mas neste Brasil tudo é possível, e nada está descartado.

    O aumento da distribuição de renda por meio do “renda Brasil” estimado em mais de R$ 70 bilhões, tem o poder de evitar a depressão econômica que se anuncia a passos largos no Brasil.

    Caso o rompimento com neoliberalismo econômico for definitivo, e além da ampliação das políticas houver um aumento real significativo, do salário mínimo o governo eleito pode ganhar enorme popularidade aos junto aos mais pobres do eleitorado.

    Ainda será necessário também formalizar o emprego, já que sem emprego formal, não há expansão do crédito, e sem crédito não crescimento econômico no capitalismo.

    Mas após um provável rompimento com o neoliberalismo econômico tudo é possível, tudo para salvar a família e governo, ou vice-versa.

    Este é um governo ante de mais nada oportunista , acuado e desesperado.

  2. Depois de sentar nas poltronas macias do poder, benefícios da aposentadorias extorquidos e quanto mais, a pátria armada está confortável conformada e missão cumprida.

  3. Weden Alves
    2 min ·
    O refém

    O Globo diz que a prisão de Queiroz enquadrou o Ocupante
    A Folha propõe amarelo até o fim do mandato (uma simbologia óbvia demais para alertar o Ocupante de que ele está a ponto de ser impedido).
    E FHC defende que só ele cai se continuar errando.

    O que há de comum entre esses “atores” da política nacional?

    Tudo.

    O Brasil é uma corte e o grande capital geralmente tem os mesmos interlocutores. Folha e Globo são parte da Corte, e funcionam como chancelaria.

    E FHC é um membro vitalício desse universo dos donos do poder. Eu, por exemplo, desisti quando ele disse, um ano antes, que Dilma iria cair. É que o pacto estava concluído.

    Mas o que eles estão dizendo afinal sobre o Ocupante?

    Eles estão dizendo que ele foi neutralizado, que os anticorpos do poder já assumiram o controle. Que ele deve se comportar a partir de agora.

    São dois os francos que o encurralaram.

    De um lado o Congresso. O Centrão (Direitão) definirá ministros e o que pode ou não pode ser aprovado. Há pedidos de impeachment na gaveta. Mas que só serão tocados se ele desobedecer as regras impostas.

    Do outro, o Judiciário, com o trunfo Queiroz. Nos próximos dois anos, o Judiciário deve cozinhar o galo em fogo brando, nem tão quente que esteja pronto antes do tempo; nem tão frio, que o faça esquecer que ele, o Ocupante, está sob custódia.

    A chancelaria vai continuar alternando períodos de ataques e relaxamentos. Só pra lembrá-lo quem são os senhores desse engenho.

    Quanto aos militares, eles não tem qualquer autonomia nisso. As elites os tratam como sentinelas em guaritas de condomínio.

    Aliás a chancelaria já deu alguns alertas de que pode partir pra cima deles se saírem dos seus postes. Um general não resistiria a uma semana de artilharia pesada de mídia. “Apenas sirvam”. É o recado.

    Mas no que consiste o acordo?

    1. Que ele cale a boca, que não provoque crises estúpidas
    2. Que ele não tente desafiar o Congresso, o Judiciário e a Grande Mídia.
    3. Que ele não atrapalhe os negócios, ainda mais nesse momento agonizante
    4. Que ele desmobilize suas milícias digitais e policiais.
    5. Enfim, que ele esqueça 2022. Porque se não for por bem será por mal. Não é o caso de chegar “enfraquecido” em 2022. É muito arriscado deixar chegar como candidato..É antes que ele anuncie que não vai seguir. Caso contrário sairá algemado do Palácio.

    Mas ele vai cumprir o acordo?

    Bem. Manda quem pode. Obedece quem tem juízo.

  4. Será um erro trágico não cortar a cabeça da cobra agora. Ela dissimula e se finge de morta para ganhar tempo e continuar o processo de milicializaçāo, continuar correndo às instituições e avançando com seu populismo via fake news.
    Fazer qualquer coisa mais tarde o custo e a dificuldade será maior.
    E a cobra vai envenenar não só os projetos da esquerda ( se é que exista algum). Levará de roldão as influências da grande mídia (globo, band) e do STF. E no país será o retorno da era “você sabe com quem está falando?”, que os que tem mais de 50 conhecem muito bem.

  5. No anúncio deste texto, vi uma notinha rápida sobre o risco de o TSE frear a possibilidade da cassação da chapa Boçal/Mourão. Se isso acontecer, lamentavelmente só sobrará a hipótese do impeachment, que acabará mantendo Mourão na presidência e mantendo, obviamente, Guedes e sua assassina política econômica, isso se o Mourão não chamar de volta o Moro para prepará-lo para a próxima eleição. Portanto, todo peso dos nossos protestos deve se concentrar na cassação da chapa completa. Se não fizerem isso, melhor sumir dessa merda de país de cafajestes, de hipócritas e de idiotas. É preciso que muita gente bata nesta tecla da cassação, pressionando o TSE a ter vergonha na cara e cassar a chapa de criminosos eleitorais…senão de pelo menos um criminoso comum: o boçal.

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