Militares subestimam Bolsonaro, diz Christian Edward Cyril Lynch

Em artigo, professor da UERJ afirma que militares relutam em abandonar atual presidente - que é definido como um “radical incapaz de ser moderado”

Jornal GGN – O general e vice-presidente Hamilton Mourão tem aparecido cada vez mais em público conforme a crise política avança. E seu posicionamento tem deixado transparecer qual é a posição dos generais palacianos.

Em artigo publicado no jornal Folha de São Paulo, o professor da UERJ Christian Edward Cyril Lynch explica que os generais estão se empenhando na defesa do governo por acreditarem que o país precisa de um “freio de arrumação”, formatado em um experimento “conservador”. O ex-ministro da Justiça Sergio Moro era apontado como o candidato ideal, mas quem levou a vaga foi Jair Bolsonaro.

Depois de passarem o primeiro ano do governo Bolsonaro em menores posições dentro da coalização governamental, o quadro mudou a partir de fevereiro, quando os generais assumiram a coordenação – e acreditam que tomaram o poder, sentindo-se assim responsáveis por ele.

“Os generais reconhecem que Bolsonaro não passa de um demagogo incapaz, mas precisam dele para o “freio de arrumação”. Ele seria um “Lula da direita”, e Braga Netto seria Palocci. Então, quando o general Mourão diz “deixa o cara governar”, ele está, na realidade, afirmando: “Deixa a gente tentar””, diz o articulista. “É esse “peixe” da racionalidade político-administrativa que os generais vendem aos líderes do Congresso e aos ministros do STF, quando se encontram a portas fechadas. O golpismo não passaria de “retórica inflamada” para manter a base mobilizada. Afinal, Lula também não mandava chamar o “exército do Stédile”?”

Ao mesmo tempo em que os generais relutam em abandonar Bolsonaro, eles o subestimam. “Esquecem que, para o presidente, todos os colaboradores são descartáveis. Ao contrário de Lula, um moderado que se fazia de radical, Bolsonaro é um radical incapaz de ser moderado”.

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8 comentários

  1. Sinto, mas engana-se o articulista. O bolsonário é o que sempre foi, o que também sempre foi do conhecimento de quem o arrodeia em cargos, carguinhos e outras apaniguações. Então, os olivais não o subestima, pois, sabem muito bem com quem e sobre o que estão tratando. São associados, sócios, asseclas et caterva. São os primeiros a baterem palmas pro maluco nos fazer dançar porque são sua imagem, semelhança e verossimilhança.

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  2. Moro como presidente seria muitas e muita vezes mais agressivo que Bolsonaro. Muito pior seria, já que estaria protegido por militares, grandes empresários, congressistas demagogos, mídias e imprensa corporativas, FBI/CIA, Dep.to de Justiça Americano. Moro iria levar a jato o país ao poço tenebroso e mais difícil de sair. Bolsonaro é tosco e pequeno, mas é translúcido. Moro é medíocre, inábil mas por agir de sub-reptício, imensamente mais perigoso e até mais liberador da violência.

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  3. Assustador o não entendimento dos militares dentro do governo diante daquilo que estamos vivendo desde o fase eleitoral em 2018!
    Bolsonaro sempre foi doido, mas tinha lampejos nacionalista, apesar de usar a alavanca do comunista para estar bem dentro de seu nicho eleitoral.
    A elite que deu o golpe em 2016 com aval do judiciário, legislativo e forças armadas tinha um programa bem definido de transferência de riqueza do brasil e de brasileiros para apoiadores dentro e fora do brasil, um claro desrespeito a qualquer sentimento nacionalista!
    Deram um golpe dentro do golpe quando afirmaram que todas as mudanças trariam um aumento da riqueza e bem estar do povo!
    Foi uma grande mentira que a cada dia exige mais do povo e do país, pois adia sua solução, onde no tempo todas as reformas se tornarão irreversíveis do ponto de vista econômico!
    Bolsonaro por ignorância ou para assumir esse sentimento o encorporou como seu!
    Bolsonaro foi bem sucedido na reforma da previdência, e na retirada de uma série de direitos do trabalhador que o fizeram ser bem aceito dentro da classe que apoiou o golpe de 2016.
    Ai é que a área militar se perde.
    Guedes não trabalha para o governo Bolsonaro, guedes trabalha para a agenda dos patrocinadores do golpe!
    Então bolsonaro por delegar tudo ao guedes, assume como seu o plano de seu governo o plano do guedes.
    E os militares que entram passam a assumir como obra e dever a propostas do bolsonaro, que são as propostas do guedes, que em última estância são as propostas dos financistas que dão tom econômico ao governo!
    Para que haja sucesso neste plano do guedes é preciso um presidente que saiba criar ilusões com as palavras, para adiar continuamente a realização do prometido e bolsonaro não é este tipo.
    Por isso ele pode por a perder o objetivo, não de seu governo ou do país, mas o objetivo dos donos do golpe de 2016 e seus apoiadores que sustentar a transferência de 3 trilhões dos impostos vencidos e vencer nos próximos 20 anos para a iniciativa privada!
    E os militares acham que estão prestando um serviço ao país, quando na verdade servem a uma elite sem escrúpulos!
    Por isso o medo absurdo da globo diante da possibilidade de golpe militar!
    Não é com o direito dos cidadãos, do seu sofrimento – por que isso já é real e foi previsto que seria ou com a falta de democracia, mas com a possibilidade real dos militares “acordarem” e abandonar essa transferência absurda, esse assalto a riqueza do país!
    Aonde chegamos as opções dos militares ficam menores.
    Se implantarem com ou sem o uso da força o programa do guedes os únicos beneficiados serão os donos do golpe em 2016!
    A popularidade do governo e dos militares cairá ainda mais!
    Ou eles perderão para o povo ou para os donos do golpe!

  4. Eu acho que o Nassif é que tem razão, só não assumem porque não têm qualquer projeto, e nem a dimensão do buraco. Bolsonaro também não, não sei porque quer mais poder, com o que tem não fez nada, mais que incapaz um preguiçoso. Se quer mesmo governar pode começar por dar uma coordenação na crise do covid.

    Mas prefere brigar com os governadores, recontar mortos, mudar as estatísticas quando não são favoráveis. Já foi assim com o desemprego e crescimento reportado pelo ibge, O centrão apoiar eu entendo, uma mão lava a outra, os milicos sendo oficialmente apontados como avalistas desta palhaçada e calados. Deve ter mais coisa ai.

  5. Quem quiser se iludir, seja feliz, ainda há espaço pra isso. Eu acho um TREMENDO erro de avaliação insistir, sem evidencia alguma, que o boçalnaro e esses generais sao feitos material diferente. A lama é a mesma. O barro é o mesmo. São, inclusive, da mesma geração!

    • E as gerações mais modernas são piores ainda! Afinal, nem viveram a angústia do ocaso da ditadura nem aceitaram que a democracia tem remédios próprios para suas próprias mazelas. Engoliram a doutrinação meritocrática e as falacias anticorrupção.

  6. Bobagem pura!
    Querem passar a ideia de que bozo foi simplesmente o cavalo encilhado pelo povo, que os generais fizeram o grande favor de montar para controlar.
    Só há um problema: os fatos desmentem de forma cabal essa estória da carochinha.
    No mínimo desde que foi permitido o completo absurdo e máximo de indisciplina de que esse elemento fizesse proselitismo nos quartéis e nas academias de formação de oficiais, vários anos atrás, está evidente que foi o alto comando quem encilhou o cavalo.

  7. Quem é o professor da UERJ? Qual o estudo? Qual o nome? Qual a publicação, DATA, FONTE, OBJETIVO???
    Desculpe, esse governo bolsonaro é um lixo mas trazer dados omitindo fontes é de uma picaretagem sem igual, até que se prove o contrário, é fake news.

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