Minha, sua, nossa missão

Enviado por Vânia

Ofício (Paulo César Pinheiro)

A música me ama
Ela me deixa fazê-la
A música é uma estrela
Deitada na minha cama

Ela me chega sem jeito
Quase sem eu perceber
Quando dou conta e vou ver
Ela já entrou no meu peito

No que ela entra a alma sai
Fica o meu corpo sem vida
Volta depois comovida
E eu nunca soube onde vai

Meu olho dana a brilhar
Meu dedo corre o papel
E a voz repete o cordel
Que se derrama do olhar

Fico algum tempo perdido

Até me recuperar
Quase sem acreditar
Se tudo teve sentido

A música parte e eu desperto
Pro mundo cruel que aí está
Com medo de ela não voltar
Mas ela está sempre por perto

Nada que existe é mais forte
E eu quero aprender-lhe a medida
De como compõe minha vida
Que é para compor minha morte.

 

https://www.youtube.com/watch?v=rFgSRhuCBGY]

Quando eu canto, é para aliviar,
Meu pranto,e o pranto de quem já tanto sofreu
Quando eu canto, estou sentindo a luz
De um Santo,estou ajoelhando aos pés de Deus
Canto para anunciar o dia
Canto para amenizar a noite
Canto pra denunciar o açoite
Canto tambem contra a tirania
Canto porque numa melodia
Ascendo no coraçao do povo a esperança
De um mundo novo,ir a luta para se viver em paz
Do poder da criação, sou continuação
E quero agradeçer
Foi ouvida a minha súplica
Mensageiro sou da música
O meu canto é uma missão
Tem força de oração,e eu cumpro o meu dever
Aos que vivem á chorar,eu vivo pra cantar
E canto pra viver.
Quanto eu canto, a morte me percorre
E eu solto,um canto da garganta
Que a cigarra quanto canta morre
E a madeira quando morre canta.

Leia também:  Manchetes dos jornais da Europa

[video:https://www.youtube.com/watch?v=an8LExF-mQk
 

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5 comentários

  1. Ruy Castro recupera origem do

    Ruy Castro recupera origem do samba-canção e retrata playboys dos anos 50

    MAURÍCIO MEIRELES

    Boate, na origem, era para ser uma caixinha de breu –tão escura que, lá de dentro, enquanto os copos de uísque tilintavam com o gelo, não dava para saber se já era dia.

    Não à toa, Tom Jobim apelidou esse tipo de lugar de “cubo de trevas”. Pois as trevas foram testemunhas: no Rio dos anos 1940 e 1950, enquanto floresciam boates, os casais passaram a dançar devagarinho um ritmo que se consagrou ali, o samba-canção.

    É a biografia desse ritmo que Ruy Castro, colunista da Folha, conta em seu novo livro, “A Noite do Meu Bem: A História e as Histórias do Samba-Canção”.

    “É uma parte da história da música brasileira que costuma ser ignorada. No máximo, tratam o samba-canção como uma preparação para a bossa nova”, afirma Ruy.

    Como sua pesquisa mostra, o encontro do samba, sincopado, com a canção, dona de frases musicais mais longas e de letras românticas, aconteceu bem cedo.

     Mauro Pimentel/Folhapress Ruy Castro recupera origem do samba-canção e conta curiosidades das farras cariocas, como o Clube dos Cafajestes

    “Ai, Ioiô”, de 1928, gravado por Aracy Cortes, já era samba-canção. E clássicos de Noel Rosa, como “Feitio de Oração” (1933) e “Feitiço da Vila” (1934), também.

    Os anos 1950 só fizeram o samba-canção encontrar seu habitat ideal, as boates. Antes, os ricos ouviam música nos cassinos, amplos, onde ela era arranjada com orquestras.

    Como os jogos de azar foram proibidos por Juscelino Kubitschek, surgiu o novo ambiente, intimista, romântico, feito para dançar junto. “Era um ritmo gostoso, sofisticado em termos de harmonia e melodia”, diz o autor.

    Eram lugares como a Vogue, a Monte Carlo, a Mei Ling, o Sacha’s, além dos salões do Copacabana Palace e do Hotel Glória. Locais onde se esbarrava com um jovem João Goulart ou um Ibrahim Sued em ascensão no colunismo social.

    Fruto de uma pesquisa de três anos, o livro aproveita o ritmo para fazer a reconstituição histórica de como viviam os ricos brasileiros da época. E para contar a história do Brasil, só que vista da noite.

    É a República contada pelos boêmios. Basta dizer que se explodissem boates como a Night and Day, parte do PIB brasileiro se perderia, tamanha a quantidade de sobrenomes como Moreira Salles, Klabin e Mayrink Veiga no lugar.

    ECONOMIA

    Assim, o leitor descobre curiosidades nacionais. O levante de tenentes batizado de Os 18 do Forte, em 1922, por exemplo, contou com um civil que resolveu aderir ao movimento na hora, como se sabe.

    O que não é divulgado é o fato de o civil ser Otavio Corrêa, que bebia no Mère Louise, famoso cabaré ao lado do Forte de Copacabana. Quando viu o movimento, foi para a porta e pediu um fuzil aos rebeldes. Foi o primeiro a morrer.

    Boates como a Vogue, defende Ruy, serviam até como indexadores da economia nacional. Um uísque a menos numa mesa podia ser sinal de crise em uma empresa.

    Um quilo de carne, por exemplo, custava 30 cruzeiros; um de leite, seis; e uma dose de uísque, cem. O equivalente, portanto, a mais de três quilos de carne ou 16 litros de leite. O uísque, é claro, não tinha o mesmo efeito do leite.

     Instituto Moreira Salles/Divulgação Linda Batista, Grande Otelo, Herivelto Martins e Ary Barroso fazendo arte

    A Vogue, aliás, era dirigida por Max Stuckart –o inventor do picadinho, nascido como comida de rico, quando ele cuidava da programação no Copacabana Palace. Segundo Ruy, Max também disseminou o estrogonofe na gastronomia brasileira, servido para os endinheirados da boate.

    Circulam pela obra lendas da noite carioca. É o caso do grupo de playboys (autointitulados) Clube dos Cafajestes, cujo líder era Mariozinho de Oliveira, herdeiro da antiga cerveja Cascatinha.

    Uma das diversões da trupe, além de fazer arruaça, era jogar dentaduras, compradas especialmente para isso, no prato onde os amigos comiam.

    E TEM A MÚSICA

    Nas mil e uma noites cariocas de Ruy também estão músicos que fizeram a história do samba-canção, é claro. Desfilam pelas páginas Elizeth Cardoso, Doris Monteiro, Jamelão, Aracy de Almeida, Ary Barroso e Dorival Caymmi.

    Há curiosidades como a separação de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, que faz o divórcio de Joelma e Chimbinha parecer guerra de travesseiros. Após atritos que envolviam agressões mútuas com cadeiradas e cinzeiros na cabeça, os dois travaram uma briga pública. Só que em verso.

    Em suas músicas, Herivelto tentava difamar Dalva –com letras sugerindo, por exemplo, que a cantora tinha casos com amigos dele. E ela fazia o mesmo. A briga resultou em sambas como “Tudo Acabado” (J. Piedade e Oswaldo Martins.) e “Calúnia” (Marino Pinto).

    “A Noite do Meu Bem” não é um livro de teses sobre a música brasileira –mas Ruy permite-se algumas reflexões. Uma delas para contestar a visão, muitas vezes comum, de que o samba-canção seja o bolero brasileiro.

    “Quando foi feito ‘Ai, Ioiô’, nem se falava em bolero no Brasil”, diz. “A canção é um gênero que todos os povos praticam com seu sotaque. Já existia tango-canção, polka-canção… O bolero é só mais um dos ritmos aparentados.”

     

    O autor deixa um apelo: é uma obra para também o leitor ouvir e quem sabe ser transportado, como dizem os versos de Ismael Netto e Antonio Maria, para a noite macia do Rio. 

     

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