Moro não pode contar quem afastou o delegado Saadi do RJ

Como se trata de um inquérito camarada, não calhou de ninguém, nem delegados nem procuradores, indagar as circunstâncias do afastamento de Saadi.

Tome-se o episódio mais escandaloso de todo esse imbróglio Moro-Bolsonaro: o caso da substituição do delegado Ricardo Saadi da superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro.

Saadi descontentou Jair Bolsonaro. Pelo que circulou, devido à sua eficiência no combate ao crime organizado. Na mesma época, Bolsonaro se irritou com a fiscalização da Receita Federal no porto de Itaguai, porta de entrada do contrabando de armas no Brasil. Ambos, Saadi e a receita no porto, batiam recordes de apreensão de contrabando.

Bolsonaro alegou que seu descontentamento devia-se à baixa eficiência de Saadi. No mesmo dia, foram divulgadas as avaliações internas da PF, atestando a alta eficiência do delegado.

Aí, o caso se desdobra nas seguintes questões não respondidas:

1. Mesmo com sua eficiência comprovada, Saadi foi afastado da superintendência.

2. Quem afastou não foi Bolsonaro, que não tinha nenhuma ascendência sobre o delegado geral da PF Maurício Valeixo.

3. O chefe de Valeixo era Sérgio Moro.

Não será necessário recorrer à teoria do domínio do fato de Sérgio Moro para comprovar que o responsável direto pelo afastamento de Saadi foi ele próprio. Com que intenção? Certamente contentar seu chefe, Jair Bolsonaro.

Deixa-se, agora, Valeixo nesse dilema.

Como funcionário de carreira da PF, não pode descontentar seus superiores. Então, no depoimento do inquérito, ressalta que jamais Bolsonaro interferiu na sua atividade. Então, quem interferiu? Como se trata de um inquérito camarada, não calhou de ninguém, nem delegados nem procuradores, indagar as circunstâncias do afastamento de Saadi.

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