Na criação de um capitalismo nacional qual é o limite de sua defesa pela esquerda?

Qual é o limite da esquerda na defesa de um capitalismo nacional?

Com a sucessão das delações dos executivos da Odebrecht talvez o que deva questionar muito os esquemas da corrupção como também os valores das propinas caixas dois e subornos propriamente ditos. Também não é de estranhar a capilaridade com que esta verdadeira hidra se espalhou por todos os níveis da política e pela imensa maioria dos partidos. O que é necessário questionar é o Capitalismo no nosso país.

A grande pergunta que deve ser feita é para que serve o capitalismo no Brasil. Temos por um lado empresas estrangeiras que simplesmente trazem indústrias prontas e muitas perfeitamente obsoletas e que na maioria das vezes são financiadas com capital nacional geralmente do dinheiro de impostos. Por outro lado temos milhares de indústrias nacionais que não produzem o mínimo de tecnologia e que pouco a pouco vão entregando o seu mercados aos grandes conglomerados internacionais.

Além das pequenas e médias empresas, sobrevivem de novo através de uso de financiamentos públicos ou diretos ou indiretos através de sobre-preço de produtos e serviços vendidos ao Estado.

Em resumo o que sobra que chamaríamos de capitalismo no Brasil são empresas que vivem as margens das grandes realizações necessárias para o crescimento do país. Ou seja, o capitalismo no Brasil é um verdadeiro fracasso. Fracasso em capitalizar seus lucros e reinvesti-los, fracasso em desenvolvimento de qualquer novo tipo ou nova forma de um antigo produto que dêem ao país um novo paradigma de investimento.

Agora o mais surpreendente de tudo é que grande parte da esquerda continua acreditando na necessidade de um capitalismo nacional para que possamos desenvolver, entretanto enquanto este capitalismo nacional não amadurece passa esta grande parte da esquerda na defesa de um capitalismo nacional.

A internacionalização da economia brasileira, por outro lado não agrega nada de positivo na nossa economia, deixando que sejamos meros fornecedores de mão de obra, recursos naturais e energia para que empresas globais venham aqui exatamente para explorar o que temos deixando muito pouco em termos de futuro.

Logo a primeira pergunta que se impõe é para que serve o capitalismo no Brasil?

Pergunto se o país adotasse uma economia baseada em outros critérios, com outros limites e formas de acumulação de capital, principalmente por indivíduos de forma coletiva, cooperativa e dando espaço a inventividade e criatividade de todos não teríamos uma eficiência maior?

Talvez o que a Lava-Jato está nos mostrando é exatamente ao contrário que seus idealizadores e mentores desejam, que a sociedade capitalista no Brasil é um desastre, que ela é movida à exploração do homem e a outra forma de expropriação da mais valia. Diz-se que o capitalista rouba pelo processo de venda do trabalho uma parte significativa do valor deste, porém o que se vê no nosso país é que além do roubo do processo da mais valia há o roubo sob o ponto de vista da sociedade burguesa, que é obtido por processos, que dentro do próprio capitalismo, são considerados como crimes passíveis de cadeia.

Aí vem a segunda pergunta, porque devemos insistir em manter este capitalismo no Brasil, se ele é antifuncional e não serve nem para o objetivo básico de acumular riqueza, qual a necessidade da sua existência?

Até que ponto se deverá defender os empregos dos trabalhadores dentro deste sistema antifuncional se talvez com outro tipo de sistema podemos também manter seus empregos de forma duradoura e com mais eficiência que temos nos dias atuais.

Qual é o objetivo principal desta leva de administradores privados, além de achar formas de corromper mais o Estado para obter mais lucro?

Se os trabalhadores produzem e os administradores dedicam a maior parte do tempo a viabilizar seus negócios via subornos e propinas, não ficaria mais lógico procurar outra forma de produzir?

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