Na TV GGN 20h: Pazuello, o boi de piranha da CPI e a economia verde da Amazônia

Nesta sexta-feira (23/04), Luis Nassif entrevista o senador Alessandro Vieira (Cidadania - SE) e a professora Tatiana Schor

Agência Brasil

O programa começa abordando os dados de covid-19 no Brasil: foram registrados 69.105 novos casos no país, com a média semanal chegando a 57.803 casos – queda de 11,9% ante sete dias atrás e de 12,6% ante 14 dias. Nassif lembra que essa queda se deve “à ação dos Estados, com lockdowns em grandes cidades”

O número de óbitos também desacelerou: foram 2.914 vidas perdidas nesta sexta-feira, e uma média semanal de 2.524 mortes – queda de 11,8% ante sete dias, e de 13,9% em relação a 14 dias.

Sobre a CPI da Covid-19, que abre na próxima semana, o destaque foi a manifestação do ex-secretário de Comunicação do Palácio – “um sujeito violento, que anda armado e era o principal estimulador do Gabinete do Ódio”

“Ele (Fabio Wajngarten) entrega o general Pazuello como se ele, e o próprio Bolsonaro, fossem vítimas da incompetência do Pazuello”, diz Nassif.

Luis Nassif entrevista o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que tem tido um papel importante para mostrar a seriedade da CPI. “A CPI necessariamente vai ter que ouvir o ex-secretário (Wajngarten), é natural, para que ele confirme perante o colegiado todas essas declarações e apresente os documentos que ele alega ter, que provariam uma escolha, uma omissão deliberada por parte do ex-ministro general Pazuello”

“Eu tenho dito sempre, e é natural por conta da experiência investigando crimes por mais de 20 anos, a gente tem que cuidar dos fatos”, diz Vieira. “As pessoas aparecem logo em seguida”

“Preciso ver os contratos, as datas, os ofícios, as atas de reunião, e dali você vai ter as decisões que foram tomadas e as circunstâncias nas quais elas foram tomadas”, ressalta o senador. “Esse somatório sim é que leva a pessoas e a indiciamentos – mas os fatos são muito graves, e a gente espera poder começar a CPI na terça-feira, com toda a intensidade que a sociedade espera”, diz o senador eleito pelo Cidadania.

O senador cita o acompanhamento das equipes dos parlamentares e a existência de trabalhos acadêmicos muito sólidos, como o estudo coordenado pela professora Deisy Ventura (USP), que caminham para o entendimento de que “deliberadamente, se fez escolhas em um sentido: o mundo inteiro, ou a imensa maioria dos países, caminhou para um lado, e o Brasil caminhou para outro (…)”.

Vieira lembra o processo de militarização pelo qual passou o Ministério da Saúde. “O Ministério da Saúde passou por um processo de militarização, e o militar em regra é um cidadão capacitado – mas é capacitado para atividade militar”, diz o senador. “Tá muito longe de ter capacidade pretensa, ou possível, para a área da Saúde, ainda mais na maior crise sanitária da história do Brasil. Certamente vamos encontrar muitos problemas ali, temos que caminhar com calma para evitar pré-julgamentos”.

Sobre o passo seguinte após a CPI, Vieira diz que “vai ter um relatório final da CPI, esse relatório é votado e aprovado. Eu acredito que, neste caso específico, a gente vai ter no relatório indiciamentos – ou seja, pessoas que são identificadas como possíveis autores de crimes. Também espero que a gente consiga produzir, ao longo desse período, nova legislação, reforço de legislação para evitar que isso aconteça no futuro”.

“A gente não pode permitir que a gestão pública brasileira fique refém da vontade ou da cabeça do gestor de oportunidade (…)”, afirma Alessandro Vieira. “Ninguém é eleito rei do Brasil, o cidadão é eleito presidente do Brasil. Ele administra o Executivo dentro do parâmetro que as leis estabelecem, e talvez seja necessário reforçar isso ainda mais”.

“É muito claro que há uma ausência de percepção por parte do presidente Bolsonaro dos limites da sua cadeira. Aquilo que ele pode fazer e não pode fazer, inclusive gerando uma frustração na sua base porque a base gera uma expectativa que é totalmente irreal”, ressalta o senador.

Nassif lembra o programa TV GGN Justiça, onde a pauta foi a liberdade de imprensa e o fim da operação Lava-Jato. A íntegra do programa pode ser vista logo abaixo

Desenvolvimento sustentável e Amazônia

“Outro tema relevante foi a questão do Encontro do Clima – aquele discurso tatibitate do presidente da República, que foi colocado no último lugar da fila, o Biden saiu para não ouvir. Ele (Bolsonaro) se tornou, realmente, uma pessoa execrada mundialmente”

Para Nassif, “um ponto que vai ter que ser a grande discussão daqui para frente é como fazer o desenvolvimento sustentável”. Para discutir o tema, Nassif entrevista Tatiana Schor, secretária-executiva de Ciência e Tecnologia e Inovação do Estado do Amazonas

“A gente tem que falar do país pós-pandemia e o que isso significa em termos do aumento das desigualdades sócio territoriais no país, e como que as nossas vantagens comparativas e competitivas nos permitirão alavancar tanto o setor da economia como a vida das pessoas”.

Segundo Tatiana, ao se pensar na Amazônia parte-se da premissa de que não se pode deixar ninguém para trás – “não deixar ninguém para trás, quando a gente está falando do Estado do Amazonas, a gente está falando de antes da pandemia, 50% da população abaixo da linha da pobreza”.

“A gente tem um local extremamente importante em termos da conservação da biodiversidade, com uma população em condições de cuidado péssimas. E indicadores sociais que não melhoram, não melhoraram nos últimos 30 anos”, explica a secretária.

“E a pobreza no Amazonas é supercomplexa: nós temos a pobreza metropolitana, que nem a gente tem nas grandes capitais, mas a gente também tem, por exemplo, diferentes grupos étnicos com diferentes tempos de contato, com diferentes formas de inserção nas redes urbanas, nós temos grupos isolados”, pontua Tatiana. “Eles são pobres? Não, eles não são pobres. Eles são vulneráveis? São. O Estado tem um papel na proteção dessas populações? Tem. Então, acho que essas são algumas premissas que a gente começa a pensar”.

Tatiana Schor lembra que, junto com Roraima, o Amazonas virou rota de processos migratórios empobrecidos. “Vieram os haitianos, depois vieram os venezuelanos – que é outra forma de pobreza, é outra discussão do que vai acontecer no território. Então, quando a gente começa a pensar em não deixar ninguém para trás, a gente tem que pensar em uma política que seja, de fato, inclusiva para o país. Não adianta existir só para um lugar”.

“A segunda premissa que eu acho importante é a gente reconhecer que existe, de fato, um potencial de desenvolvimento e de apropriação da socio, biogeodiversidade da Amazônia por meio do conhecimento da natureza – e aí é um papel importantíssimo da ciência”, ressalta a secretária. “Nós temos 53 anos de Pólo Industrial de Manaus (…) Nós temos 53 anos de uma política industrial, nós temos um ecossistema industrial estabelecido no Amazonas”.

“Nenhum outro estado amazônico tem igual, nenhum outro país pan-amazônico tem igual, nenhum outro país que tem floresta tropical em pé tem igual. Então, porque vou abrir mão de um ecossistema industrial que está posto?”, diz Tatiana. “Como a gente junta essas peças? Esse é o nosso desafio como país, como uma política industrial para o país. Como é que a gente junta o nosso potencial de biodiversidade, da socio biogeodiversidade, com uma política industrial que faça sentido?”

“Existem vários mecanismos, e um que se discute muito é a bioeconomia (…) A outra ação é atrair empresas que, de fato, possam fazer uso da biodiversidade com inserção de inovação nos processos. É fácil falar, mas é muito difícil de fazer”, diz Tatiana Schon. “Uma terceira questão é a economia criativa, que não é só turismo. Estou falando em audiovisual (…) A indústria do entretenimento é enorme (…)”

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