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O Aborto e a Lava-jato, nenhum dos dois é um mecanismo de prevenção.

O Aborto e a Lava-jato, nenhum dos dois é um mecanismo de prevenção.

Estes dois assuntos tem um ponto de vista comum que deveria ser olhado pela mesma ótica. Tanto um como outro não são formas de prevenção. Todos os setores mais democráticos são favoráveis a luta contra a corrupção ao mesmo tempo são favoráveis ao aborto, porém ninguém considera que o aborto é uma forma de prevenção a gravidez que as pessoas desejam. Porém a lava-jato é uma forma de prevenção a corrupção do mesmo tipo que seria o aborto um método anticoncepcional, ou seja, os dois se utilizados como forma de método de prevenção partem do princípio que primeiro deverá haver a formação do feto ou a o ato ilícito da corrupção para que eles atuem.

A grande discussão que deve ser feita no combate a corrupção é da mesma forma que todos aqueles que apoiam a existência do aborto o fazem, primeiro e antes de tudo deve ser procurado se evitar, no caso do aborto há fatos que tornam inevitável este procedimento, por exemplo, o estupro. Porém jamais vi alguém, exceto alguns candidatos a presidência da república, que acham que algumas mulheres merecem e outras não serem estupradas, enquanto a imensa maioria das pessoas civilizadas veem o estupro como um  crime, e como tal devem ser evitados.

Da mesma forma deveremos ver a corrupção, é um crime que deveria ser evitado, e neste ponto, embora a gravidez ser algo completamente oposto do que possa ser um crime, ela pode ser indesejada ou mesmo trazer riscos para as mães, logo nestes casos ela deve ser evitada. A grande maioria das pessoas que apoiam o aborto, nunca pensam neste como um método de prevenção a natalidade indesejada, pensam como um instrumento de último caso para evita-la.

Pois no Brasil, nos anos de lava-jato não se andou um milímetro na direção de estabelecer normas e procedimentos para evitar a corrupção, ou seja, a pílula ou mesmo o Diu ou até a questionável tabelinha, jamais foram pensadas no combate a corrupção nos nossos anos. Um controle bancário como o imposto sobre o cheque, que se fosse bem utilizado, poderia levantar indícios de enriquecimento ilícito foi extinto. Todas as propostas que partidos de direita fazem para a liberalização dos controles são exatamente no sentido contrário do combate a corrupção. Passar para a iniciativa privada determinados setores como o saneamento básico, educação e até a privatização do setor carcerário é simplesmente a institucionalização da corrupção transformando a propina em lucro devido a economia de custos em detrimento da qualidade do serviço.

O exemplo típico da institucionalização da corrupção são as estradas com pedágio, quando na renegociação de seu preço do pedágio, vários custos desde a contratação de apaniguados até obras feitas por empresas “amigas” entram como custo a ser extorquido posteriormente dos usuários, ou seja, a caixa preta dos custos das concessionárias jamais é olhada com cuidado.

Outro exemplo são as concessões que tem como proprietários acionistas de grandes fundos de investimento, os lucros são ciosamente pagos a estes grupos enquanto o investimento no setor fim é minimizado sucateando todo o serviço concedido, a crise do abastecimento de água em São Paulo é um exemplo claro disto.

Em resumo, durante os longos anos da lava-jato nenhum passo foi dado na direção da correta luta contra a corrupção, pois na origem da ideologia desta luta, está um país, os USA, em que os mecanismos para este combate simplesmente não existem, pois todo o lucro privado é meritório, independente de onde que ele venha.

 

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