O Brasil e as crises na América Latina

Do Estadão

Atuação do País com vizinhos não sofre prejuízo, diz Amorim

Em Israel, chanceler rebate críticas internas de que Brasil se envolve no Oriente Médio e ignora crises na América Latina

28 de julho de 2010 | 0h 00

Nathalia Watkins – O Estado de S.Paulo

A agenda cheia do chanceler brasileiro Celso Amorim em Israel e nos territórios palestinos quase não permitiu que ele se dedicasse a assuntos relacionados à América Latina. No entanto, questionado sobre a crise entre Colômbia e Venezuela, Amorim voltou a afirmar que o governo brasileiro não está sendo negligente com os problemas locais e desempenha um papel importante na mediação de conflitos na região.

“O Brasil tem a capacidade de se interessar e de tentar ajudar (na América Latina), contrariamente, talvez, até ao desejo de alguns brasileiros”, disse o chanceler. Como exemplo, ele citou o telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a seu colega venezuelano, Hugo Chávez, um dia depois do rompimento das relações entre Caracas e Bogotá. “Eu já estava aqui, infelizmente. Mas o presidente, que é muito mais importante do que eu, está ajudando.”

EntrEm entrevista a rede BBC, Amorim respondeu às críticas de que o Itamaraty vem sofrendo por causa de sua suposta incapacidade de mediar a crise entre Venezuela e Colômbia, enquanto se envolve na negociação nuclear iraniana.

“No Brasil, (os críticos) são pessoas que não conseguem compreender que – sem nenhuma megalomania ou exagero – o Brasil tem um tamanho e uma grandeza no cenário internacional”, disse. Segundo ele, a atuação nos casos do Irã e dos vizinhos não são excludentes. “Uma coisa não interfere na outra. Pelo contrário, o prestígio internacional do Brasil nos ajuda também a trabalhar na região”.

Amorim encerrou sua sexta visita ao Oriente Médio após uma reunião com a líder da oposição israelense, Tzipi Livni, e um almoço de trabalho com seu colega Avigdor Lieberman.

Depois do encontro com Livni, Amorim criticou a pressão internacional para o início de negociações diretas entre israelenses e palestinos. Segundo o chanceler, não é a forma, mas a substância das negociações que determina seu resultado.

Sionismo. Já a reunião com Lieberman ocorreu sob a sombra de um incidente diplomático registrado durante a visita de Lula, em março. Na ocasião, o israelense não foi à sessão parlamentar em homenagem a Lula porque o brasileiro teria se recusado a visitar o túmulo de Theodor Herzl, fundador do sionismo.

Os dois chanceleres evitaram dar declarações após o encontro. A visita de três dias de Amorim a Israel e aos territórios palestinos não ganhou destaque nenhum na imprensa local, que citou o brasileiro apenas quando ele esteve em Istambul.

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