O cenário político com o hacker Stanley Burburinho

Por Zeca Peixoto, Adriano Ribeiro e Antonio Nelson

RELEITURA

O rosto de Che Guevara encobre um perfil misterioso. Para alguns, um hacker ligado ao PT; outros o entendem como algum figurão do Governo Federal que atua nas redes sociais. O fato é que ele incomoda e não dá trégua às trincheiras oposicionistas. Sua atuação no Twitter é diária; no Facebook foi bloqueado seis vezes.

O pseudônimo Stanley Burburinho é uma espécie de zagueiro daqueles que não têm medo de bola dividida. Se alguma figura de destaque das hostes oposicionistas resolve atacar o governo Dilma, é certeza que Burburinho entrará com informação e argumentação seguras para defender a meta governista.

Com sólida formação acadêmica e passagem pelo renomado Instituto de Tecnologia de Massachusetts, onde fez mestrado e doutorado, ele afirma não ser filiado a nenhum partido, embora admire o PT “porque se preocupa com o povo mais necessitado”.

Mas essa defesa também se revela crítica. Burburinho vê como fraca a atuação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, ao mesmo tempo que se coloca como fiel escudeiro do projeto político no poder.

Entre suas atuações que se destacaram na web, algumas pautaram a mídia corporativa. Um desses momentos aconteceu em dezembro de 2012, durante o julgamento da AP 470, conhecida como mensalão. Faltando apenas o voto do ministro do STF, Celso de Mello, para que o Supremo, e não o Congresso, cassasse os mandatos dos deputados João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP), Pedro Henry (PP-MT) e o então suplente José Genoino (PT-SP), Stanley Burburinho desencavou um processo de 1995 que deixou o decano em uma “sinuca de bico”. Na iminência de desempatar a votação e decidir que cabe ao STF arbitrar na Casa legislativa, o acórdão encontrado por burburinho trazia uma opinião completamente oposta, em que o ministro deixava claro que somente através do voto secreto na Câmara ou Congresso poderia se cassar um parlamentar eleito democraticamente, sem intromissão de nenhum outro poder. Depois de espalhado na blogosfera, a grande mídia não teve como esconder esse exemplo de jornalismo investigativo que os próprios veículos de mídia parecem ter esquecido de fazer.  

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