O Coração de Jenin

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Doação de órgãos de palestino a israelenses inspira reabertura de cinema

Diretor alemão restaura cinema na Cisjordânia para veicular filme que mostra compaixão de pai de menino morto por Israel 

Da BBCBrasil

Doação de órgãos de palestino a israelenses inspira reabertura de cinema

Diretor alemão restaura cinema na Cisjordânia para veicular filme que mostra compaixão de pai de menino morto por Israel

BBC Brasil | 02/08/2010 10:56

O Cinema Jenin, na Cisjordânia, reabrirá suas portas nesta quinta-feira depois de ficar fechado e abandonado por mais de 20 anos, graças aos esforços do diretor de cinema alemão Marcus Vetter, que idealizou o projeto inspirado pela morte de um menino palestino por tropas israelenses.

Vetter, em parceria com o diretor israelense Leon Geller, é o diretor do filme “Heart of Jenin” (Coração de Jenin), de 2008. O filme é baseado na história de Ahmed Khatib, de 11 anos, e seu pai, Ismael.

Ahmed foi morto em Jenin, por tropas israelenses, quando brincava na rua com seus amigos. Segundo a versão oficial de Israel, Ahmed portava uma arma de brinquedo que foi confundida pelos soldados com uma de verdade. No entanto, o diretor do Cinema Jenin, Fakhri Hamad, disse à BBC Brasil que “nem arma de brinquedo Ahmed tinha, ele não portava nenhuma arma quando foi morto pelos soldados israelenses”.

Foto: Divulgação

Cinema será reaberto depois de 20 anos (Foto: Cortesia Cinema Jenin)

O pai de Ahmed, Ismael, resolveu doar os orgãos de Ahmed a seis israelenses, entre eles árabes e judeus, afirmando que “a vida é a coisa mais importante”. O gesto dramático do pai do menino morto comoveu Marcus Vetter e o levou a fazer o filme, no qual acompanhou Ismael Khatib em visitas aos israelenses que receberam os órgãos de Ahmed.

O filme ficou pronto em 2008, mas quando quis mostrá-lo aos habitantes de Jenin, Vetter descobriu que não havia cinema algum na cidade, de 70 mil habitantes. O único cinema existente tinha sido fechado 20 anos antes, durante a primeira Intifada (levante palestino) contra a ocupação israelense.

Restauração

Vetter, então, teve a ideia de iniciar o projeto de restauração do cinema e para isso conseguiu o apoio de instituições europeias e profissionais da área. Poucos dias antes da abertura do cinema, Vetter disse à BBC Brasil que não consegue expressar sua emoção. “É um sonho que está, rapidamente, se transformando em realidade e nem tenho palavras para expressar o que sinto”, disse o cineasta.

De acordo com Vetter, o que vem acontecendo em Jenin nos últimos dois anos, desde a idealização do projeto, é “justamente” o que ele queria. “Queria colocar um holofote em Jenin, para que os olhos do mundo vejam a realidade desta cidade e queria que todos, palestinos e estrangeiros, trabalhassem juntos para transformar o sonho do cinema em realidade.”

Vetter disse que durante os últimos dois anos dezenas de voluntários europeus, americanos e australianos foram a Jenin para trabalhar no projeto, entre eles especialistas na área de cinema e técnica, como eletricistas e marceneiros. Mais 300 voluntários palestinos trabalharam para reconstruir o cinema, que estava totalmente abandonado.

Os trabalhos de restauração custaram cerca de US$ 650 mil (cerca de R$ 1,4 milhão), doados pelo governo alemão, a Autoridade Palestina e outros doadores particulares. O cantor Roger Waters, do grupo Pink Floyd, doou um sistema de som no valor de US$ 200 mil (cerca de R$ 350 mil). Outros equipamentos, no valor de US$ 450 mil (cerca de R$ 790 mil) também foram doados.

“A cidade inteira está esperando pela abertura”, disse o diretor do cinema, Fakhri Hamad. De acordo com Hamad, o cinema de Jenin será um simbolo da “resistência pacífica e cultural” à ocupação israelense.

“Antes de tudo, a história do Cinema Jenin é uma história de esperança”, afirmou o diretor. “Ismael Khatib, quando doou os orgãos de Ahmed para israelenses, escolheu a vida e a esperança e ele foi a inspiração do projeto do Cinema Jenin”, disse.

Para Hamad, o Cinema Jenin também vai ajudar a mudar a imagem da cidade. “Muitos pensavam que Jenin era uma cidade violenta, cheia de homens-bomba, mas não é nada disso, Jenin é uma cidade pacífica”, afirmou.

De acordo com Hamad, o Cinema Jenin não será só um cinema, mas também um centro cultural que incluirá uma escola de cinema. “Queremos dar às crianças de Jenin uma alternativa, queremos dar-lhes esperança de um futuro melhor”, afirmou Hamad.

Para Vetter, a reabertura do cinema em Jenin demonstra que “é possível realizar sonhos e nada é impossível”. Porém poucos dias antes da abertura, ele está tão emocionado que diz: “Não consigo acreditar no que meus próprios olhos estão vendo, o cinema quase pronto, todos trabalhando juntos e o mundo inteiro se interessando por nosso projeto.”

 

Foto: Divulgação

Cinema será reaberto depois de 20 anos (Foto: Cortesia Cinema Jenin)

O pai de Ahmed, Ismael, resolveu doar os orgãos de Ahmed a seis israelenses, entre eles árabes e judeus, afirmando que “a vida é a coisa mais importante”. O gesto dramático do pai do menino morto comoveu Marcus Vetter e o levou a fazer o filme, no qual acompanhou Ismael Khatib em visitas aos israelenses que receberam os órgãos de Ahmed.

O filme ficou pronto em 2008, mas quando quis mostrá-lo aos habitantes de Jenin, Vetter descobriu que não havia cinema algum na cidade, de 70 mil habitantes. O único cinema existente tinha sido fechado 20 anos antes, durante a primeira Intifada (levante palestino) contra a ocupação israelense.

Restauração

Vetter, então, teve a ideia de iniciar o projeto de restauração do cinema e para isso conseguiu o apoio de instituições europeias e profissionais da área. Poucos dias antes da abertura do cinema, Vetter disse à BBC Brasil que não consegue expressar sua emoção. “É um sonho que está, rapidamente, se transformando em realidade e nem tenho palavras para expressar o que sinto”, disse o cineasta.

De acordo com Vetter, o que vem acontecendo em Jenin nos últimos dois anos, desde a idealização do projeto, é “justamente” o que ele queria. “Queria colocar um holofote em Jenin, para que os olhos do mundo vejam a realidade desta cidade e queria que todos, palestinos e estrangeiros, trabalhassem juntos para transformar o sonho do cinema em realidade.”

Vetter disse que durante os últimos dois anos dezenas de voluntários europeus, americanos e australianos foram a Jenin para trabalhar no projeto, entre eles especialistas na área de cinema e técnica, como eletricistas e marceneiros. Mais 300 voluntários palestinos trabalharam para reconstruir o cinema, que estava totalmente abandonado.

Os trabalhos de restauração custaram cerca de US$ 650 mil (cerca de R$ 1,4 milhão), doados pelo governo alemão, a Autoridade Palestina e outros doadores particulares. O cantor Roger Waters, do grupo Pink Floyd, doou um sistema de som no valor de US$ 200 mil (cerca de R$ 350 mil). Outros equipamentos, no valor de US$ 450 mil (cerca de R$ 790 mil) também foram doados.

“A cidade inteira está esperando pela abertura”, disse o diretor do cinema, Fakhri Hamad. De acordo com Hamad, o cinema de Jenin será um simbolo da “resistência pacífica e cultural” à ocupação israelense.

“Antes de tudo, a história do Cinema Jenin é uma história de esperança”, afirmou o diretor. “Ismael Khatib, quando doou os orgãos de Ahmed para israelenses, escolheu a vida e a esperança e ele foi a inspiração do projeto do Cinema Jenin”, disse.

Para Hamad, o Cinema Jenin também vai ajudar a mudar a imagem da cidade. “Muitos pensavam que Jenin era uma cidade violenta, cheia de homens-bomba, mas não é nada disso, Jenin é uma cidade pacífica”, afirmou.

De acordo com Hamad, o Cinema Jenin não será só um cinema, mas também um centro cultural que incluirá uma escola de cinema. “Queremos dar às crianças de Jenin uma alternativa, queremos dar-lhes esperança de um futuro melhor”, afirmou Hamad.

Para Vetter, a reabertura do cinema em Jenin demonstra que “é possível realizar sonhos e nada é impossível”. Porém poucos dias antes da abertura, ele está tão emocionado que diz: “Não consigo acreditar no que meus próprios olhos estão vendo, o cinema quase pronto, todos trabalhando juntos e o mundo inteiro se interessando por nosso projeto.” 

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