O desperdício da água

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País perde R$ 7,4 bi por ano com água
Faltam investimentos em manutenção, fiscalização e atualização das redes de abastecimento para impedir vazamentos, ‘gatos’ e erros de medição
08 de março de 2011 | 8h 40

Edna Simão, de O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA – O País perde cerca de R$ 7,4 bilhões por ano por falta de investimentos em manutenção, fiscalização e atualização de redes antigas de abastecimento de água para impedir vazamentos, ligações clandestinas – conhecidas como “gatos” – e erros de medição. O cálculo foi feito pelo consultor especialista em uso eficiente da água e energia, Airton Gomes.

Para chegar a esse valor, foram usados dados de 4.561 municípios constantes no documento mais recente – de 2008 – do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), e considera a produção das cidades, tempo médio de abastecimento de 20 horas por dia, consumo autorizado não faturado, estimativa de perdas reais (vazamentos) e aparentes (fraudes nos hidrômetros e ramais clandestinos).

De acordo com os cálculos do especialista, do total de R$ 7,4 bilhões, R$ 4,4 bilhões são recuperáveis com medidas de gestão e investimentos. Ele classifica o número como “avassalador” porque o País necessita de investimentos de cerca de R$ 10 bilhões ao ano para garantir a universalização dos serviços de água e esgoto até 2015.

“As empresas brasileiras estão perdendo dinheiro”, ressaltou, acrescentando que há um limite para recuperação das perdas. Há um momento em que o custo para redução da perda é maior do que o resultado.

Obras novas

O cenário é reflexo da cultura brasileira de investir na construção de obras novas, o que foi estimulado na primeira etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e ignorar os sistemas já em funcionamento. Uma inauguração traz mais retorno político e pode ter um custo menor do que direcionar recursos para programas de ganhos de eficiência em sistemas antigos. Além disso, existem situações em que o nível de endividamento das empresas é tão alto que inviabiliza a tomada de empréstimos e, consequentemente, novos investimentos.

Empresas como a Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa) e Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) têm o chamado Índice de Perdas de Faturamento (que considera tudo o que foi disponibilizado para distribuição e não foi faturado) acima de 70%, segundo dados do SNIS de 2008.

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O ideal seria, segundo o secretário nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Leodegar Tiscoski, que esse número não fosse superior a 20%. A média nacional está próxima dos 40% de tudo o que é produzido.

Depois de anos de esquecimento, o secretário explicou que a primeira etapa do PAC focou investimentos em obras, mas que o governo está preocupado também com a sustentabilidade do sistema a longo prazo. O ajuste será feito no PAC 2, com a criação de uma linha de crédito específica para financiar programas de diminuição das perdas e desperdícios.

Airton Gomes acrescentou ainda que, no fim da década de 60, o País contava com 500 sistemas de abastecimento de água. Agora, possui 5,5 mil. Porém, o País não se preparou para isso.

“Passamos décadas construindo sistemas. É preciso mudar a cultura de obras. Em tempos de PAC, só se pensou nisso”, destacou Gomes. Na avaliação dele, houve um desmonte da cadeia produtiva e agora, mesmo com a existência de recursos para investir, as companhias de saneamento básico estaduais e municipais não conseguem executar. “Tem um caminhão de dinheiro, mas o setor demora de 4 a 5 anos para se reestruturar. Não tem quem faça projetos. Ou seja, não é uma questão apenas de dinheiro, pois não há quadro técnico.”

O presidente do Instituto Trata Brasil – entidade que busca mobilização pela universalização do saneamento -, Édison Carlos, disse que o elevado índice de perda de faturamento das empresas também está relacionado à má qualidade dos produtos utilizados para a construção das redes de abastecimento.

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PAC destinará R$ 2 bi para a redução de perdas de água
Montante, que deverá estar disponível apenas no segundo semestre, ainda é considerado baixo para suprir as necessidades do País
08 de março de 2011 | 8h 49

Agência Estado

BRASÍLIA – O governo federal pretende criar na segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) uma linha de crédito de R$ 2 bilhões para ajudar Estados e municípios a reduzirem o índice de perda de água em suas empresas que prestam serviços de saneamento básico.

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O montante, que deverá estar disponível apenas no segundo semestre, ainda é considerado baixo para suprir as necessidades do País, porém, é o primeiro passo do governo para melhorar a situação de algumas cidades brasileiras.

Segundo o secretário nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Leodegar Tiscoski, dos R$ 2 bilhões que serão destinados à redução de perdas, R$ 1 bilhão virá do Orçamento da União e o restante do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

“Nossa preocupação não é só com a execução das obras. É preciso pensar na manutenção dos sistemas atuais, no dia a dia, na sustentabilidade. Senão, um aterro sanitário, por exemplo, acaba se transformando em um lixão”, explicou o secretário.

Criação de regras

Por enquanto, técnicos do Ministério das Cidades ainda estão elaborando as regras para liberação do dinheiro. “Estamos estabelecendo os critérios. Uma das variáveis para seleção pode ser o alto índice de perda”, afirmou Tiscoski. Existem cidades, conforme o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento referentes a 2008, em que o índice de perdas de faturamento ultrapassa a marca dos 70%, frisou o secretário.

O temor, no entanto, é de emprestar dinheiro para essas empresas municipais e estaduais e não ter um resultado expressivo. A avaliação de alguns técnicos é de que priorizar uma cidade com uma situação intermediária, ou seja, que já apresenta algum tipo de preocupação com perdas, pode trazer resultados positivos com mais rapidez. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Sabesp reduz desperdício e investe em Alagoas
08 de março de 2011 | 8h 43

AE – Agencia Estado

BRASÍLIA – As companhias de saneamento básico que investem em programas de redução de perdas já apresentam melhora nos indicadores de qualidade. A Sabesp, de São Paulo, conseguiu diminuir de 2006 para cá o seu índice de perda em seis pontos porcentuais – de 32% para 26%. O objetivo é atingir 13% de perdas em 2019, patamar de países desenvolvidos. Até lá, R$ 3,4 bilhões devem ser investidos.

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Somente em 2009, a empresa investiu cerca de R$ 300 milhões em troca de redes e ramais. “Cada sistema tem uma realidade e as condições para redução de perdas ficam cada vez mais difíceis. Na primeira etapa é mais rápido para ver os resultados”, disse o superintendente de Desenvolvimento Operacional da Sabesp, Eric Carozzi. “Mas chega uma hora em que a única solução efetiva é renovar a infraestrutura, e isso custa caro.”

Além da meta de reduzir as perdas para 13% em 2019, a empresa está ganhando dinheiro exportando o seu programa para outros Estados. Fez, por exemplo, um contrato de investimento de R$ 20 milhões com a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), que deverá retornar aos cofres da Sabesp em 48 meses.

“Alocamos recursos, e não é a fundo perdido”, informou o superintendente de Novos Negócios da Sabesp, Nilton Seuaciuc. Está em estudos na Sabesp a possibilidade de criação de uma empresa de participações apenas para emprestar dinheiro para Estados e municípios em dificuldades financeiras.

Risco de racionamento

Em Brasília, o Índice de Perdas de Faturamento era de 27,5% há três anos, segundo estudo da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb). Se nada for feito para aumentar a produção de água no prazo de dois anos, a cidade vai enfrentar um racionamento dentro de cinco anos.

Para evitar que isso aconteça, a Caesb pretende captar água do Lago Paranoá e fazer uma parceria com o Estado de Goiás para trazer água da barragem de Corumbá, em Luziânia. O estudo sobre a qualidade da água e sobre o quanto pode ser captado de água do Paranoá deve ser finalizado até o final deste ano. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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