O drama de um egocêntrico

Apesar de toda a blindagem, quase cumplicidade, de parte de uma mídia compromissada, Fernando Henrique Cardoso sempre foi alvo de muitas críticas, tantos pelo viés pessoal como referenciadas na sua vida pública. Sobre o primeiro, já está assentada a percepção acerca da sua imensa vaidade, de resto uma imputação que, parece, não o incomodar. Sobre a segunda, o destaque sempre foi a sua inflexão ideológica de caráter oportunista e reveladora de uma imensa ambição de se destacar no cenário internacional apegando-se à onda neoliberal que assomou o mundo em meados da década de 80, mesmo às custas do comprometimento do futuro do país. 

Na realidade, até seus mais agudos adversários políticos nunca lhe negaram o perfil de uma pessoa cordata e imbuída de bons propósitos. Um intelectual refinado e sempre equidistante, muitas vezes até crítico, dos excessos de correligionários despudorados, a exemplo de José Serra. Politicamente, apesar do recalque incontido com a inesperada – pelo menos para ele – ascensão de Lula, ao ponto de ofuscar sua passagem pelo governo, sempre se portou como um adversário leal e não raro, compassivo, Sua postura quando da crise do dito mensalão foi, a meu ver, extremamente civilizada em termos tanto pessoais como políticos. 

Essa era a percepção de alguns, dentre os quais me incluo, até agora. Era, porque o ex-presidente a partir de um certo tempo para cá resolveu: 1) Ou assumir sua verdadeira face; 2) Ou Redirecionar, seja por impulsos subjetivos ou políticos, sua postura nas duas dimensões. Por trás dessa mudança de rumo decerto está talvez a angústia por constatar que seu partido caminha celeremente para mais uma derrota e, a depender dos resultados das eleições proporcionais, com riscos até mesmo de extinção, hipótese aterradora para alguém que se acha em posição singular na história do país. 

Para sustentar ou ou outra das  hipóteses arroladas, há toda uma escalada de verbalizações e textos publicados na imprensa nos quais se nota uma crescente escalada de virulência, até então inaudita, e apelos retóricos falaciosos. A culminância em forma de síntese está no recente escrito hoje para o blog do jornalista Ricardo Noblat, entitulado Sinais Alarmantes. Nele pesponta um Fernando Henrique demagogo, rancoroso, invejoso, falacioso e até mesmo mentiroso. Ou não será um descarada mentira a afirmação de que o PT se arvora de responsável pela estabilização econômica? Quando os próceres, e até mesmos militantes desse partido, se apropriaram desse feito, indulbitavelmente da lavra de Itamar Franco e na sequência consolidado pelos governos de “Sua Santa Graça” e de Lula?

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Só uma palavra pode expressar as razões do ex-presidente ter enveredado por uma trilha até agora evitada, qual seja, a do debate político reles, hipócrita, falso e cínico: DESESPERO. Fernando Henrique Cardoso é hoje uma ser humano e um político desesperado. Tudo o que sonhou, suponho, esboroa-se, esvai-se. O que já não era tão sólido, se desfaz no ar nesses tempos políticos talvez nunca imaginados por esse intelectual. E por falar em tempo político, o dele  não só já passou, mas também  já foi esquecido. Mesmo ainda vivo e lúcido para assistir seu ocaso. E isso dói. 

Dói e machuca tanto que o faz desdenhar do conselho dado às portas da morte pelo seu maior amigo, Sérgio Motta: “Fernando, não se apequene”.

Apelo em vão, como se vê. Fernando Henrique Cardoso se apequenou. E como!

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2013/12/01/sinais-alarmantes-516574.asp

 

 

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