O encarceramento no Brasil resumido em duas imagens

A edição de setembro de 2016 da Revista Em Discussão!, editada pelo Senado, traz uma radiografia da situação das prisões brasileiras. Bem antes da tragédia das degolas de presos ocorrida no início de 2017, a equipe de jornalistas já alertava para estatísticas assustadoras, inclusive na comparação com o sistema prisional de outros países. “Entre 2000 e 2014, a população prisional no Brasil cresceu, em média, 7% ao ano, totalizando 161%, percentual 10 vezes maior que o crescimento da população, de apenas 16% no período, ou 1,1% ao ano, na média. A taxa de aprisionamento, por sua vez, aumentou 119%: de 137 presos para cada 100 mil habitantes, em 2000, para 299,7 por 100 mil em 2014. Entre 2008 e 2013, os Estados Unidos reduziram a taxa de pessoas presas de 755 para 698 presos para cada 100 mil habitantes, uma queda de 8%. A redução na China foi de 9% e na Rússia, de 24%. No Brasil houve acréscimo de 33%”.

A reportagem aponta que dentre as pessoas encarceradas no país há cerca de 6 mil infectadas pela tuberculose, mais de 7 mil pelo vírus HIV, 3 mil pela sífilis e 4 mil por hepatites virais. É importante lembrar que essas doenças requerem diagnóstico precoce e tratamento adequado, pois são transmissíveis aos agentes penitenciários, familiares e outros contatantes dos presos. Vírus e bactérias não são barrados por grades nem tornozeleiras eletrônicas, e representam uma ameaça real à saúde de toda a população.

Dois gráficos apresentados na reportagem resumem o perfil das pessoas presas no Brasil. Uma situação obscena.

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