O futuro do Estado espanhol

Debate ontem e hoje no Parlamento espanhol sobre o Estado da Nação, uma discussão densa e completa sobre a politica economica e social para os proximos anos na Espanha. O debate de ontem que vi em Madrid e que continua hoje foi um espetaculo de eloquencia, vibração e democracia funcional, de um lado Mariano Rajoy, lider da oposição, representando o Partido Popular, conservador e de outro Jose Luis Rodriguez Zapatero, Presidente do Governo.

Lembrei dos acalorados debates dos tempos de Carlos Lacerda e Adauto Lucio Cardoso na Camara. O perfeito manejo do idioma pelos dois contendores permite uma violencia verbal que há muito tempo não vemos no Brasil. Cada lado apresentou discurso, réplica e treplica, foram seis blocos de ataques e defesas frontais, Rajoy pediu dez vezes que Zapatero dissolvesse o Parlamento e convocasse eleições, ” Sua Senhoria perdeu toda credibilidade, ninguem mais acredita na sua palavra”” ao que Zapatero respondia ” a crise é grave não só para a Espanha mas pára todo o mundo e o que Mariano Rajoy propõe para debelar a crise? Nada.

Parodiando Kennedy, Sua Senhoria não quer saber o que Rajoy pode fazer para ajudar combater a crise, Sua Senhoria quer saber o que a crise pode ajudar na carreira politica de Rajoy”., o debate é fortissimo mas jamais os debatedores perdem a compostura, a elegancia de gestos, a gramatica e a refinada construção literaria das frases. Ao pedir a cabeça de Zapatero para que ele peça a dissolução do parlamento, o Presidentedo Governo replica ” Se Sua Senhoria acha o Governo tão ruim porque não propõe uma Moção de Censura? Se aprovada o Governo cai imediatamente mas Sua Senhoria não tem coragem de correr esse risco porque sabe que vai perder, vocês não tem os votos para me derrubar””

Em um plano superior, o Parlamento segue a forma francesa de semi circulo em degraus, o Presidente da Assembleia conduz os trabalhos como um magistrado, todos os parlamentares sentados nos seus “escaños”, carteiras como de escola, ninguem ousa se levantar nem por um segundo, a cada burburinho o Presidente suspende a seção exigindo silencio para ouvir quem discursa, sem nominar o falante mas ameaça que na reincidencia vai dizer o nome. É impressionante a ordem e a disciplina, especialmente comparamdo com a Camara em Brasilia, aonde enquanto um Deputado discursa centenas ficam andando, rindo e conversando, ninguem presta atenção a quem está na tribuna, é uma caricatura de parlamento.

No conteudo Zapatero se defende do manejo da crise economica na Espanha, dizendo com razão que Bruxelas (a União Europeia) não tem motivos ao admoestar a Espanha por suas finanças publicas. Segundo Zapatero, os bancos espanhois se mostraram os mais solidos da Europa, o Estado espanhol gastou apenas 1% do PIB com a crise financeira de 2008, amparou alguns bancos pequenos, os grandes bancos absorveram sozinhos os creditos podres, enquanto a Inglaterra gastou um valor igual a 60% do PIB para amparar seus bancos.

Para equilibrar as finanças a Espanhou reduziu os vencimentos de funcionarios publicos, congelou aposentadorias, reformou a previdencia com aumento da idade minima para 67 anos, medidas duras e anti-populares que Zapatero coloca na mesa como prova de sua coragem.

As comemorações da Copa do Mundo foram extremamente sobrias, duraram um par de horas, o ponto alto foi a recepção dos jogadores no Palacio Real, o Rei, a Rainha Sofia, a Infanta Elena, o Principe de Asturias e sua esposa Dona Letizia e as estrelas foram as netas do Rei, Leonor e Sofia de 4 e 3 anos, a mais velha segurou a taça e ai se fez a foto oficial, a Copa do Mundo chegou em boa hora para a Espanha e para o Governo do PSOE. 

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