O inferno não são os outros, mas as nossas crenças, por Marcos de Aguiar Villas-Bôas

    O inferno não são os outros, mas as nossas crenças

    por Marcos de Aguiar Villas-Bôas

    Pode-se resumir as manifestações humanas em quatro tópicos: pensamentos, sentimentos, emoções e comportamentos (inclusive o silêncio). Elas irão determinar quem o ser humano é, o que ele vibra de dentro para fora e, portanto, como interage com os outros e o restante do meio.

    Até mais ou menos um século, o conhecimento do inconsciente era bem limitado. Os estudos mais profundos não ficaram conhecidos pelas grandes massas, de modo que, apenas no século XX, Freud foi considerado o grande responsável por divulgar a ideia de que não agimos, na maior parte do tempo, de maneira totalmente consciente.

    Ao longo do último século, começou-se a estudar com mais frequência as crenças enraizadas no inconsciente e no subconsciente, e suas repercussões na saúde psíquica, assim como na vida humana em geral. Recentemente, aumentaram os estudos sobre as consequências dessas crenças até mesmo na saúde física.

    O ramo da Programação Neurolinguística (PNL), que tem melhorado a vida de tantas pessoas, ainda é considerado pseudociência para a ciência tão restritiva, endurecida e materialista que se estabeleceu como majoritária nos últimos tempos, mas ele tem estudos muito interessantes, comprovados empiricamente, demonstrando como as crenças limitantes são causadoras até mesmo de câncer, e a substituição delas pode levar à cura da doença. Ver, sobre o tema, o livro de Robert Dilts.  

    Métodos como o ThetaHealing ®, ainda menos aceitos pela ciência majoritária, que trabalha muitas vezes em prol de empresas farmacêuticas e segundo outros interesses escusos, funcionam de modo ainda mais profundo do que a PNL, pois agregam técnicas energéticas, ligadas à Física Quântica, dentre outras mais alternativas, que vêm gerando curas supostamente milagrosas, como tirar pessoas da depressão em apenas uma sessão.

    Não há milagre, como não havia em outros tempos em que grandes curadores (ex. Jesus) faziam o que parecia impossível. Há apenas o uso de técnicas menos conhecidas, que a ciência custa em reconhecer, e há curadores com faculdades psíquicas incomuns.  

    A humanidade está repleta de ilusões e crenças que prejudicam suas vidas. A ilusão não deixa de ser uma crença; é criação do indivíduo, mas que não encontra base qualquer no plano dos fatos (falha semântica). A crença limitante tem base de realidade, mas ela peca nas consequências (falha pragmática), por limitar os pensamentos, sentimentos, emoções e/ou comportamentos do indivíduo.

    Como não há verdade, algo já visto em textos anteriores, são possíveis diversas, quando não infinitas, interpretações dos fatos (alguns prefeririam chamar de eventos, pois os fatos já seriam a interpretação humana deles). Cada interpretação construída pela pessoa como algo em que se crê e no qual ela se baseia para pensar, sentir, emocionar-se e agir torna-se uma crença.

    As crenças movem os seres humanos de maneira contundente, e, ao contrário do que se pensa, muitas delas são subconscientes ou inconscientes.

    A crença “a minha religião é a salvadora” tende a fazer a pessoa defendê-la com vigor. Se estiver desequilibrada, se tiver tendência à violência, por julgar que depende da religião para se salvar de algo, ela poderá agredir verbalmente ou até fisicamente quem diz qualquer coisa que pareça a ela levemente contra a sua religião. 

    Tendo essa crença enraizada, seja de forma inconsciente, seja consciente, é fácil também tornar-se manipulável por aqueles que se dizem os mensageiros da religião.

    Algo muito semelhante acontece com a política, que hipnotiza as pessoas e as faz defender políticos repletos de falhas morais por ódio, raiva, desejo de se impor sobre o outro etc.

    A crença “o dinheiro move o mundo” leva milhões de indivíduos a serem desonestos. A crença “o dinheiro corrompe o homem” leva outros milhões de indivíduos, e às vezes até parte dos mesmos que têm a crença anterior, a não conseguirem prosperidade, abundância, pois o seu subconsciente armazena a ideia de que “se eu ganhar dinheiro, tornarei-me um corrompido e isso não é bom”, mas o indivíduo tem a falsa crença de que precisa ganhar muitíssimo dinheiro para ser feliz e isso lhe gera enorme sofrimento. 

    Se muitos tornam-se corrompidos quando ganham dinheiro, ou mesmo já se corrompem para ganhar dinheiro, o que é mais comum, isso não quer dizer que acontecerá com todos. Cada um deve saber seu nível de honestidade. Apenas conhecendo bem a crença, é possível desarmá-la e, assim, acabar com seus efeitos nefastos. 

    Algumas crenças são mais claras: o indivíduo percebe que as tem, mas ainda não é consciente das consequências que elas causam. Outras crenças não estão no nível da consciência. Ficam mais no fundo. Mesmo assim, elas criam mecanismos para a vida da pessoa que as fazem, muitas vezes, atrair exatamente o contrário do que almejam de forma consciente.

    Aqui, mais uma vez, nota-se a importância do autoconhecimento. Quase todas as pessoas acham que se conhecem melhor do que realmente se conhecem. Muitas julgam que o autoconhecimento é uma bobagem, pois elas já se conhecem ou o acham supérfluo porque conhecer-se um pouco mais não vai colocar comida sobre a mesa.

    Essas são outras grandes crenças limitantes, e estão entre as mais danosas. As crenças que tiram a pessoa do caminho do constante autoconhecimento e autodesenvolvimento são sabotadoras (resistências) do seu próprio crescimento intelectual, sentimental, emocional e enquanto ser interativo na sociedade.

    As crenças podem, sim, tirar comida de sobre a mesa; podem também gerar problemas no sexo; fazer uma pessoa estudar a vida toda para concurso mas não ser aprovada por, subconscientemente, não se sentir merecedora; levá-la a brigar com todos por gerar em si uma falsa crença de que é uma predestinada a convencer todos a votar no seu candidato político; gerar um fechamento em relação a outros conhecimentos, filosofias, religiões, por pensar que já encontrou aquilo que irá lhe salvar; e assim por diante.

    O inferno não são os outros, mas nossas próprias crenças, e boa parte delas é desconhecida de nós. 

    Marcos de Aguiar Villas-Bôas é terapeuta holístico, consultor jurídico e político, escritor, palestrante, espiritualista universalista, praticante de meditação e amante do todo e de todos. Deixou a sociedade de um dos cinco maiores escritórios de advocacia do país, sediado em São Paulo/SP, para seguir seu sonho de realizar pesquisas em Harvard e em outras universidades estrangeiras, mas, após atingir muitos dos seus objetivos egóicos e materiais, percebeu, por meio da Yoga, de estudos e práticas espiritualistas sem restrições religiosas, que seus sonhos e missões iam muito além. Hoje busca despertar a consciência, o mestre dentro de si, e ajudar os outros a fazerem o mesmo, unindo o material e o espiritual, e superando todas as demais dualidades. 

    6 comentários

    1. …. agora sei: NÃO AO

      …. agora sei: NÃO AO PERFECIONISMO……

      …aliás, nem sei porque estou acreditando nesse lema contra o perfeccionismo paralizante….e se não for isso……vai saber…..talvez um bom descanso…uma boa alimentação…..isso: a carta de hoje: a limpeza ou: A Faxineira…..estou construindo um tarot…preciso abrir uma página para estudar sobre isso….o nome da página:

      (   ) Spin Tarólogo

      (   ) Spin Holístico

      …..talvez eu deva focar, ser mais objetivo, por isso vou optar pelo título Spin Tarólogo, assim aprenderei com outras mancias…leituras destas coisas que se nos apresentam….

    2. … precisamos de  visões e

      … precisamos de  visões e não de crenças….que venham pessoas com capacidade de visão em seu sentido mais amplo possivel e não de crenças…..

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