Home Notícia jorNÓIAlismo: o verdadeiro perigo para a democracia

jorNÓIAlismo: o verdadeiro perigo para a democracia

0

A CF/88 prescreve textualmente que todo poder emana do povo. Não compete aos órgãos do Estado censurar, limitar ou impedir o exercício da soberania popular. A única coisa que os órgãos estatais podem fazer é disciplinar a forma pela qual esta será exercitada (Poder Legislativo) e fiscalizar a legalidade ou não das campanhas eleitorais, das eleições e das nomeações efetuadas pela população através de eleições (Poder Judiciário).  

Uma democracia não pode ser tutelada pela imprensa, mas pode ser destruída pelos jornalistas. É exatamente isto que tem ocorrido no Brasil.

Apesar de se declararem isentos, desde que Lula foi eleito pela presidente pela primeira vez, os veículos de comunicação escolheram um lado: fazer oposição ao governo e estimular o voto nos candidatos tucanos de sua preferência.

O sistema constitucional garante a liberdade de imprensa, mas os jornalistas não devem conspirar contra a democracia. É exatamente isto que eles tem feito desde o momento que começaram a instigar o Impedimento de Dilma Rousseff porque a população derrotou Aécio Neves nas urnas.

Quando Dilma Rousseff ainda exercia a presidência, a imprensa a acusava de ser impopular e sugeria seu afastamento do cargo em razão disto. Michel Temer, o famigerado interino que se comporta como um verdadeiro tirano neoliberal, já é mais impopular do que Dilma Rousseff jamais foi. Todavia, a imprensa considera sua impopularidade uma virtude. Segundo o Estadão, a maioria está enganada e não devemos correr o risco de uma nova vitória do lulo/petismo:

http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,a-maioria-tambem-se-equivoca,10000064980

É evidente que o autor desta pérola mal consegue disfarçar que conspira contra a democracia. Primeiro porque a legitimidade de um mandato advém da maioria dos votos nas urnas e não do apoio ou não do Estadão. Segundo porque os equívocos da maioria na democracia são e sempre serão melhores do que os supostos acertos de uma minoria na nova ditadura que está sendo insidiosamente sugerida pelo jornal.

Ao conspirar contra a democracia, deslegitimar o voto popular e se colocar na condição de árbitro em última instância do que a população deve ou não escolher, o Estadão está brincando com fogo. Em caso de guerra civil o próprio jornal se transformará em alvo legítimo dos inimigos da ditadura instigada pelo autor do texto “A maioria também se equivoca”.

O “perigo da vitória do PT” não é um perigo para a democracia como dá a entender o autor do referido texto. O partido de Lula foi legalmente constituído e, ao contrário dos veículos de comunicação, nada tem feito para destruir a democracia brasileira. A legitimidade atribuída aos líderes petistas não tem menos valor político ou jurídico do que a legitimidade atribuída aos candidatos preferidos pelo Estadão. Além disto, o ódio de classe difundido pelos jornalistas contra o PT não será capaz de eliminar um fato trivial: as classes sociais existem e estão e sempre estarão em conflito no Brasil; a destruição de um partido dos trabalhadores apenas levará à criação de partidos trabalhistas ainda mais radicalizados que o PT.

A negação da realidade é a única coisa evidente no texto do Estadão. Em nome da democracia (eufemismo para ditadura no contexto de “A maioria também se equivoca”) o jornal rejeita a legitimidade das decisões da maioria. Negando a existência de classes o jornalista quer destruir a legitimidade do partido que representa uma delas (o ódio que ele devota aos representantes dos trabalhadores é uma prova eloqüente de que inexiste uma harmonia perfeita e angelical entre o capital e o trabalho).

O único perigo neste momento não é uma nova vitória do PT, mas a insistente e insana negação da realidade pelos veículos de comunicação. O Brasil de 2016 não é o de 1964. Naquela oportunidade todas as instituições sem exceção apoiaram o golpe de estado. A capacidade da população de se organizar para resistir à violência política era pequena muito pequena naquela oportunidade. A história provou que o PCB era um gigante com os pés de barro, mas a resistência armada de alguns dos seus membros à ditadura foi capaz de apressar o fim da mesma. Hoje as coisas seriam bem diferentes.

A imprensa parece acreditar que o PT também é um gigante com os pés de barro. Esta aposta me parece bastante perigosa. Lula e Dilma Rousseff empreenderam o maior programa de modernização das Forças Armadas desde a década de 1970 e certamente tem vários admiradores nas três armas. Os petistas tem sido tolerantes com a imprensa golpista, mas todos os limites da paciência serão rompidos se as eleições presidenciais foram adiadas ou, pior, se Lula e o PT forem impedidos de disputar o comando do país agora ou em 2018.  

Desafiar o PT com palavras é fácil. Desvencilhar o país de uma guerra civil previsível pode ser especialmente doloroso para os veículos de comunicação que aderiram ao golpe de Michel Temer. Aqueles que colocam a paz social e as vidas dos brasileiros em risco também terão que pagar um preço de sangue em caso de conflito armado.

Não se faz jornalismo com insanidade e partidarismo exacerbado. Os jornalistas que se tornaram incapazes de aceitar uma democracia em que os candidatos tucanos/demonicos são derrotados pelo povo devem voltar a agir com profissionalismo. Se não abandonarem a guerra de classe que começaram antes que os primeiros tiros comecem a ser disparados eles mesmos acabarão ficando no meio de um tiroteio sem palavras disputado dentro e fora das confortáveis redações em que a guerra ao PT foi declarada. O Brasil não é a Síria, mas nossas cidades podem ficar bem ficar parecidas com as cidades daquele país por culpa dos jorNÓIASlistas.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Sair da versão mobile