O ministro do samba

O pior presidente da história não poderia ter assessores piores. 

Seus ministros são de provocar engulhos. O da educação não sabe conjugar o verbo haver; o da Fazenda não entende patavina de macroeconomia; o da saúde acha que o país tem muitos hospitais – e por aí vai o despropósito.

Oscar da Penha (Salvador, 5 de agosto de 1924 — Salvador, 3 de janeiro de 1997), o Batatinha, um dos maiores compositores nacionais, embora não tenha conhecido este Brasil Novo, era um sujeito que se preocupava com a qualidade dos nossos homens públicos – se não todos, pelo menos daquele que viesse a ocupar o ministério que julgava o mais importante – o do samba.

E para titular, a escolha de Batatinha foi certeira: Paulo César Batista Faria, o Paulinho da Viola, um artista popular irrepreensível, síntese das virtudes que fazem do samba, mais que um gênero musical, o maior fator de união deste imenso país.

 “Ministro do Samba” está entre as melhores obras de Batatinha. Além de uma homenagem que um grande artista presta a outro, faz a gente pensar: como é que o Brasil, com tanta gente extraordinária, se transformou nessa terra onde só os desprezíveis têm vez?

Melhor nem pensar nisso.

Melhor ficar com Batatinha. E com seu ministro do samba:

Eu que não tenho um violão

Faço samba na mão

Juro por Deus que não minto

Quero na minha mensagem prestar homenagem

E dizer tudo que sinto

Salve o Paulinho da Viola

Salve a turma de sua escola

Salve o samba em tempo de inspiração

O samba bem merecia

Ter ministério algum dia

Então seria ministro Paulo César Batista Faria

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