O PT de ontem é melhor que o PT de hoje?

Existe em algumas universidades brasileiras, aqueles estudantes que sentem uma nostalgia inconsciente da ditadura, não que sejam a favor do regime, mas são nostálgicos da luta contra ela, naquele tempo, existia uma causa, era relativamente mais fácil politizar a juventude, o inimigo era claro, era a ditadura, assim como o objetivo, era a revolução socialista. Tal fenômeno parece hoje se repetir, mas em outro assunto, falo aqui da frustração de alguns com os caminhos do Partido dos Trabalhadores, desde que este chegou ao governo, em 2003.

A edição de domingo do jornal O Globo,  que faz longa reflexão sobre os 10 anos de governo petista, é recheada de exemplos. O jornal abertamente antipetista, critica o partido por “tirar milhões da pobreza, mas abandona responsabilidade fiscal”, entre outros “erros”, para dar um ar de imparcialidade, chama ex-petistas, que na ânsia de criticar o partido, servem ingenuamente (?) ao jogo da direita. É caso de figuras do porte de Helio Bicudo, Vladimir Pereira e ,especialmente, o sociólogo Chico de Oliveira, figura carimbada nos programas políticas da Velha Mídia. Essas personalidades não apontam qualquer solução, se dedicam a fazer críticas sem fundamentos, dando argumento e ganhando espaço na imprensa. É o que se costuma chamar de “inocente útil”.

A crítica pode ser centrada na ideia que o o PT perdeu sua configuração original e se tornou igual aos demais. Até onde essa afirmação pode ser considerada? De fato, o partido mudou muito depois que chegou ao poder, mas trata-se de uma mudança necessária, assumir o governo é imensamente mais complexo que ser oposição, onde o partido se dedicava a uma tarefa mais simples, de desconstruir o governo de Fernando Henrique Cardoso. Outra mudanças tem a ver com a política, a economia e a forma com o partido manteve de se relacionar com os movimentos sociais.

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Na economia, o PT, que sempre foi crítico do plano real, manteve alguns fundamentos da política econômica de Fernando Henrique Cardoso , de forma a garantir a estabilidade necessária para  a implementação de políticas de distribuição de renda e inclusão social, que levou a inclusão social de milhões de brasileiros. O PT recuperou a capacidade executora do Estado, através do PAC e outros programas de infra-estrutura, além de blindar  o país diante da crise que assola o Primeiro Mundo. 

Na política, o PT deixou a desejar. O discurso do PT de antes, era amparado na ética e na busca de uma nova forma de fazer política, buscou aliança com os piores tipos do Congresso, recorreu a métodos tradicionais ( e irregulares) de financiamento eleitoral, o que deu origem ao “mensalão”, com os traumas que tal prática trouxe ao partido, inclusive com a condenação de alguns dirigentes.O partido pouco fez por uma reforma política que realmente moralizasse a política brasileira, tal mal vista pela população. Apesar de tudo, o partido manteve seu prestigio e segue sendo o preferido pela população brasileira ,que sentiu a melhoria das condições de vida, como nunca antes nesse país, para ficar numa frase tão a cara do ex-presidente Lula.

Tais transformações são impossíveis para quem chega ao governo, de partido que mobilizava milhões em suas assembleias  se tornou o partido que tirou milhões da miséria. O PT pode ter perdido a aura revolucionária que tanto emocionou a esquerda desiludida com o fim do socialismo na União Soviética e nos países do Leste Europeu, cometeu erros, como acontece com todos que tentam por algum plano em prática, nisso se aliou com quem não devia, muitos valorosos companheiros de outrora, se mostraram oportunistas audaciosos ou covardes oportunistas, o que decepcionou muitos idealistas. Mas foi o partido que tirou 30 milhões de pessoas da pobreza, levou-os para a classe média, fez com que, para a tristeza de Danuza Leão, que tão bem representou a classe média tradicional, o porteiro pudesse viajar para outro país, recuperou a capacidade de investimento e de confiar no país, fez com que nosso povo voltasse a ter orgulho de ser brasileiro.

Assim, combateu o complexo de Vira-latas que persegue a alma do brasileira, por fim, nesse longo pensamentos sobre o ontem e o hoje, termino com uma pergunta: O PT atual faz sentir saudade do PT de ontem, mas será que o Brasil atual, que mudou graças ao governo Lula, faz sentir do Brasil de ontem? 

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