O quarto dia da greve dos Petroleiros

FUP: Petrobras subestima impacto da greve e se recusa a negociar

Petroleiros querem revisão do plano de negócios, que prevê redução de investimentos
por Redação RBA publicado 04/11/2015 18:14
 
ROBERTO PARIZOTTI/SECOM CUT/FOTOS PÚBLICAS
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Paralisação nas bases dos 14 sindicatos ligados à FUP começou no domingo (1º)

São Paulo – A Federação Única dos Petroleiros (FUP) reagiu a nota divulgada na noite de ontem (3) pela Petrobras e afirmou que a empresa “subestima o impacto da paralisação e da redução das atividades de unidades operacionais em diversos estados do país”. A greve nas bases dos 14 sindicatos ligados à FUP começou no domingo (1º), e ontem a companhia admitiu que o movimento afeta suas atividades, embora ainda sem risco de desabastecimento. Apenas na segunda-feira (2), segundo a companhia, houve queda de 13% na produção diária de petróleo e redução de 14% na oferta de gás natural.

A estatal fez menção também aos efeitos na arrecadação de tributos a União, estados e municípios – outro motivo de crítica da federação. A entidade reclama que a Petrobras se recusa a discutir medidas alternativas ao Plano de Negócios e Gestão, que fala em cortes de investimentos. O plano para o período 2015-2019 prevê investimentos de US$ 130,3 bilhões, queda de 37% em relação a 2014-2018, ou US$ 76,5 bilhões a menos.

Para a FUP, são medidas assim que afetam a economia, “pois para cada R$ 1 bilhão que a Petrobras deixa de investir no país, o efeito negativo sobre o PIB é de R$ 2,5 bilhões”. A entidade estima que, se a política de cortes for mantida, 20 milhões de empregos deixarão de ser criados até 2019. “Só este ano, 15 mil metalúrgicos foram demitidos, outros milhares de petroleiros terceirizados contratados pela Petrobras perderam seus empregos e mais de 30 mil postos de trabalho estão ameaçados no setor petroquímico.”

A federação afirma ainda que a empresa “tem a cara de pau” de afirmar que está tomando as medidas necessárias para garantir manutenção de operações, preservando instalações e a segurança dos funcionários. “A FUP e seus sindicatos têm denunciado a possibilidade de ocorrências de acidentes graves em função das equipes de contingência que a Petrobras ilegalmente está colocando para operar as unidades, na tentativa de retomar a produção a qualquer custo”, diz a entidade.

De acordo com a FUP, a greve “não é por salários e sim contra o desmonte da Petrobras”.

Nos cinco sindicatos filiados à Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), a greve completou uma semana. Segundo a entidade, é a “maior mobilização da categoria desde 1995″.

 

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