O que pensa Carlos Wizard, o homem que anunciou a recontagem de mortes por covid-19

Sem experiência na saúde, Wizard afirmou que isso não é um problema para sua atuação no Ministério e que pretende desenvolver estratégias para o governo em meio a pandemia

Carlos Wizard e Jair Bolsonaro. | Foto: Reprodução/Instagram

Jornal GGN – Seguindo a linha de Jair Bolsonaro (sem partido), o novo secretário da pasta de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Wizard, defende o uso cloroquina para casos leves do novo coronavírus. Segundo o empresário, a droga pode beneficiar a curva de risco que o Brasil irá enfrentar da doença. 

Sem experiência na saúde, Wizard afirmou em entrevista ao Uol que isso não é um problema para sua atuação no Ministério e que pretende desenvolver estratégias para o governo em meio a pandemia. 

“Eu não sou médico, o ministro [Pazuello] não é médico e tampouco o presidente da OMS [Tedros Adhanom] é médico. Observe que nosso papel é muito mais de enfrentar uma crise, considerar as alternativas, as possíveis soluções. Nós contamos com equipes de profissionais médicos, autoridades altamente qualificadas que servem como consultores para que nós possamos tomar as decisões”, afirma o empresário

O convite para Wizard ocupar a secretaria foi feito pelo chefe interino do Ministério da Saúde, general Eduardo Pazuello. Desde de fevereiro, ele será o terceiro a tomar posse da pasta. 

“É um cenário novo. Enquanto você é o presidente de empresa no setor privado, se você amanhece num dia, [olha] a cor da parede, azul, e diz ‘a partir de hoje vai ser cor de rosa’, tudo que você precisa fazer é chamar os pintores. Já no setor público, eu vou ter de passar por muitos encontros, aprovações, intermediações, protocolos, esperas e hierarquias até, finalmente, ser aprovada a pintura da parede de cor de rosa”, disse ao Uol.

Wizard também é defensor do uso da cloroquina no tratamento da covid-19, mesmo sem comprovações científicas sobre a eficácia do remédio.

“Vejo [a adoção de cloroquina] de uma forma muito tranquila, segura, com bastante convicção e sem qualquer margem de dúvida. As pessoas pensam que a cloroquina foi lançada em 2020, pelo contrário: faz 70 anos que esse medicamento está no mercado. Está sendo consumido pelo mundo inteiro”, afirmou. 

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6 comentários

  1. Sugiro o Wizard of Oz dar uma olhada no currículo do presidente da OMS.
    Tem diferença entre ser alguém com know-how e ser um pau-mandado que vai mentir publicamente.

  2. Ja trabalhei numa empresa onde o chefe do departamento não precisava ser oriundo da área. Geralmente trata-se de um esperto que pra cada decisão que vai tomar faz os subordinados apresentarem 10, 15 propostas ate ele se sentir confortável para decidir e também se certificar de que não esta sendo enganado.
    De vez em quando ele tenta provar que sabe mais que os doutores da área e ai merda voa. No final das contas não sai uma virgula fora de procedimento mesmo que claramente inadequado e gasta muitíssimo mais tempo que uma da área. so que ele vai apresentar um power point arrotando o sucesso que foi.

  3. A função principal de um médico é curar pacientes específicos (que tenha trato direto) de doenças, comumente específicas, relacionadas à sua especialidade (ex. ortopedia, cirurgia plástica, obstetrícia, neurologia, etc.).
    Já ouvi um ortopedista de renome afirmar que não existem “bactérias do bem”, numa discussão intestinal (literalmente).
    Por outro lado, virologistas, infectologistas, epidemiologistas, biólogos, biomédicos e similares têm seu conhecimento voltado à doençascoletivas, de assa, de contaminação e podem ser cientistas semformação médica específica (diploma para “atender” pacientes).
    Tedros, dentre outras coisas é biólogo, pesquisador de malária (certamente conhece bem a cloroquina!) mundialmente reconhecido, DOUTOR em saúde pública,formado pela Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres etc.
    Ou seja, tem uma formação DIRETA em saúde pública e não chegou lá por ser sobrinho da rainha da Inglaterra,mas pelos seus trabalhos internacionalmente reconhecidos no trabalho de saúde pública na África.
    Talvez o presidente presepeiro ache melhor ser tratado do coração por um ortopedista.
    Sendo um contumaz mentiroso e espalhador de boatos e fake-news, alguns bloqueados na rede (uma escandalosa vergonha para um presidente) espalha, por ex., que “milhares de soldados foram salvos no Pacífico com TRANSFUSÂO de ÁGUA DE CÔCO”. A única referência a tal papo furado que existe é a de UM soldado que recebeu sim uma injeção para HIDRATAÇÂO, pois não havia nem tinha condições de receber remédios (ou mesmo água de coco) oralmente. Não foi para reposição de sangue ou plasma. De resto, tal fato foi transformado em PIADA que corre atá hoje.
    Portanto, a recorrente difamação de Thedros pelo despresidente é, como de hábito, falsa e descabida.
    Já a de um general ou empresário de “línguas” dirigindo a saúde da nação…

  4. Conversa de “empreendores-de-meia-pataca”.
    Porque emplacou uma escolinha de inglês, acha que sabe tudo sobre o mundo todo.
    O dom que tem para “fazer” dinheiro, não é indicativo nem de boa gestão (só verificar o exemplo da pintura da sala: como proprietário não quer nem saber se vale a pena mandar repintar, nem se a pintura existente ainda se aguentaria por muito tempo, afinal, pensa ele, a repintura da sala entrará como despesas da empresa e será deduzida do imposto a pagar (quer dizer, se se propuser a pagar). Faça isso em todas suas franquias e verá a falência logo em frente.
    Enfim, não sabe nada de nada a não ser o que sempre fez: puxar o saco de alguém e mijar pra baixo.
    Como nem seu ministro, muito menos seu presidente sabem merda de merda alguma, fará a merda que quiser e depois tirará o time com alguns “negócios” engatilhados: talvez curso rápido de inglês para infectados (e ainda não mortos) pelo covid19.
    Haja saco aguentar essa camarilha criminosamente nazista.

  5. Impossivel nao fazer um paralelo dos incompetentes hoje colocados à frente do MS com o Doutor Sardinha, personagem onde Jo Soares satirizava a passagem de Delfim Netto pelo Ministério da Agricultura nos estertores da ditadura (época do “esquecível” Figueiredo).
    Mas mesmo naquela época lamentável da nossa história, não lembro de haver leviandades, que beiram o crime, como as cometidas atualmente com o Ministerio da Saúde.

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