O samba de terreiro na escadaria de Floripa, por Cesar Monatti

Por Cesar Monatti

O samba de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos de Florianópolis começou a ser construída em 1787 e foi concluída mais de quarenta anos depois, em substituição a uma capela da irmandade de mesmo nome, presente a partir de meados do século XVI em vários estados do país, como Pernambuco, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte e dirigida a acolher os africanos escravizados e seus descendentes, impedidos de frequentar as mesmas igrejas dos senhores de escravos.

Exatos duzentos e trinta anos depois, em pleno centro histórico da capital de Santa Catarina, as escadarias que conduzem às suas feições predominantemente barrocas e neoclássicas foram escolhidas como palco de um projeto cultural que visa à valorização da manifestação cultural dos sambas de terreiro, ampliada para um repertório de sambas que transita entre as décadas de trinta e setenta do século passado.

A velha guarda de uma das principais e mais antigas escolas de samba da cidade e instrumentistas simpatizantes foram reunidos para desempenhar o papel de guardiões daquele conceito musical inicialmente restrito às comunidades negras e de brancos pobres. Neste sentido, mesmo os jovens e competentes músicos que militam na cidade se integram numa forma de apresentação e participação que procura respeitar a linha básica das rodas de samba daquele período, utilizando-se apenas de instrumentos tradicionais como surdo, cuíca, tamborim, pandeiro, além de cavaco e violão.

Outros ritmos derivados ou aparentados com o samba como é o caso do choro, lundu e o samba-canção, embora muito respeitados pelos integrantes do projeto, não integram os eventos de todas as terças-feiras ao fim da tarde, abertos e franqueados ao público geral.

Na semana que se encerra cumpriu-se o primeiro ano de atividades do projeto, com um público estimado de cerca de mil pessoas distribuídas pelas dezenas de degraus que servem como arquibancada para frequentadores assíduos, transeuntes e turistas desta alta temporada de férias.

Esta data serviu também para o lançamento de uma campanha de financiamento coletivo visando a garantir a continuidade e longevidade da iniciativa, que não conta com recursos públicos, por meio de fundos destinados à divulgação, ajuda de custo a músicos e intérpretes, material de difusão dos fundamentos e conceitos do samba de terreiro. O endereço para colaboração é https://benfeitoria.com/sambadeterreirofloripa.

Desta forma cheia de beleza e congraçamento, as pastoras, os músicos, os passistas e a Velha Guarda da Escola de Samba Embaixada Copa Lord, protagonistas do projeto, representam todos aqueles que amam a música brasileira e prestam tributo a mais de dois séculos de convicção de que “a vida não é só isso que se vê, é um pouco mais…” e que o samba, com a vênia do grande Wilson das Neves, é um bem de raiz.

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1 comentário

  1. Sempre gostei de batuque

    mas nunca me dei bem com bailes . Para os que gostam de pular e veem no Lula não só, quem pode encher o balaio do PT de votos, mas como a resitência aos ataques  que nossa democracia vem sofrendo, vai aqui minha marchinha para este carnaval:

    Eu vou de Lua…Eu vou de Lula…

    É isso que me diz minha razão…

    Eu vou de Lula…Eu vou de Lula…

    Eu quero fazer parte da nação.

    Eu vou de Lula, oba! Eu vou de Lula…

    Conversa mole eu não quero não…

    Eu vou de Lula, oba! Eu vou de Lula…

    É isso que me diz meu coração.

    borom bom bom;

     

    ® 

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