O saneamento básico como oportunidade de retomada do crescimento

Segundo consta no Estadão, em matéria assinada por Fábio Leite (clique aqui), a metade das residências brasileiras não tem coleta de esgoto. Em relação ao esgoto tratado, apenas 41% das residências são atendidas. Esses números são do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), divulgados pelo Ministério das Cidades.

Em um momento político delicado da nossa história no qual se busca uma fonte capaz de gerar perspectivas de crescimento no curto prazo, os investimentos públicos em saneamento básico representam uma grande oportunidade. Proponho alguns pontos para reflexão em um programa de efeito no curto prazo:

1. É preciso construir as condições para que as construtoras enroladas na Lava Jato possam receber uma pena alternativa, de modo que devolvam com trabalho no campo do saneamento básico os prejuízos financeiros que causaram à sociedade brasileira.   

2. Recursos adicionais viriam de concessões e de bancos privados, do BNDES e da Caixa.

3. O multiplicador da renda na base geraria efeitos positivos nas arrecadações municipais, estaduais e federal. Além disso, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cada unidade monetária investida em saneamento economiza quatro unidades em sistemas hospitalares.

A forte queda dos preços internacionais das commodities desde meados de 2014 foi sentida no Brasil, quando perdemos uns 2% do PIB por conta do multiplicador da base exportadora. A Lava Jato, segundo divulgou o Ministério da Fazenda, levou outros 2% do PIB em 2015. Desde 2011 havia debates qualificados na imprensa sobre a exaustão do superciclo das commodities e, em 2012, o governo federal buscou efetivar medidas “anticíclicas” que esticassem a situação anterior.

Como resultado prático, pondera o professor David Kupfer (UFRJ), aquela política “falhou por ter se limitado a buscar dar uma sobrevida a uma estrutura produtiva preexistente para um ajuste fiscal pró-cíclico que está falhando por comprometer exatamente o investimento público, que vem a ser uma das poucas saídas eficazes para retomar a formação de capital fixo e redinamizar a economia em quadros de crise de confiança” (“Valor Econômico”, 14/03/2016). A retomada da confiança dificilmente se processará sem que o investimento público cumpra o seu papel de multiplicador da renda.

Leia também:  "Jamais tivemos nos últimos 50 anos um desastre de imagem tão catastrófico", diz embaixador sobre Bolsonaro

Rodrigo Medeiros é professor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes)

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome